terça-feira, 29 de novembro de 2016

O louvor a filosofia

"É ela, cidadãos atenienses, a filosofia, que nos capacita para a vida pública, que nos torna gentis uns com os outros. É ela que nos faz vencer os infortúnios e a suportar com honradez as necessidades. É ela o sinal mais seguro da educação de um homem. É ela que dignifica a oratória, que a torna nobre e artística, que dá ao orador uma mente perspicaz, e o torna admirável aos olhos do mundo. É ela que deu aos gregos inteligência e liberdade, livrando-os da escravidão e da ignorância. É ela, cidadãos de Atenas, que faz brilhar a luz do lógos, tornando grego todo aquele que, em qualquer lugar da terra, partilha da nobreza de nosso pensar".

(Isócrates, em Panegírico a Atenas)

"Seja homem!"

"Em primeiro lugar, seja homem", disse Marden, educador americano, em seu livro Como Alcançar o Sucesso. 

Conta ele que Diógenes de Sínope, filósofo da Grécia Antiga, caminhava na movimentada ágora grega - com um candeeiro aceso nas mãos à procura de homens verdadeiros - quando de repente, parou e vociferou: "Ouçam-me, ó homens!". Uma multidão voltou o olhar em direção ao orador. Aí ele exclamou: "Por que me olham, ó pigmeus, eu clamei por homens!".

O que é oratória com filosofia?

Oratória com Filosofia: no Júri, na Advocacia, na Vida.  O título do livro remete a uma frase do filósofo grego Platão: "A única oratória digna dos deuses é a oratória com filosofia".  E Sanderson Moura nos explica:  “Para  Sócrates e Platão,  a oratória com filosofia é a arte de falar bem com sabedoria, com luz, com razão, com conhecimento, com conteúdo útil ao progresso humano. E podemos aplicar essa forma de se expressar no júri, na advocacia, no trabalho, na política, na vida, em todos os lugares onde precisamos da arte do bem falar”.

O livro, de 245 páginas, é composto por 380 textos curtos, onde o autor cita mais de 150 livros e diversos  mestres da arte de falar bem, filósofos e líderes,  desde a antiguidade clássica até os dias atuais.O autor é formado em História e em Direito pela Universidade Federal do Acre- UFAC, é advogado criminalista e já escreveu outros dois livros, Do Homem de Bem que Sabe Falar  e Habeas Spiritus.  É presidente da ABRACRIM do Acre - Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas, e é o idealizador da Escola de Atenas, organização que visa ensinar oratória com filosofia, tendo como referencial de suas ideias a cultura clássica grego-romana.

Sanderson Moura, que se declara um helenista – aquele que promove as ideias da Grécia Antiga - defende a necessidade de um novo renascimento, de um novo iluminismo, do ressurgimento dos valores clássicos para tirar a humanidade da ignorância, da intolerância religiosa, das trevas políticas, intelectuais e éticas.

Sanderson Moura tem falado da necessidade da advocacia criminal brasileira aperfeiçoar a oratória para melhor exercer seu mister, assumindo o protagonismo na arte de falar bem, pois esse era o conceito antigo dado ao advogado por Cícero e Catão, tribunos da Roma Antiga: "O advogado é o homem de bem perito na arte de falar". Entre os casos famosos do criminalista, de repercussão nacional, está a defesa de Hidelbrando Pascoal, no caso que ficou conhecido nacionalmente como "O crime da motosserra".

No meio da juventude acadêmica dos cursos de direito, Sanderson Moura tem sido um grande inspirador, incentivando os jovens a aperfeiçoar sua oratória e a exercer a advocacia com ética, brilho e competência diante de juízes e jurados. Como ele mesmo sempre lembra, citando uma frase do sofista Isócrates, “ensinando o jovem a falar bem estamos ensinando-o a viver bem”.

O livro será lançado, no dia 2 de dezembro, Dia do Advogado Criminalista, às 20 horas, no auditório da Faculdade Diocesana de Filosofia e Teologia – FADISI, que fica na avenida Getúlio Vargas, ao lado da Saudosa Maloca.

Aristói e Kakoi

Na Grécia clássica, os melhores eram chamados de 'aristoi', derivando daí a palavra aristocratas - governo dos melhores. 

Os piores, os covardes, os tolos, os medíocres eram chamados de 'kakoi'. Os gregos tinham medo de serem considerados 'kakoi', e esse medo da mediocridade se tornou a força motriz e impulsionadora que os impeliam a buscar a 'areté', a excelência em tudo que faziam.

A solidez do silêncio

Durante o dia, algumas vezes, paro um pouco, fecho os olhos, e por alguns minutos, adentro o sagrado templo do silêncio interior. Um dos meus momentos preferidos para degustar o silêncio mental é antes de dormir e ao acordar cedo pela manhã. Como diz Plutarco, sábio grego: "Há algo de puro, íntimo, profundo, belo e religioso no silêncio". Tanto o filósofo quanto o orador, necessitam do poder acalmador, restaurador e inspirador do silêncio
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A verdade e a brevidade na oratória

Saber falar bem em público é uma grande responsabilidade; consiste num respeito profundo à audição e ao tempo dos ouvintes. O orador tem o dever de não ser enfadonho. E um dos requisitos centrais dessa arte é a brevidade. Por esses dias, li uma frase de Protágoras, sofista grego, onde, mais uma vez, a brevidade é louvada. Dizia ele: "Falar com brevidade é uma marca segura dos homens que conhecem a verdade das coisas".

Admirável Sócrates

Um dos homens admiráveis é Sócrates; mesmo tendo uma esposa briguenta, irritada, raivosa, ele seguia adiante, sereno, sua missão na filosofia; mesmo sendo preso e condenado à morte, não abdicou dos elevados valores morais e intelectuais que legou ao mundo; mesmo sendo cuspido, agredido na praça pública, seguia firme, nas alturas, contemplando verdades, compartilhando razão, virtude e amor.

Silêncio filosófico

Dentre os muitos sábios do mundo grego, que aprecio, está Plutarco, filósofo, prosador e historiador que viveu na Grécia e em Roma no início da Era Cristã. 

Muito do que sabemos sobre a Antiguidade Clássica, sabemos por meio de seus escritos. Como ele mesmo diz, "Desconhecer a vida e a doutrina dos homens sábios da antiguidade é permanecer parado na infância do pensamento". 

Para um orador, ele é sempre fonte de muita inspiração. Plutarco escreveu a famosa coleção 'Vidas Paralelas', onde conta a vida de algum homem ilustre da Grécia, comparando-a com a vida de outro homem ilustre de Roma. 

Um destes livros da coleção é intitulado 'Demóstenes e Cícero', uma preciosidade para quem quer entender o poder e a glória da retórica grego-latina. 

Mas quero destacar, aqui, o livro 'Sobre a Tagarelice'; uma leitura relevante para o homem que quer crescer em sabedoria. Plutarco expõe o tagarela, suas manias, suas impertinências, sua superficialidade, sua logorreia, sua incômoda prolixidade, e louva a inteligência do silêncio, o falar breve e penetrante. 

Ele faz uma exortação: "Aquieta-te, tagarela, não percebes que no silêncio há algo de filosófico, venerável, de pleno, de belo, de íntimo, de sagrado, de religioso, de sábio?". 

Plutarco diz que o homem que sabe cultivar o silêncio desfruta de uma educação nobre. Do tagarela, todos querem distância. 

E concluo este pequeno texto com outra frase do sábio pensador grego: "Ao vê um orador falando de forma condensada e penetrante, saiba que por trás daquele homem existe uma grande reverência ao silêncio".

O que você é e o que você fala

Ralph Waldo Emerson foi um dos grandes sábios americanos; escritor e orador e mestre de grande solidez. Dele, tenho duas obras, 'Ensaios' e 'Conduta para Vida'. Ele influenciou os pensadores mais interessantes dos Estados Unidos a partir do século XIX. 

A respeito da relação que existe entre a conduta do orador e aquilo que ele diz, Emerson deixou uma frase lapidar: "O que você é fala tão alto que não consigo ouvir o que você está dizendo".

Dominando os ídolos mentais

Francis Bacon, além de ter sido filósofo da época do Renascimento, foi também advogado e jurista. Enaltecia a ciência como força capaz de trazer felicidade e poder ao homem. 

Uma de suas frases se tornou célebre: "Conhecimento é poder". Dizia Francis Bacon que o homem, para acessar a ciência, a verdade, o conhecimento, devia vencer alguns 'ídolos mentais' que o afastam da luz do saber e o aprisionam na caverna da ignorância, dentre eles: as generalizações, as convenções sociais, os preconceitos, os dogmas e o apego a meras palavras divorciadas da acurada observação, da experiência e da realidade. 

Mesmo depois de quase quinhentos anos destas orientações para o mundo, ainda carecemos delas, pois a maioria de nossa sociedade atual se constitui de pessoas que vivem na idade média do pensamento.

Qual silêncio?

Não é o silêncio do covarde que me interessa, não é o silêncio do cemitério, dos mortos, dos alienados e ignorantes que louvo. É o silêncio do Buda, do Tao, do Lógos; é o silêncio da meditação, dos sábios; é o silêncio filosófico do homem que conhece e perscruta sua essência mais íntima. 

Silêncio que é poder, criatividade, conhecimento, liberdade, inspiração, destemor. Silêncio que traz elegância no andar, vibração da presença no falar, energia no olhar, domínio no sentir e no pensar, sabedoria no viver.

O governo dos filósofos

A transformação política que o Brasil e o Acre precisam passa pela necessidade de termos uma estrutura filosófica para liderar, governar, falar,, distribuir a justiça e legislar. 

"Permaneceremos", disse Plutarco, "na infância do pensamento, se não conhecermos a vida e a obra dos homens ilustres da antiguidade." 

A ideia de Platão permanece atualíssima: a república, para irradiar luz, precisa do "governo dos filósofos", dos sábios.

Oração do Advogado

"Enfim, ó Mestre, quero celebrar as vitórias e êxitos alcançados, e agradecer-te pela vocação que me confiaste".

A Senda do Dia e a Senda da Noite no júri popular


Após treze horas de julgamento, os jurados de Brasiléia chegaram ao veredicto: absolveram o acusado de cinco tentativas de homicídio. 

Disse eu, no início de minha oratória: "Senhores e senhoras do Conselho de Sentença, o 'venerando e terrível Parmênides', como a ele se referia Platão em tom de reverência, certo dia, teve uma revelação: viu-se, o filósofo, num carro conduzido por lindas musas, as Filhas do Sol, montadas em belos corcéis, que o levaram até onde o seu intenso desejo de conhecer a verdade podia chegar. Numa planície de indizível beleza, Parmênides, foi recepcionado pela majestosa deusa da Justiça. A deusa, apresentava-se como guardiã de duas portas, sendo que estas conduziam a dois caminhos. Diante de Parmênides, com voz doce e poderosa, a deusa revelava-lhe os segredos da Senda do Dia e da Senda da Noite: "O ser é, e não pode não ser; o não ser não é, e não pode ser. Quem compreende isso, Parmênides, os homens raros, seguem a Senda do Dia, da razão, da persuasão, da ciência, dos fatos, da verdade, do lógos. Quem não segue, os homens comuns, andam perdidos na Senda da Noite, dos sentidos enganosos, do erro, da falsidade, das percepções superficiais, achando que algo é quando não é, ou dizendo não ser aquilo que é". 

Convidei os jurados a seguirmos a Senda do Dia, e a Senda do Dia juntos seguimos.

Fidelidade à advocacia

Hoje, recebi esta mensagem de um constituinte meu. Fico feliz e honrado de continuar sendo fiel a profissão que escolhi. 

O grande advogado Piero Calamandrei dizia. "Para encontrar a justiça é necessário ser-lhe fiel; como todas as divindades, ela só se manifesta para aqueles que nela creem".

Fidel muito me impressionou

Em 1995, com 17 anos de idade, vim morar em Rio Branco, vindo de Tarauacá, com o objetivo de cursar História na Universidade Federal do Acre. Eu era um jovem comunista, cheio de ideal e energia revolucionária, sendo que o primeiro livro que eu li em terras riobranquenses foi 'Fidel', obra que faz parte de uma coleção intitulada 'Os Grandes Líderes', que eu adorava ler. 

Outro livro que li por essa época, e que muito me impressionou, foi o discurso de autodefesa de Fidel Castro, que era advogado, diante do tribunal cubano, que depois foi transformado em livro, 'A História me Absolverá' - esse caso consta no clássico livro 'Grandes Advogados e Grandes Julgamentos no Júri e em Outros Tribunais', de Pedro Paulo Filho. 

Morreu um grande tribuno; para uns, um ditador sanguinário, para outros, um grande líder do sonho socialista. Para mim, um homem que muito me impressionou quando eu era jovem pelo poder de sua oratória.

O Monte Olimpo da eloquência

Este é um autêntico alfarrábio - livro velho e sem utilidade (para quem não conhece o seu valor). É a primeira tradução para o português. Chegou em minhas mãos hoje. 

Plutarco, escritor e filósofo grego, compara a vida, o pensamento e o estilo dos dois maiores oradores do mundo antigo: Demóstenes (grego) e Cícero (romano), ambos homens de gênio no campo da retórica, da política e da advocacia.

Quem pretender alçar voo até as alturas rarefeitas do Monte Olimpo da eloquência tem que manter viva na memória a exortação de Plutarco: "Desconhecer a vida e o pensamento dos grandes homens da antiguidade é permanecer estacionado na infância do pensamento".

Oratória, seriedade e preparação

Belíssimas páginas amareladas da história da eloquência universal, Vidas Comparadas: Demóstenes e Cícero, de Plutarco.

 Uma das grandes lições de oratória de Demóstenes: levava tão a sério a arte de falar bem que só aceitava discursar em público ou ministrar conferência se estivesse previamente preparado.

 Palavra central na arte de falar bem: preparação.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A maior das glórias

"Que os deuses te deem tudo o que o teu coração deseja: uma família e um lar em harmonia com crianças brincando felizes. Não há no mundo dádiva maior nem mais bela, duas mentes e dois corações que pulsam como um só. De todas as glórias, esta é a melhor".

(Homero, in Odisseia)

De que material são feitos os firmes sonhos?

Quando um homem traça um objetivo a ser conquistado, e oposições e obstáculos de toda ordem se levantam contra ele, isso é apenas um teste para ver de que material é feito os seus sonhos.

A lógica e o domínio de si

Um líder, um orador, um professor, um intelectual, não podem ser pessoas que afrontam a ciência da lógica, sob pena de perderem a credibilidade. 

Aristóteles dizia que o mais importante princípio da lógica é o princípio da não- contradição. Contradição é sinônimo de confusão e de incoerência. Um orador não pode ter uma comunicação contraditória, como também não pode haver contradição entre o que ele pensa e fala, entre o que ele fala e faz. 

Quanto mais o homem domina a si mesmo mais lógico ele se torna. A falta de lógica em uma mensagem no fundo é uma falta de domínio dos pensamentos, das paixões e das atitudes. Lógica é a ciência do pensar, falar, sentir e agir corretamente - que se desenvolve a partir de outra ciência: o domínio de si mesmo.

Estão chegando os novos helenistas


Por que a Grécia Antiga é essencial hoje? A Grécia é um poderoso e belo referencial teórico, é um ponto de partida valioso para a elaboração intelectual. 

Dizia Arquimedes: "Dê-me uma alavanca e um ponto de apoio que eu moverei o mundo". A Grécia continua sendo essa alavanca e esse ponto de apoio capaz de mover o mundo do direito, da política, da oratória, da liderança, da ciência; capaz de fazer movimentar para frente a roda do progresso em todos os campos do saber humano. 

Assim como o renascimento da cultura grega tirou o mundo da estagnação medieval, assim, novamente, ela renascerá, com novas cores, com novos brilhos, com novos matizes, com nova modernidade para conduzir a humanidade a patamares mais avançados de civilização.

 Navegando no Mar de Vinho, livro do historiador Thomas Cahill, é um livro culto, inspirador, instigante, que aponta para a essencialidade da Grécia Antiga para o mundo atual. Em curso, a nova renascença! Em ação, os novos helenistas!

Pregar aos olhos e aos ouvidos

Padre Antonio Vieira, o Paiaçu, o 'grande pai', como os índios o chamavam, foi um dos grandes oradores sacros da humanidade; viveu no Brasil no século XVII. 

Dizia, em seu imortal Sermão da Sexagésima: "Sabem, padres pregadores, por que pouco abalo causam os nossos sermões? Porque não pregamos aos olhos, pregamos só aos ouvidos. Por que convertia o Batista tantos pecadores? Porque assim como as suas palavras pregavam aos ouvidos, o seu exemplo pregava aos olhos". 

Todo candidato a orador deveria ler o Sermão da Sexagésima.

Os limites do meu mundo

"Os limites de minha linguagem significam os limites do meu mundo", dizia o filósofo Wittgenstein. 

Por isso devemos nos capacitar para vermos o mundo com mais amplidão. A linguagem se amplia e se aperfeiçoa com leitura, com meditação, com novos conhecimentos, com novas experiências, com a nossa evolução moral, intelectual e espiritual. 

O estudo da oratória é uma das maiores ferramentas para expandirmos nossa linguagem e vermos o mundo com mais totalidade.

Quis chegar e cheguei!

Ele era apenas um garoto correndo pelas ruas da ágora grega quando a cena de um julgamento lhe chamou a atenção. No tribunal, sob os aplausos da multidão, Calístrato orava, convencendo os jurados com sua grandiloquente defesa. O povo vibrava e gritava o nome de Calístrato, saudando-o e levando-o nos braços como um herói. A cena foi deslumbrante, e o garoto invejou e ambicionou a glória de Calístrato. 

Quando cresceu, aquele menino abriu um processo contra as pessoas que tinham usurpado a sua herança. Mas seu desempenho foi fraco; perdeu o processo e foi vaiado pelos atenienses. Mas não baixou a cabeça, mas não perdeu a autoestima. Recolheu-se em rigorosa ascese. Para curar a gagueira, falava com seixos na boca. Para fortalecer a voz, declamava os versos imortais de Homero e Hesíodo, que eram ouvidos mesmo com as revoltosas ondas do mar chocando-se nas brutas rochas. Para corrigir um tique nervoso que o fazia levantar ora um ombro ora outro, falava debaixo de duas espadas que dilacerava-os todas as vezes que eles se moviam desordenadamente. Para não cair em tentação de voltar à vida normal e abandonar a sua disciplina, cortou a metade do cabelo, raspou uma sobrancelha e deixou apenas parte do bigode, aparentando uma imagem monstruosa. 

Quando se sentiu preparado, reabriu o processo contra seus usurpadores. O povo foi assistir, lotando o recinto do tribunal. O garoto, agora jovem homem, falou com tanta maestria e poder, que o povo gloriosamente o levou nos braços como fizeram com Calístrato, e a ele, posteriormente, foi dado uma coroa de ouro, e as futuras gerações o aclamaram como o maior orador da antiguidade grega. Disse Demóstenes: "Trabalhei e lutei com perseverança, quis chegar e cheguei".

Prefiro a ditadura do relativismo do que a ditadura do absolutismo

Em 2005, o papa Bento XVI, conceituado doutrinador católico, lamentava porque o mundo estava caminhando para a "ditadura do relativismo". Pareceu-me um certo saudosismo medieval, quando a igreja ditava o que era certo e o que era errado - época em que quase tudo ficou subdesenvolvido no campo da arte, da ciência e do pensamento. 

Falar em "ditadura do relativismo" é uma contradição em seus próprios termos; ditadura existe quando se quer sufocar o relativismo. O relativismo é como a dualidade, é uma lei da natureza; mais do que sufocá-lo, é preciso entendê-lo; não se supera negando-o. Mais verdades foram encontradas em meio às verdade relativas do em meio às verdades absolutas. 

Ambientes de verdades absolutas são lugares tristes, atrasados e obscuros. "O homem é a medida de todas as coisas". Para mim, mais vale a pena pagar o preço de se viver em liberdade à viver sob as sombras dos dogmas, dos fanatismos e do aprisionamento do pensar.

O orgulho mais difícil de vencer

O orgulho mais difícil de vencer parece ser o orgulho do saber. Conta-se que o filósofo Diógenes, aquele que disse para Alexandre, "Saia da frente de meu sol", ao rejeitar suas ofertas de poder e de riqueza, saiu pelas ruas de Atenas, com uma lamparina acesa nas mãos, em plena luz do dia, à procura de um verdadeiro homem. Na sua peregrinação resolveu adentrar aos portões da Academia de Platão, encontrando no ambiente interno da famosa escola lindos e luxuosos tapetes espalhados por todos os lados. Quando Platão o avistou, saudou-o com vivacidade: "Seja bem-vindo, Diógenes. O que o trazes aqui?" Diógenes, olhando para os tapetes sob seus pés, respondeu: "Vim pisar no orgulho de Platão". O que Platão calmamente retrucou: "E como pisas tão orgulhosamente, oh Diógenes!".

O belo na oratória

O bom orador deve desenvolver em si a sensibilidade artística, a capacidade para contemplar e ser um veículo do belo. Sendo o seu próprio talento uma arte, o orador deve abrir-se para captar e banhar-se na estética da pintura, da poesia, da escultura, da arquitetura, da música, do teatro, da dança, fazendo de sua própria arte um pouco de cada uma delas. 

Na pintura ao lado, John William Waterhouse, ilustra uma cena da mitologia grega, onde Hilas, de tão belo que era, foi capturado pelas ninfas. A dimensão do belo deve ser um componente essencial numa oratória clássica. O belo que encanta, o belo que seduz, que é capturado pelo público, o belo que revela, o belo de Deus materializado na verdade dos argumentos e das palavras do orador.

Sucesso é ter iniciativa

Algo simples e real: sem iniciativa não se chega ao sucesso, à nenhuma realização. Pode pensar positivo, sonhar, ter fé, elaborar planos etc. 

Pensamento positivo, sonhar, ter fé, elaborar planos, só ganham imensa importância se o homem partir com firmeza para a ação. Por isso, a iniciativa é uma das leis do triunfo.

Orador hábil no trato

Disse Platão: "A retórica exige do orador um espírito extraordinariamente hábil com os homens". 

Quanto mais hábil no trato com os outros, mais capacidade de persuadir tem o orador. Isso exige diplomacia, espírito esportivo e amistoso, bom humor, arte de conviver, discrição, não levar as coisas para o lado pessoal. 

São muitas as qualidades que se exige para falar com habilidade no trato com os outros. Isso envolve inteligência interpessoal.

Kairós retórico

Jesus foi um grande mestre do kairós retórico. A linguagem para se comunicar com crianças é uma; para falar com jovens é outra; com idosos, outra; com intelectuais, outra; com pessoas sem formação acadêmica, outra. Diferentes são as idades, os lugares, as culturas, as profissões, as ideologias, o tempo. 

Paulo, apóstolo, soube falar com os gregos na linguagem dos gregos. Isso se chama kairós retórico. Kairós é uma palavra grega que significa tempo, ocasião, momento certo. 

Tanto o filósofo Pitágoras quanto o sofista Górgias davam imensa ênfase a essa habilidade do orador. É sinal de ignorância, segundo eles, adotar uma única forma de proferir um discurso para aqueles que estão dispostos de maneiras diferentes. 

Kairós retórico é uma qualidade de quem já alcançou um bom grau de excelência na oratória. Jesus foi um grande mestre do kairós retórico. No círculo íntimo de seus discípulos falava de um jeito; para o povo, falava de outro jeito; para os doutores da lei, fariseus e saduceus ("raça de víboras, hipócritas") outro era o tom do discurso; para as crianças, adaptava-se carinhosamente a elas; para as mulheres, outra era a sua forma de falar.

Encontrar o modo apropriado de falar para cada um, para cada público, isso é kairós retórico, isso é sinal de sabedoria no exercício da arte de falar bem.

Por um ensino de oratória nas escolas

Parece um sonho, talvez seja, mas é um dos meus propósitos ver a Oratória incluída como disciplina nos currículos escolares brasileiros. 

Na história da educação mundial, um dia ela já fez parte, como nobre saber, desde a Grécia Antiga, passando por Roma e por grande parte da cultura medieval e do Renascimento. Segundo Isócrates, "a oratória é a filosofia aplicada na arte de bem falar, na arte do bem escrever e na arte do bem viver.

Por meio da educação retórica podemos tornar o homem bom, sábio e capaz de servir à pólis". Por si só, essa definição do grande educador grego já demonstra sua essencialidade na formação política, cultural, moral, intelectual e espiritual do cidadão.

O poder do silêncio na Grécia Antiga

Na mitologia grega, - e nesse caso com forte sincretismo com a mitologia egípcia - Harpócrates era o deus do silêncio, e era representado por uma criança sentada em cima de uma flor de lótus, com uma das mãos em prece e a outra levada à boca pedindo silêncio. 

O que há de tão valioso no silêncio interior? Calma, pureza, criatividade, virtude, discernimento, sabedoria, alegria, oratória, filosofia, afeto, razão ciência, inspiração artística, consciência, positividade, rejuvenescimento. O silêncio é um grande professor.

Síntese e expansão retórica

Perguntado certa vez qual o principal talento que o orador deveria possuir, Zenão de Cítio, o fundador do estoicismo, respondeu com um gesto: fechou e abriu a mão. 

A mão fechada significava a capacidade do orador de sintetizar qualquer assunto, trazendo-o para um centro dialético unificador de teses - o uno. 

E a mão aberta significava a capacidade do orador de expandir qualquer assunto em todas as direções - o múltiplo. 

Um talento tão grande assim, implica existência anterior de muitos outros talentos.

A nossa melhor tradução

"Nossa melhor tradução se dá, indiscutivelmente, pela palavra", diz Roberto Magalhães, autor do livro A Arte da Oratória: Técnicas para Falar Bem em Público. 

E continua: "É pela palavra que nos apresentamos. Falando ou escrevendo, mostramos quem somos. Não é o rosto bonito, nem a roupa de grife que nos revelam. Falando ou escrevendo, escancaramos o que temos de bom ou de ruim. Explicitamos as limitações do nosso raciocínio ou o brilho de nossa inteligência, a visão preconceituosa ou a respeitosa atitude assumida no trato com as diferenças individuais. É pela linguagem que nos definimos. No exato momento em que começamos a falar, começamos a nos despir de todas as mentiras. É pela linguagem que entregamos ao outro nossa melhor tradução. Feliz ou infelizmente são poucos os bons leitores".

Quanto mais culto, mais fácil a oratória

Foram obras desta magnitude que encontrei pelo caminho, e que fizeram parte de minha construção como advogado do tribunal do júri. 

Diz Vitorino Prata Castelo Branco, em seu premiado livro O Advogado e a Defesa Oral, que "quanto mais culto é o advogado mais fácil lhe é a oratória".

 Este é um dever ético dos mais relevantes do advogado: capacitar-se intelectualmente. Fazer pouco caso disso é ser a cada dia menos advogado.

Gênios verbais

"Sofista vem do grego 'sofhia', e de fato possuíam eles grandes conhecimentos que procuravam transmitir aos seus discípulos, e nessa transmissão, o veículo principal era a eloquência brilhante dos gregos. Eles amavam a claridade verbal, a riqueza das palavras, a firmeza do estilo, a profundidade do conteúdo, a distinção da atitude e a nobreza do gesto". 

(Vitorino Prata Castelo Branco, em O Advogado e a Defesa Oral)

Erros judiciários

Teve uma época que eu lia muito sobre erro judiciário; muitas vezes, pega-me extremamente emocionado, angustiado, abalado, revoltado. Um erro judiciário é sempre a conjugação, por vezes misteriosa, de muitos fatores. 

A Revista Super Interessante, deste mês de outubro, trata do tema, mostrando vários casos de erros da justiça e apontando suas causas. Para mim, o maior responsável por um erro judiciário, quando acontece, é do julgador, aliás, é dele o poder final de decidir sobre a culpa ou inocência de alguém. Não menosprezo outros fatores, como incompetência da defesa, acusação irresponsável, delegado sem ética, testemunha mentirosa, perícia falsa, opinião pública insana, jornalismo sensacionalista, isso e aquiloutro.

No entanto, é do julgador o poder final. Preguiça, preconceito, automatismo, pouca consciência de sua missão ou mesmo incapacidade de examinar as provas com acuidade, estão entre as debilidades morais e intelectuais do julgador, que o levam a praticar tão grave crime contra o ser humano, que muitas vezes, suas consequências nefastas para a fé na justiça, não se apagam durante muitas gerações.

A iluminista Escola de Atenas

"Antes das regras de retórica é preciso aprender os segredos da filosofia, porque a arte de pensar bem precede a arte do falar bem", dizia o filósofo iluminista D'alembert, coautor, juntamente com Diderot, da famosa e ousada Enciclopédia, obra monumental da inteligência, que visava reunir todo o saber artístico, científico e filosófico acumulado pelo homem ao longo do tempo. 

Os iluministas defendiam a disseminação e a popularização do livro como instrumento racional de ilustração e esclarecimento visando tirar o povo das trevas da ignorância. A iluminista Escola de Atenas tem por método de ensino o desenvolvimento da aprendizagem da arte da oratória por meio da filosofia, fazendo exatamente o que disse D'alembert, ensinando os segredos da filosofia para a arte de falar bem.

Para cada auditório, um jeito diferente de falar

Hoje, na Câmara Criminal, os argumentos da defesa foram aceitos e os desembargadores determinaram a soltura de minha constituinte. 

A oratória forense diante dos juízes togados - mais professoral e acadêmica - é diferente da oratória desenvolvida diante do júri popular - mais grandiloquente e psicológica. 

Essa individualidade de cada auditório - que o orador deve perceber e ter o talento para adaptar seu discurso - os gregos chamavam de kairós retórico.

Cessem por um instante vosso ódio

Certa vez fazia um júri, e na oportunidade contei aos jurados a história do primeiro julgamento do júri que existiu, uma mistura de mitos e fatos, que aconteceu logo após a Guerra de Troia, para julgar Orestes, um jovem que tinha matado a própria mãe, porque esta, juntamente com o seu amante, matou o seu marido, Agamenon, pai de Orestes. 

Os primeiros promotores que existiram não foram promotores, foram promotoras, e se chamavam Fúrias. As Fúrias eram três, e seus nomes eram: Castigo, Vingança e Interminável. A juíza que presidiu o júri, composto de doze honrados cidadãos atenienses, foi Atenas, a deusa da sabedoria. O advogado foi Apolo, o deus da razão. O julgamento, que se deu num lugar chamado Areópago, empatou, e Atenas - Minerva para os romanos - decidiu que a partir dali todo julgamento que desse empate, diante da dúvida, seria decidido em favor do réu, daí surgindo a expressão 'voto de minerva'.

 E concluí, depois de contar a história aos jurados, dizendo: "Ilustres senhores e senhoras do júri, uma acusação não pode ser movida pela fúria, não pode se resumir apenas em castigar o réu, ou ser a justiça uma mera conotação de vingança, a impor penas excessivas e intermináveis contra a figura do homem sentado no banco dos réus, sem ouvir direito suas razões, sem examinar com imparcialidade os fatos, sem ponderar com lógica as provas. E foi isso que Atenas disse para as Fúrias, em determinado momento do júri, impondo ordem no Areópago, pois elas não deixavam o réu falar: 'Cessem por um instante vosso ódio para que possamos ouvir com atenção o que o réu tem a dizer'".

Tenho fé nos que não perderam a fé

Tenho fé na vida.

Tenho fé na razão.

Tenho fé na educação.

Tenho fé nos jovens.

Tenho fé em um novo tempo.

Tenho fé no que virá.

Tenho fé naqueles que não perderam a fé em tudo isso.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

O sábio confia no tempo

"O sábio confia no tempo", argumentava Sólon diante de uma assembléia de notáveis.

 E prosseguindo na elaboração de suas sólidas leis e de seus augustos conselhos, que fizeram da Grécia Clássica do século VI a.C o ninho da genialidade, falava em tom solene e concentrado:

"Uma ideia pode até não ser aceita hoje; um acontecimento pode até ser incompreendido hoje; a verdade pode até ser rechaçada hoje e um homem pode até ser menosprezado e ridicularizado e assassinado hoje. Mas o sábio confia no tempo".

A voz e o poder de persuasão

A voz é um dos aspectos da oratória que têm grande destaque no poder de persuasão. Se queremos ser mais persuasivos precisamos conhecer e aperfeiçoar a nossa voz. A nossa voz soa estranha para nós mesmos, mas para os outros, geralmente é natural. Por isso, devemos ouvir a nossa voz para que ela nos soe familiar e espontânea.

 Na nossa voz está contida toda a nossa biografia. "Fala, para que eu te conheça!", dizia Sócrates. Ela revela quem somos e o que de fato conhecemos. É por ela que geramos empatia, confiança, envolvimento, entusiasmo, sintonia com o público. Como é a minha voz? Baixa, tímida, sem variedade, sem expressão, estridente, sem autoridade, sem ritmo? O que posso aperfeiçoar em minha voz? Para aperfeiçoá-la precisamos conhecê-la.

 "A oratória é uma arte sutil em que poucos são bons de verdade", diz Chris Anderson, no livro TED: O Guia Oficial do TED para Falar Bem. E por que poucos são bons de verdade? Porque são poucos aqueles que se dedicam verdadeiramente em descobrir as sutilezas da arte de falar bem. E a voz ideal, harmônica, está entre as sutilezas do bem falar. O nome Calíope - a musa grega da eloquência - significa 'bela voz". Alguma dúvida?

Os três pilares do templo da oratória



Uma das qualidades de um gênio - e aqui estamos falando de Aristóteles - é a força imortal de suas ideias. Mesmo depois de dois milênios, o ethos, o páthos e o lógos, os elementos essenciais de uma oratória completa, poderosa e persuasiva, continuam válidos e atuais na teoria da comunicação. 

O ethos é a credibilidade, a moral, a prática, a autoridade ética, a qualificação do orador. O páthos é a paixão, a emoção, a vibração, o entusiasmo que o orador tem e desperta no público. O lógos é a lógica, a clareza, a coerência, a capacidade argumentativa e dialética da mensagem do orador. 

A partir destas três colunas, ethos, páthos e lógos, está firmado o templo da ciência da oratória.

O desenvolvimento da vida intelectual

Muitas coisas valiosas nascem da intelectualização do homem, como por exemplo, a filosofia e a oratória. 

Todos os grandes filósofos e sábios da antiguidade foram homens da palavra. E todos os grandes oradores antigos, ou eram filósofos ou tinham inclinações filosóficas. A vida intelectual nasce do cultivo do saber, da constância nos estudos. 

Para desenvolver a vida intelectual o homem precisa do retiro, da solidão, do silêncio. Uma sadia vida intelectual não está divorciada da vida cotidiana e dos laços familiares e sociais. O livro Vida Intelectual: Seu Espírito, Suas Condições, Seus Estudos é um livro original, de grande valor, do filósofo Sertollanges.

 Há uma grande potência no intelecto humano, cheia de grandes virtudes à espera de floração. Filosofia, oratória, ciência, razão, liderança, concentração, afeto, ideias originais, arte do bem viver, civilização, são virtudes intelectuais à espera de floração.

 Em algum lugar bem íntimo e silencioso do intelecto humano podemos encontrar a majestade do Criador à espera de floração.

A revaloração dos sofistas

Los Viejos Sofistas y el Humanismo, de Alfredo Llanos, é uma obra rara, escrita em 1969. 

Desde o filósofo Hegel, o valor dos sofistas, que eram os mestres da juventude grega, tem sido resgatado, depois de séculos de uma visão unilateral e preconceituosa destes grandes oradores, filósofos, políticos e educadores humanistas da Grécia Clássica.

Desde há algum tempo não uso mais a palavra sofisma como sinônimo de falácia, em respeito a verdade histórica e ao grande legado que os sofistas deixaram para a iluminação intelectual do Ocidente, ao ver o homem como um ser livre, sem os grilhões de dogmas, verdades absolutas, tiranias, deuses, oráculos ou profecias.

Preciosas formas de aprender oratória

Existem muitas formas de aprender oratória; mas quatro delas reputo preciosas: primeira forma - pela leitura; segunda - pela prática; terceira - ouvindo e vendo a nós mesmos; quarta - ouvindo o que os outros têm a nos dizer sobre nossa oratória.

Paixão e originalidade na oratória

"Só os comunicadores originais se destacam. O cérebro não consegue ignorar a originalidade", diz Carmine Gallo, no livro TED: Falar, Convencer, Emocionar. Além de original, segundo o autor, o orador precisa ser um apaixonado pelo que fala; tem que vibrar, envolver o público, viver sua mensagem. 

Além de original e envolvente, precisa o orador encontrar formas sempre novas de dizer sua mensagem e torná-la memorável na lembrança dos seus ouvintes; a mesmice cansa, desconcentra o ouvinte, desvaloriza o orador e sua mensagem.

Diz Carmine Gallo que "o mundo está faminto de ideias originais e de pessoas que saibam transmiti-las de maneira atraente". Este é um livro rico, moderno, original, impactante, capaz de transpor a oratória daqueles que assimilarem sua mensagem da zona da mediocridade para os cumes mais elevados da genialidade.