segunda-feira, 5 de maio de 2008

A arte e a ciência da escolha

Selecionar pessoas não é fácil. Na amizade, no divertimento, no trabalho, na vida social, na política, na religião, no Júri Popular. Nos unimos ao que nos é semelhante.

O advogado, no Tribunal do Povo, necessita ter a capacidade de escolher as pessoas certas para julgarem seu cliente. É arte e ciência.

De 21 jurados, 7 vão sentar no Conselho de Sentença. O Juiz vai sorteando os jurados e a defesa e a acusação vão recusando até o número de três, para cada lado, sem precisar justificar. Só será juiz o jurado que for aceito, concomitantemente, pela defesa e pela acusação, até o o número de 7, o número da perfeição.

Não é bom dizer a palavra "recuso" ao não aceitar o jurado. Ninguém gosta de ser recusado, mesmo que este termo seja dito no sentido técnico. Aconselha-se a dizer, "libero e agradeço a presença."

Quais os critérios usados para recusar ou aceitar jurados? Basicamente três: o informativo, o psicológico e o intuitivo.

O advogado precisa saber quem é o jurado. De onde veio, onde trabalha, qual a sua religião, quantos filhos têm, se alguém de sua família já foi vítima ou réu, se ele próprio já esteve numa dessas condições, qual a sua posição ideológica, quem é o seu patrão, qual o seu grau de escolaridade, e outras informações. É um trabalho de pesquisa. Nos Estado Unidos, o potencial jurado é sabatinado antes de fazer parte do Júri, aqui não.

O advogado precisa saber também o que diz a psicologia, tanto a científica como a empírica, sobre o perfil dos jurados. Por exemplo: o evangélico é condenador, porque exige dos outros que sejam iguais a ele. O espírita é absolvidor, devido ao fato de crer que o homem será penalizado independente da justiça humana, pela lei do carma. O católico, por ser mais liberal, seria um bom jurado. O idoso é um risco, já que se está no conselho de sentença é porque é homem probo e idôneo. Julgará o jovem com mais severidade, que tão cedo já começou a errar. A contrario, o jovem é bom jurado, pois se aquele réu cometeu falta tão cedo, ele também poderá cometer. A mulher não seria aconselhável para a defesa em determinados feitos, por cometerem menos crimes e se emocionarem demais com o tema morte e sangue. No caso de negativa de autoria são boas julgadoras, não suportam ver o inocente injustamente acusado.

Quem pensar que esses critérios são religiosamente rígidos pode aceitar ou recusar cegamente um bom ou um mal jurado. Tudo é flexível, vai depender, além da combinação dos critérios, da intuição do advogado.

Ao olhar para o juiz leigo que se levanta, o homem de refinada intuição pode ver para além das aparências. Seus olhos, seus gestos, sua boca, seu semblante, espelho da alma. É uma espécie de dom, mas que pode ser conquistado.

Outras questões relacionadas com a importante escolha dos jurados, o advogado vai adquirindo com o tempo, aliás, "experiência é posto".

Esse meticuloso trabalho de escolha precisa ser aperfeiçoado a cada Júri, pois o acusado tem o direito de ser julgado da forma mais imparcial possível. E não existe justiça, quando a parcialidade impera, seja a de ordem objetiva, seja a de ordem subjetiva.

2 comentários:

Sônia disse...

Realmente selecionar pessoas não é fácil, mas fazemos isso o tempo todo às vezes com alguns critérios outras com pura intuição. Nesse caso, nós mulheres, saímos na frente dificilmente erramos no nosso julgamento em relaçao ao caráter de um pessoa.

Anônimo disse...

Os evangélicos não querem que você seja igual a eles e sim igual a Jesus.Santo como ele foi.