sexta-feira, 2 de maio de 2008

"Vamos ver"

Vamos ver era a alcunha de seu Guilherme.

Para tudo dizia: "Vamos ver".

"O que nós vamos comer hoje, papai?"

"Vamos ver".

Guilherme, nós vamos para a colônia?"

"Vamos ver".

"Seu Guilherme, o senhor promete dizer a verdade do que souber e lhe for perguntado sob pena de falso testemunho?"

"Vamos ver".

O juiz reagiu: "O quê, vamos ver? O senhor é obrigado a dizer a verdade, senão vou lhe prender. O senhor promete dizer a verdade?".

"Vamos ver".

Antes se ser preso por desacato, a mulher de seu Guilherme, muito culta, explicou ao magistrado.

"Meritíssimo, o Guilherme tem o apelido de "Vamos ver", desde criança sofre disso.

O "vamos ver" pode significar, dependendo da situação, várias respostas. Dúvida, afirmação ou negação, indefinição e embromação.

Nesse caso ele está afirmando, não prenda meu marido, por favor, ele vai dizer a verdade".

O juiz, compreensivamente, perguntou ao seu Guilherme: "É isso mesmo, seu Guilherme".

"Vamos ver".

Seu Guilherme não era doido da cabeça. Simplesmente tinha essa idéia fixa como resposta para tudo.

A causa, até hoje ninguém descobriu.

Penso eu que a origem deve está em algum passado muito remoto da vida de seu Guilherme. Só uma regressão as suas vidas préteritas pode decifrar tão complexo enigma.

2 comentários:

Sônia disse...

Vidas pretéritas. Éssa é uma idéia fascinante e poder regressar a elas deve ser uma viagem incrível. Pessoalmente acredito que já tive pelo menos umas três. E a mais feliz delas certamente se passou no século XIX, na França.

Anônimo disse...

Você precisa urgentemente de uma saída.



Só JESUS nA SUA VIDA.