quarta-feira, 21 de maio de 2008

O delator de Amin Kontar




Antes de Amin Kontar ser preso, acusado de mandar soltar uma dinamite na casa do então prefeito de Vila Seabra, hoje Tarauacá, no ano de 1918, foi preso Francisco Guilherme Alexandre, cozinheiro do próprio prefeito.

Sofreu tanto quanto Amin Kontar.

Por diversas vezes foi surrado, ora com feixe de varas ora com chicote feito de couro de anta.

Na iminência de ser cruelmente assassinado, resolveu apontar Amin como o mandante do atentado.

No mesmo dia, à noite, bem ao estilo de um ataque de bandidos, a casa de Amin Kontar foi cercada e invadida.

Depois de resistir por diversas vezes, Guilherme resolveu aceitar a proposta de por fim a vida de Amin Kontar, com a finalidade de se ver livre da cadeia.

Além de ter sido delator, Guilherme, foi também assassino.

Vemos então como a delação premiada, embora não recolhecida pela lei nos tempos idos, já era usada para descobrir, não importa como, crimes e seus autores.

Olhando humanamente, não podemos dizer que Guilherme foi o pior dos delatores ou o mais perverso dos assassinos. Estava coagido pela violência física e moral empregada contra ele.

Não teve, evidente, a têmpera de Amin Kontar, que mesmo sob os insanos golpes de seus torturadores, nunca confessou sua culpa ou indicou alguém como culpado.

Da história de Amin Kontar, muitos valores podem ser trabalhados como exemplos para as nossas gerações, que tanto precisam.

A honradez, a justiça, a liberdade, a vida, são bens que se abraçaram em torno de seu martírio, formando em seu derredor uma coroa de luz, dada a ele como galardão pela missão cumprida.

Um comentário:

Sônia disse...

Infelizmente ainda temos muitos inocentes sendo martirizados nas delegacias e presídios do nosso país. Quando a covardia e a certeza da impunidade andam juntas o que vemos é um espetáculo de horror.