quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz 2009

Desejo a todos um ano de muita luz, de muita paz, de muito amor, de muita saúde, de muita alegria, de muitas vitórias, de muita felicidade, da presença divina no coração de cada um de nós!

Amém!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Um conceito clássico de retórica

Aristóteles define a retórica como "a faculdade de ver teoricamente o que, em cada caso, pode ser capaz de gerar persuasão."

É, de longe, o melhor conceito de retórica que já li.

Vejamos, em rápidos traços, o que está contido na definição.

"É a faculdade..." Está implícito neste termo, o dom, o talento, a capacidade, a clareza, a habilidade nata de quem fala.

"De ver teoricamente". Ou seja, com os olhos da mente, do pensamento, da intuição, da sensibilidade.

"O que, em cada caso..." É um príncipio. Cada caso é um caso. Tem suas peculiaridades, suas subjetividades, suas motivações, suas singularidades.

"Pode ser capaz..." Quer dizer, têm o poder, a força, o charme, o carisma, o encantamento, a poesia.

"De gerar persuasão". De dar a luz ao que ser quer, de levar a adesão com entusiasmo, de conquistar o espírito, o coração e a mente, de arrastar à ação.

O filósofo de Estagira deve ter trabalhado muito para encontrar essa definição de retórica, ou mais provavelmente, seja ela fruto dos insights da sua enorme inteligência. Aliás, quando Aristóteles adentrava aos portões da Acadêmica, seu professor, Platão, assim o recebia: "Aí vem chegando a inteligência".

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

A lei é o texto e o coxtexto

Li e gostei da reflexão. Compartilho do mesmo pensamento. O juiz burocrata geralmente é um homem infeliz, traumatizado, cheio de esconderijos interiores, sem graça, imaturo e burro, embora se ache inteligente; e é acima de tudo, espiritualmente feio, embora muitos até arrotem religiosidade. Mas não adianta ir a igreja rezar e ...

"Nelson Rodriguês disse, que no futebol, o pior cego é o que só vê a bola. Poder-se-ia acrescentar que, no direito, o pior cego é o que só vê a lei. Sim, a lei há de ser vista, como também há ser visto o contexto social, as circunstâncias que envolvem a lei, para preservar a dignidade humana.

Casos há, e muitos casos, em que a dignidade humana é arranhada. Emblemático é o caso conhecido de todos, da bóia-fria Iolanda Figueiral, idosa de 79 anos, paciente terminal de câncer, com menos de 40 quilos, falecida no início de novembro de 2006. O juiz que lhe negou a liberdade provisória só olhou a lei e nada mais que a lei. Decisão posterior reformou a sentença, levando em consideração fatores outros que não a letra da lei.

Ao juiz faltou-lhe bom senso, por não dimensionar sua decisão. Há juízes que tornam-se verdadeiros burocratas. Nesse caso, nem haveria mister de juízes. Computadores, como já lembrava Perelman, poderiam aplicar as normas legais".

Antonio Henriques, no livro Argumentação e Discurso Jurídico, Editora Atlas, 2008.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Maneira de dizer as coisas

Para Aristóteles, três são as fontes para se lograr êxito na oratória: a fonte do lógos, a fonte do páthos, e a fonte do éthos .

Dentre outras coisas, o lógos é a razão, o páthos é a paixão, e o éthos é a maneira de expressá-los.

No livro Argumentação e Discurso Jurídico, do advogado Antonio Henriques, ele explica que são características do éthos, a ponderação, a sinceridade e a agradabilidade.

Lembrei-me imediatamente do conto do Sultão sem dente, que reproduzo abaixo, com as ponderações da redação do Momento Espírita. Que sirva como exemplo para aperfeiçoarmos nossa comunicação.

...............

Uma sábia e conhecida anedota árabe diz que, certa feita, um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes.

Logo que despertou, mandou chamar um adivinho para que interpretasse seu sonho.

- Que desgraça, senhor! Exclamou o adivinho.

- Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade.

- Mas que insolente – gritou o sultão, enfurecido. Como te atreves a dizer-me semelhante coisa? Fora daqui!

Chamou os guardas e ordenou que lhe dessem cem açoites.

Mandou que trouxessem outro adivinho e lhe contou sobre o sonho.

Este, após ouvir o sultão com atenção, disse-lhe:

- Excelso senhor! Grande felicidade vos está reservada. O sonho significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes.

A fisionomia do sultão iluminou-se num sorriso, e ele mandou dar cem moedas de ouro ao segundo adivinho.

E quando este saía do palácio, um dos cortesãos lhe disse admirado:

- Não é possível! A interpretação que você fez foi a mesma que o seu colega havia feito. Não entendo porque ao primeiro ele pagou com cem açoites e a você com cem moedas de ouro.

- Lembra-te meu amigo – respondeu o adivinho – que tudo depende da maneira de dizer.

Um dos grandes desafios da humanidade é aprender a arte de comunicar-se. Da comunicação depende, muitas vezes, a felicidade ou a desgraça, a paz ou a guerra.

Que a verdade deve ser dita em qualquer situação, não resta dúvida. Mas a forma com que ela é comunicada é que tem provocado, em alguns casos, grandes problemas.

A verdade pode ser comparada a uma pedra preciosa. Se a lançarmos no rosto de alguém pode ferir, provocando dor e revolta.

Mas se a envolvemos em delicada embalagem e a oferecemos com ternura, certamente será aceita com facilidade.

A embalagem, nesse caso, é a indulgência, o carinho, a compreensão e, acima de tudo, a vontade sincera de ajudar a pessoa a quem nos dirigimos.

Ademais, será sábio de nossa parte se antes de dizer aos outros o que julgamos ser uma verdade, dizê-la a nós mesmos diante do espelho. E, conforme seja a nossa reação, podemos seguir em frente ou deixar de lado o nosso intento. Importante mesmo, é ter sempre em mente que o que fará diferença é a maneira de dizer as coisas...

***
A sublime arte da comunicação foi sabiamente ensinada por Jesus.

Ele falava com sabedoria tanto aos doutores da lei quanto às pessoas simples e iletradas.

Há pessoas que se dizem bons comunicadores mas que não conseguem fazer com que suas palavras cheguem aos corações e às mentes.

Jesus, o comunicador por excelência, falava e Suas palavras calavam fundo nas almas, porque aliava às palavras, os Seus atos, ou seja, falava e exemplificava com a própria vivência.

O grande segredo para uma boa comunicação, portanto, é o exemplo de quem fala.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Chora pela liberdade mas não respeita os passarinhos

Foi uma luta para tirá-lo da cadeia. Passou uma boa temporada por lá.

Cabra frouxo, chorava quase todos os dias.

Os presos mais antigos não gostavam dessas sensibilidades todas.

"Cala boca bichona". "Tá com medo de pegar chifre da mulher?" "Que coisinha sensível".

"Comete o crime e não é macho suficiente para cumprir a pena".

Por incrível que pareça, avistei o novo carcereiro, no dia de natal, todo paramentado andando pelas ruas do Bairro. Farseiro, assobiando, curtindo a liberdade.

Calça do exército, chapéu do exército, blusa do exército, parecia que vinha da guerra. Todo orgulhoso, trazendo um troféu em suas mãos sujas: um curió preso numa gaiola.

Que cabra sem-vergonha, rapaz!

Tanto tempo na cadeia e ainda não aprendeu a respeitar a liberdade dos passarinhos.

A roda gigante da justiça continua girando.

A cadeia que esse indivíduo pegou não foi suficiente para ressocializá-lo.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A fina energia da salvação

Feliz natal para todos nós.

De muita luz, de muita paz, de muito amor.

De divina presença de Jesus.

Obrigado a todos os que me acompanharam por meio deste blog.

Que comentaram as matérias enriquecendo assim o texto escrito.

Espero ter contribuído de alguma maneira com aqueles que visitaram-me por este espaço da tecnologia.

Cresci e aprendi um tanto, graças a Deus.

Deixo essa poesia com muito carinho a todos os meus leitores e amigos. Que a energia e a alegria que ela manifesta possa morar no nosso coração:

A vida é uma festa

Voa, voa, borboleta
Beija as flores da floresta
Vem dizer a toda gente
Que a vida é um beijo fremente
Que a vida é uma linda festa!

Voa, voa, borboleta
Pousa aqui na minha testa
Vem dizer-me de mansinho
Com amor e com carinho
Que a vida é uma linda festa!

Voa, voa, borboleta
Cantanto alegre seresta
Canta, canta ao mundo inteiro
Mas a mim canta primeiro
Que a vida é uma linda festa!

Voa, voa, borboleta
Que o teu vôo não molesta
Teu voar é como a dança
Que deixa a gente criança
Que faz da vida uma festa!

Voa, voa, borboleta
Por todo o tempo que resta
O teu vôo é uma canção
Cantando ao meu coração
Que a vida é uma linda festa!

Borboleta, borboleta
Agora as asas me empresta
Que eu também quero voar
Que eu também quero anunciar
QUE A VIDA É UM A LINDA FESTA.

Lauro Trevisan

O advogado é um historiador é um ator é um poeta

Segundo Stephen Horn, no livro Em sua Defesa, o julgamento de um acusado é um peça de teatro. Nela há um conceito moral a ser apreciado pela platéia. O bom advogado é o produtor, o diretor e o astro.

Mas antes de tudo isso, ele é o historiador. Pesquisa e narra um sequência de fatos que levaram a tragédia, empenhando-se em entender de que modo as pessoas pensaram, agiram e se relacionaram umas com as outras, suas motivações, suas indiossincrasias, seus hábitos, costumes e predileções, tudo para reconstruir e interpretar o passado de uma maneira mais favorável ao seu cliente.

Não é fácil ser advogado.

Há de ser ator, há de ser historiador, há ainda de ser poeta, para imprimir cor, brilho, tom, ritmo, cadência, enlevo e transcedência ao que se diz.

A peregrinação do advogado pelo complexo ato de julgar

"Raramente as coisas são do modo como se apresentam por qualquer dos envolvidos. A isso, você tem que misturar erros de percepção, lembranças imprecisas, alucinação, histeria, racionalização de desejos e mentiras deslavadas."

"No mundo do direito, no mundo real, não existem pontos de vista objetivos. Todos levam a sua própria subjetividade ao processo: promotores, advogados, clientes, testemunhas, juízes...principalmente juízes".

As duas citações acima foram extraídas do livro Em sua defesa, de Stefhen Horn.

Essas observações revelam o caminho tortuoso para se chegar a verdade dos fatos.

O advogado sensível não despreza os elementos ocultos - que ora podem ser nobres, que ora podem vis - e que compõem o complexo ato de julgar.

Cabe ao advogado talentoso, perspicaz e intutitivo limpar a estrada que leva à justiça, mergulhando nas subjetividades (emoções, desejos, pensamentos) dos outros, burilando as boas e combatendo as más, com habilidade, com inteligência e com firmeza.

O peregrino não chega ao seu destino sem combater os fantasmas que atrapalham o caminho.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A beleza no júri

Acabo de ler o livro Em sua Defesa, de Stephen Horn, ex-promotor de justiça, que participou de importantes investigações judiciais dos EUA, como a que envolveu o assassinato de Martin Luther King Jr.

Trata-se de um romance de tribunal, muito aplaudido pela crítica, e que figurou, quando de seu lançamento no ano de 2000, nas primeiras posições dos mais vendidos do New York Times.

Gosto desses livros pelas lições que aprendemos.

Numa das passagens da obra de ficção, diz o advogado Frank O´Connel, em relação a sua cliente:

"Eu seria capaz de imaginar uma estratégia de defesa em torno apenas dos dotes físicos dela - conseguir um júri formado só de homens. Colocá-la no banco dos réus e fazer com que ela olhasse nos olhos deles e falasse: eu sou inocente."

Eu posso

Ainda adolescente gostava muito de ler os livros de Lauro Trevisan, escritor, poeta, professor, especialista no poder da mente.

Quando estava no seminário li O Poder Infinito de sua Mente, o mais famoso livro do autor.

De fala simples e espirituosa, todo mundo entende o que ele diz, inclusive suas poesias.

Dizia Pontes de Miranda, respeitado jurista brasileiro, que um livro que não se entende merece ser jogado fora. Graças a Deus que já não perco tempo lendo coisa difícil de entender.

Ontem, vasculhando minha biblioteca, encontrei um antigo livro de Lauro Trevisan - o Poder da Inspiração-, uma coletânea de várias poesias, e reli Eu posso.

Espero que a leitura desta mensagem possa renovar nosso imenso poder interior.

Mesmo que o mundo caísse

E sobre nós explodisse

Destruindo o que era nosso

Eu Posso.

Mesmo que eu desabasse

E nada mais me sobrasse

Senão ver tudo em destroço

Eu posso.

Mesmo que abismos medonhos

Enterrem todos os meus sonhos

Nas profundezas de um fosso

Eu posso.

Mesmo que todas pessoas

Neguem minhas coisas boas

Nem por isso eu me alvoroço

Eu posso.

Mesmo que um grande fracasso

Queira barrar o meu passo

Eu não paro e não acosso

Eu posso.

Mesmo que eu seja vencido

Muito cedo envelhecido

Eu subo, seu sigo, eu remoço

Eu posso.

Eu posso renascer agora

Eu posso refazer a aurora

Eu posso iluminar o meu caminho

Eu posso dar a mão ao meu vizinho.

Eu posso beijar o esfarrapado

Como beijo as flores do prado.

Eu posso ter um mundo de riqueza

Eu posso ver a Deus na natureza.

Eu posso encher de amor o coração

E fazer desta vida uma canção.

Eu posso e sei que é preciso

Fazer da vida um paraíso.

Eu posso - é a força da energia

Que explode em mim e se irradia.

Eu posso - é a oração da divindade.

Que produz em mim realidade.

Eu posso erguer os olhos para o céu

E ver tudo branco como um véu.

Eu posso reconstruir a minha casa

Eu posso ter tudo que me apraza.

Eu posso renovar a minha saúde

Pois na vida não há nada que não mude.

EU POSSO - é oração bendita

Da minha Força Infinita.

Eu posso perdoar meu inimigo

Porque vem a mim tudo o que eu bendigo.

Eu posso fazer da vida uma festa

Por todo o tempo que me resta.

Eu posso! Eu posso!Eu posso

Porque este mundo todo é nosso.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Tribunal que só condena é o do nazismo e o do stalinismo

Seguro, capaz, corajoso, assim se comportou o Presidente do Supremo Tribunal Federal, na entrevista que concedeu ao Programa Roda Viva, do dia 15 de dezembro.

Mostrou espírito público e visão democrática. Não titubeou, não transigiu com os valores da civilidade jurídica.

Defendeu a soberania da Constituição e a moralidade dos processos criminais.

Se não fosse esse eminente ministro do STF esse país já tinha mergulhado na fumaça escura da câmara de gás do nazismo.

Aliás, assim verberou Gilmar Mendes:

"Tribunal que só condena é o do nazismo e o do stalinismo".

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Nos domínios da alta oratória

Você não encontrará esta lição em nenhum compêndio de oratória.

O grande místico, orador e pensador Osho ensina-nos que é preciso silenciar a mente para mergulhar nos segredos do interior da alma, fonte onde as palavras são geradas, local de grande beleza e poesia. Só se chega lá sem os ruídos da mente tagarela.

Mas não basta chegar até lá, é preciso trazê-las ao mundo da mente resguardadas de todas as impurezas e de todos os barulhos mentais.

Para que a mente seja o instrumento das palavras é preciso encontrar-se renovada e cheia de energia e vigor, descansada e limpa. Dessa forma, tudo o que você disser estará cheio de autoridade, de verdade, de sinceridade e terá grande significado.

Você pode até repetir as mesmas palavras de antes, mas, quando a mente está fortalecida e descansada, elas ganham novo impacto e poder de convencimento.

A pessoa carismática é aquela que sabe silenciar a mente, para relaxar e encontrar as energias das palavras. Tudo o que ela fala soa como poesia.

Ela não precisa fornecer provas ou demonstrações lógicas do que está dizendo - sua própria energia já basta para influenciar as pessoas.

Quando se aprende a silenciar a mente, usando-a somente quando necessário, ela concentra tanta energia que cada palavra pronunciada atinge diretamente o coração. Há quem considere hipnóticas as mentes de pessoas com personalidades carismáticas. Elas são poderosas e refrescantes, uma eterna primavera.

Do coração de um amigo

Leandrius Muniz enviou-me o email abaixo. Quando ele gosta de uma pessoa ele gosta mesmo, mas quando ele não gosta, saia de perto...

Obrigado, Leandrius, pela sua amizade e pelas palavras elogiosas a mim dirigidas. Recebo com carinho as boas energias que a mim vieram com a sua mensagem. Espero um dia honrá-las.

Dizem que é preferível uma crítica que constrói a um elogio que corrompe. E isso é verdadeiro. Não no presente caso, donde o elogio nasce do coração de um amigo.

Magnânimo Sanderson:

Estamos a poucos dias do fim do ano de 2008.

É com alegria que escrevo para meu dileto amigo.

Normalmente escrevemos mensagens desejando um feliz natal e prospero ano novo, não que não deseje isso, claro que tambem escrevo para isso.

Mas escrevo principalmente para lhe parabenizar pelo sucesso profissional que Vossa Excelencia obteve no ano de 2008.

Sem questionamento, a maior personalidade do mundo juridico do ano de 2008, foi o jovem e brilhante criminalista Sanderson Moura.

Os limites do Acre ja estão pequeno para tanto conhecimento. Quero ver seu nome brilhando nas tribunas dos outros estados de nosso imenso Brasil.

Lembro-me com alegria, no terceiro período de faculdade, quando fomos assistir o primeiro juri, onde estavam sentados nas cadeiras dos defensores meu querido mestre Antonio Araujo e meu querido amigo, acadêmico concludente de direito Sanderson Moura.

Naquela hora me veio o Sanderson militante político, aguerrido, combatente, dinâmico, determinado... que levou a mesma alegria e força para o tribunal.

Saiba que tenho muita honra em saber que sou seu amigo e que tenho um amigo tão capaz.

Encerro, pedindo ao nosso pai maior que lhe proteja e que lhe conceda um 2009 melhor do que o 2008.

Tambem aproveito para pedir uma oportunidade de aprender com seus conhecimentos, se tiver alguma vaga no escritorio, nem que seja de organizador de livros, eu aceito... no momento preciso aprender para poder caminhar.

Um grande abraço, do amigo e admirador.

Leandrius Muniz

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

No ritmo da lua

A lua pode ter um grande efeito sobre as pessoas. Então preste atenção e use-a seu favor. Mantenha um diário durante pelo menos dois meses e acompanhe as fases da lua.

Comece com a lua nova e escreva como você se sentiu nesse dia. Continue descrevendo seu cotidiano na lua crescente, depois na lua cheia, depois na lua minguante. Você vai percebendo que há um ritmo e que seus humores se movem de acordo com o ritmo da lua.

Quando você tiver mapeado seu próprio ritmo com precisão, poderá fazer muitas coisas. Poderá saber de antemão, por exemplo o que irá acontecer no dia seguinte e se preparar para isso. Se a previsão mostrar que você se sentirá triste, aprecie essa tristeza. Não lute contra ela, use-a, porque a tristeza também pode ser usada.


Osho

Da lua crescente para a lua cheia

Somos filhos do universo, irmãos da lua.

Todas as noites olho para o céu e contemplo a beleza da lua na expansão do infinito.

A lua crescente, que hoje chega ao término, sempre me foi muito querida, poética, encantadora.

Do dia 5 ao dia 11 de dezembro realizei três júris, no ritmo crescente da rainha da noite. Todos deram certos.

Amanhã será lua cheia, é o ápice de todo o esplendor, da força total, da energia, do magnetismo, da influência, da sedução "dessa linda vela acesa no altar da natureza", na vida de todos nós.

Deus seja glorificado.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Dia da justiça III

Louvor à justiça

"Oh justiça tu me és tão cara como as gostas de sangue que visitam meu coração"


Shakespeare.
Como o ar que respiro.

Como o sol que me aquece.

Como a água que me refresca.

Como o alimento que me fortaleçe.

Tu és o útero que abriga a verdade, a consciência, a paz.

Tu és o meu pão de cada dia.

A luz do meu dia.

A estrela que me guia.

Dia da Justiça II

O prazer da justiça

"Não há felicidade, não há liberdade, não há prazer na vida se o homem não puder dizer ao levantar-se de manhã: estarei sujeito hoje a decisão de um sábio juiz."


Daniel Webster, advogado americano.

Dia da Justiça I

A justiça vem da consciência.

"Há no mundo do espírito um princípio inato de justiça e de virtude pela qual julgamos as nossas ações e as do próximo como boas ou más, e esse princípio chamo de consciência. Instinto divino, voz celeste, juiz infalível do bem e do mal".

Rosseau

sábado, 6 de dezembro de 2008

A verdadeira riqueza é a espiritualidade

As grandes verdades da vida estãos inscritas nas pequenas frases, nascidas da sabedoria de nossos antepassados.

Na máxima"o pouco com Deus é muito, e o muito sem Deus é nada", nos ensina que a verdadeira riqueza é a espiritualidade.

Assim podemos entender melhor o que Jesus nos ensinou: "Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça e tudo o mais vos será acrescentado".

E ele mesmo falou que "o Reino de Deus está dentro de vós."

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O prazer de demolir sofismas

Nos debates orais dos julgamentos forenses é comum nos depararmos, nestes tempos magros de virtudes, com inúmeros sofismas.

São aqueles argumentos falaciosos, falsos, cavilosos, embusteiros, com rigorosa aparência de verdade, geralmente usados para satisfações imorais.

O sofisma é incompatível com a verdade e a justiça.

Busca, o sofisma, a prevalência do engodo, apresentando-se como verdadeiro.

E assim como a justiça é filha da verdade, a injustiça é filha da mentira.

Não existe espaço para o sofisma na pureza da alta oratória judiciária.

Assim como a treva não penetra na luz, o sofisma não penetra na verdade.

Tenho me aperfeiçoado no combate ao sofisma, estudando-o, analisando-o, para que essa erva-daninha não germine no Templo da Justiça.

Demolir sofismas, destruir falácias, desmascarar mentiras, é o dever e o prazer de todo homem de bem.

O Guerreiro da Luz

"Todo guerreiro da luz já ficou com medo de entrar em combate.

Todo guerreiro da luz já traiu e mentiu no passado.

Todo guerreiro da luz já falhou em suas obrigações espirituais.

Todo guerreiro da luz já disse sim quando queria dizer não.

Todo guerreiro da luz já feriu alguém que amava.

Por isso é um guerreiro da luz; porque passou por tudo isso, e não perdeu a esperança de ser melhor do que era."


Palavras Essenciais - Paulo Coelho

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

No Templo da Justiça de Salomão

Sinto-me tão bem quando entro no Salão do Júri.

No templo que Salomão criou para distribuir a Justiça.

É um lugar onde renovo minhas energias, onde fortaleço minha missão. Para mim é um espaço místico.

"Mas como, se lá só se fala em violência, em sangue, em morte, na mulher que quis ficar com uma criança que não era dela?" Alguns podem pensar.

Mas eu não me ligo nesta força. Estou sintonizado na faixa da vida, da liberdade, da mulher que ofereceu seu filho a falsária para não vê-lo cortado pela espada do sábio rei, e desse amor a verdade nasceu, e da verdade a justiça se fez.

No jogo das polaridades está o encanto, o enlevo, o charme da roda gigante da Justiça.

No júri, a dialética.

A prisão e a liberdade.

O azar e a sorte.

A verdade e a mentira.

O amor e a ira.

A paz, a guerra.

O homem, a fera.

A injustiça.

O trabalho, a preguiça.

Deus e o demônio.

A culpa e a inocência.

A escuridão e a clareza.

O tudo, o nada.

O vício, a virtude.

O velho, a juventude.

A tirania, a democracia.

A riqueza, a pobreza.

A loucura e a sanidade.

O orgulho e a humildade.

A inteligência, a ignorância.

A calma, a ânsia.

O ataque, a defesa.

E a tese e a antítese.

E a síntese, sempre harmônica.

Sempre salomônica.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Simbologia

O golfinho, simbolizando o advogado, leva consigo a balança, que simboliza a justiça.

E a justiça para ser verdadeira, como diz um cantador, "tem que ser fiel, equilibrada, sem jogo de interesses e sem cartas marcadas".

A verdadeira eloqüência

"Sabem, padres pregadores, por que fazem pouco abalo os nossos sermões?

Porque não pregamos aos olhos, pregamos aos ouvidos.

Por que convertia o Batista tantos pecadores?

Porque assim como suas palavras pregavam aos ouvidos, o seu exemplo pregava aos olhos."

Padre Antonio Vieira, o grande pregador sacro.

domingo, 23 de novembro de 2008

A poesia inspirada

Existe a poesia do homem letrado. É forçada, é artificial, difícil de entender.

Existe a poesia daquele que, embora não sendo nenhum intelectual, pretende-se poeta. Tem de tudo, menos a poesia.

Mas existe aquela que é a verdadeira poesia, que é a inspirada, que move homens, que toca o espírito, que ordena, que constrói, que modela, que orienta, que fundamenta, e que por isso é eterna, vale para todos os tempos e em todos os lugares.

Poesia é um assunto muito alto, é a mais nobre manifestação da natureza, da divindade, porque é a revelação da beleza. Pode se materializar na palavra, na música, no gesto. Ela não é criada, ela é revelada.

O verdadeiro poeta não vive a inventar poesia, a procurar palavras no dicionário, a construir frases.

O poeta é poeta em tudo o que faz, em tudo o que ver, em tudo que fala, em tudo que sente, no drama, na tragédia, na comédia.

Ser poeta para mim é ter dois dons: o dom de ver a beleza e o dom de saber manifestar a beleza.

E falo da beleza que não pode ser relativizada. Não falo daquilo que é belo para mim e feio para você. Assim qualquer um pode andar por aí dizendo-se poeta, escrevendo centenas de poesias, rimando versos, artificializando a arte.

Falo da beleza que é bela para todos os olhos, para todos os sentidos.

A flor de plástico nunca terá a beleza da flor verdadeira.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Adeus, Dama do Júri!




Destaque da advocacia no ano de 2004. "Quero oferecer esse prêmio ao Sanderson, esse prêmio é dele também".










"Ei Sanderson, ei Sanderson".

Ouvi aquela mulher gritando por mim, quando estava atravessando a rua em direção a Livraria Paim.

Olhei para trás, e disse, surpreso:

"Doutora Salete...como vai?"

"Vou bem.. Escuta, rapaz, ouvi dizer que tu tá bom de júri que só, vamos trabalhar comigo, abri meu escritório, tu sabe que tarauacaense é bicho valente, vamos que a gente cresce juntos".

"Mas rapaz, vamos...."

E fui. Era o ano de 2002. Ela já me conhecia desde pequeno, correndo nas ruas de Tarauacá. Não perdia a oportunidade de falar: "esse é brabo desde menino".

Fizemos lindos júris, bem ao estilo da romântica advocacia criminal. Ela amava o júri popular. Os mais importantes julgamentos da história recente do Acre atuamos em perfeita sintonia, porque como ela mesma se orgulhava: "tarauacaense é bicho macho".

Mulher corajosa, de fala aprumada, uma dama da tribuna, que esbajava energia e talento.

Foi graças a ela que meu nome passou a ficar conhecido como advogado criminalista. Ela abriu portas para que eu passasse.

Ela sempre me incentivou, apostou em mim. Fazia-me elogios públicos que às vezes me pegava sem graça:

"O Sanderson é uma dessas raras vocações do júri que só aparecem de 100 em 100 anos".

"Costumo dizer que o Sanderson é o filho que não pari".

Foi ela uma das pessoas que analisou a minha monografia de conclusão do Curso de Direito. Me deu nota 10, com louvor. Alguns diziam: "O Sanderson é o besta... vê quem ele escolheu para analisar a monografia dele...".

Tinha uma personalidade que impunha respeito. Só o nome já amedrontava: Salete Maia.

A Promotora, a Procuradora, a Secretária de Segurança, a Dama de Ferro, a Advogada Salete Maia.

Quando resolvi seguir pela estrada sozinho, ela sentiu muito a minha partida, mas respeitou minha opção.

Depois disso tivemos um confronto forense dos mais agitados da história do júri acreano: o julgamento de Garibaldi. Eu na defesa, ela na acusação. Era tempestade para todos lados, raios, trovões, ventania. Depois, o céu ficou azul novamente.

Foi uma mulher que passou pela vida e viveu, intensamente, bravamente, vitoriosamente. Ajudou a construir o Ministério Público, lutou por um Acre melhor, serviu as nossas instituições, amava o Acre e se orgulhava de ter nascido "nas barrancas do Rio Tarauacá".

A ela minha homenagem, a ela minha gratidão, a minha e a de toda a minha família, que sente muito a sua partida, ainda tão cedo.

Que teus caminhos sejam de flores e de luzes. Que na estrada que te levará para o Grande Mistério possas só encontrar gente boa, gente de paz, gente do bem, cachoeiras murmurantes, pássaros canoros, rios de águas mansas, canções bonitas, a natureza dando louvores a tua chegada na morada de Deus.

sábado, 15 de novembro de 2008

"Assim como os golfinhos salvam os náufragos do mar, o advogado salva os náufragos da vida."

Depois do homem o golfinho é o animal mais inteligente, e como o homem, dirige sua inteligência para a vida social.

A comunicação entre a espécie é também necessária. Os golfinhos usam uma linguagem por assobios que é 10 vezes mais rápida que a nossa fala e 10 vezes mais alta em freqüência.. Essa comunicação tem regras e servem para organizá-los socialmente, como acontece com os homens.

Outra particularidade na comunicação da espécie é o sonar, que lhes permitem determinar as reações internas de outros golfinhos, humanos, peixes, etc. Através do sonar um golfinho consegue perceber se alguém está ferido ou não. Eles não dormem como nós, simplesmente "desligam" uma parte do cérebro ao longo do dia. São capazes de assobiar e ecoar ao mesmo tempo e podem ecoar diferentes objetos simultaneamente, fatores que fazem inveja a qualquer sonar humano.

O golfinho é o símbolo do advogado, muito embora pensem alguns, erroneamente, ser a balança ou Themis a deusa grega. Themis, até hoje adotada pela força da Mitologia da Grécia Antiga é sinal da justiça, que cega, não faz distinção de raça, credo ou posição social. A balança de duas hastes simboliza o direito que deve ser equânime, contrabalançando os fatores ao ponto de equilíbrio, sem pender para um dos lados.

Os golfinhos desde a antiguidade foram celebrados pelo homem em afrescos, esculturas e poesias, simbolizam graça, inteligência e humanidade. Para os cristãos o golfinho é o símbolo da rapidez, da diligência e do amor, por ser veloz de nado, atendimento pronto e interesse pelo próximo.

Vários são os autores e estudiosos que se dedicaram a ver, examinar e engrandecer o curioso delfinídeo, mas para os advogados o maior destes foi Henry Doupay, que deu expansão ao nosso símbolo com a seguinte frase, no original:

"Assim como o golfinho salva os náufragos no mar, o advogado salva os náufragos da vida. Há séculos e séculos que Clio, a Mestra da Vida, da História, relata salvamentos de pessoas no mar pelos golfinhos, constando como o primeiro salvamento uma descrição que faz parte do folclore grego, antes de Cristo.

O corporativismo, o sincronismo nos movimentos, a defesa dos descendentes, a colaboração com os pares, a proteção dos idosos e enfermos, são características intrínsecas no comportamento dos golfinhos. A sobrevivência em um habitat hostil, no meio de bestas feras, predadores sanguinários e implacáveis, os quais nas inúmeras investidas contra o delfinídeo acabam vendo frustrados seus ataques. O tubarão teme o golfinho, e aqueles que tentam burlar a estratégia de sobrevivência do grupo, acabam nocauteados por um golpe certeiro no abdome. É que o golfinho, sendo fisicamente inferior e mais frágil, após desenvolver uma velocidade superior a 50km hora, ataca em bando utilizando a ponta do focinho e como um míssil abate o invasor.

Pelo seu modus vivendi, os golfinhos trazem marcas e cicatrizes na couraça, todavia no seu intelecto a virtude triunfa radiante, fica incólume, o golfinho não se deixa influenciar, será sempre golfinho. Jamais perderá a alegria, a magia que irradia do seu ser. Será sempre dócil, amigo e companheiro, sem se desviar do seu projeto de vida.

Assim acontece com o profissional advogado, não obstante os ataques subreptícios, as investidas de pessoas truculentas, somado ao convívio em ambiente deletério e insalubre, a lida diária com pessoas problemáticas, alguns com desvios repudiáveis de caráter e personalidade, ou em situação difícil por ter sido vítima de algum infortúnio __ pessoas sem problemas não precisam de advogado.

Não obstante os percalços da profissão devemos nos comportar como advogado 24 horas por dia, não importa onde estejamos até mesmo quando estivermos dormindo, se morrermos, irão sepultar um advogado.Essas características são direitos de nascença, estão impregnadas na alma do sujeito, não podem ser trocadas.

Agora se você não tem esse dom nato e ainda lhe falta a capacitação técnica, não tente perseguir ou imitar um advogado, pois, sinto muito, você estará fadado ao insucesso.

Advogado Arilton J. Pires OAB-GO 13.355 – Vice-Presidente da Associação dos Advogados Catalanos. Artigo originariamente publicado no site da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas - ABRAC.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O destino segundo o espiritismo

Reprogramação

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim".

“Nasceste no lar que precisavas, vestiste o corpo físico que merecias, moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento.

Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades, nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.

Teus parentes, amigos são as almas que atraístes, com tua própria afinidade. Portanto, teu destino está constantemente sobre teu controle.

Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas tudo aquilo que te rodeia a existência. Teus pensamentos e vontades são a chave de teus atos e atitudes…São as fontes de atração e repulsão na tua jornada.

Não reclames nem te faças de vítima. Antes de tudo, analisa e observa. A mudança está em tuas mãos. Reprograme tua meta, busque o bem e viverás melhor.”

Francisco do Espírito Santo Neto, ditado por Hammed.

O segredo do falar simples

Quem fala difícil pouco sabe, no fundo, ele é um vazio, um vazio cheio de verborragia.

Quanto mais a pessoa sabe, mais fácil ela fala.

O mesmo se dá na escrita.

Quem escreve difícil está pedindo para não ser lido. Quem fala difícil está pedindo para não ser ouvido.

Falar com simplicidade é o melhor caminho para alcançar o desiderato, aquilo que se almeja, e sempre é bom desejar coisas essenciais, coisas nobres.

Não é fácil, como muitos pensam, falar com simplicidade. Porque a simplicidade é uma virtude que nasce na alma, precisa ser plantada e cultivada com carinho.

Seja no júri, na política, na igreja, na cátedra, é no falar simples que reside a beleza das palavras.

É por isso que o homem arrogante nunca foi um mestre verdadeiro na arte do dizer.

Faz parte da natureza do bem falar e do falar bem, a simplicidade, pois é ela quem tem a energia alquímica que purifica as palavras, tornando-as graciosas aos sentimentos.

A própria pronúncia da palavra, quando feita de forma lenta e gradual e perceptiva, nos revela toda a sua riqueza: simmm.....plii......ci.....da....de.

É uma mina de ouro, eis o segredo do falar simples. Cada palavra uma pepita, cada pepita uma palavra.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

"Coisa de gângster"

Juiz não deve seguir "batismos" da PF, diz CNJ

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) editou, a pedido de seu presidente, ministro Gilmar Mendes, uma recomendação para que juízes criminais do país não utilizem em seus despachos e decisões os nomes designados pela polícia para suas operações.

A recomendação do CNJ diz o seguinte: que os "magistrados criminais evitem a utilização das denominações de efeito dadas às operações policiais em atos judiciais".

A Polícia Federal costuma utilizar nomes curiosos para suas operações. Nos últimos tempos, apelidou-as de Satiagraha, Furacão, Navalha e Pasárgada, por exemplo, sempre com explicações relacionadas aos supostos esquemas de corrupção desbaratados.

Mendes caracterizou a utilização de determinados nomes como "jocosos" e disse que podem "constranger o juiz, criar uma coerção psicológica. Muitas vezes, a própria denominação pode ser indutora de um quadro de parcialidade".

O presidente do STF também criticou o que chamou de "marketing policial às custas do Judiciário". "É preciso encerrar esse capítulo de marketing policial às custas do Judiciário", afirmou.

Como exemplo, Mendes citou a Operação Têmis, da Polícia Federal, que investigou em 2007 suposta venda de sentenças no Judiciário paulista. "Têmis é a deusa da Justiça. Ao batizar a operação dessa maneira, parece que toda a Justiça estava envolvida na fraude. Isso é razoável?", questionou.

A PF informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não comentaria a recomendação do CNJ.

Reclamações

Não é a primeira vez que o presidente do STF reclama dos nomes das operações, citando especificamente a Operação Têmis. Tais reclamações já foram feitas quando Mendes criticou os métodos da Polícia Federal, especificamente na ocasião em que seu nome foi citado na lista de presentes de um dos envolvidos em esquema de corrupção, quando na realidade se tratava de um homônimo.

Gilmar Mendes chegou a dizer que muitas das informações contra juízes e ministros de tribunais superiores divulgadas pela PF "têm notório caráter de retaliação e até de controle ideológico".

"Do que percebo em alguns episódios, muitos têm notório caráter de retaliação e até de controle ideológico contra os juízes (....) É preciso encerrar esse quadro de intimidação", afirmou em julho.

"Que tipo de terrorismo lamentável, que coisa de gângster. Quem faz isso, na verdade, não é agente público, é gângster", criticou o magistrado.

Na recomendação editada ontem, o CNJ afirma que existe uma "generalização da prática de adoção de denominações de efeito e investigações ou operações policiais, adotadas pela mídia, e sua utilização em atos judiciais". Também diz que o magistrado tem o dever de "adotar linguagem apropriada e evitar excessos".

Juízes que quiserem continuar usando os nomes não estão impedidos, mas Mendes afirmou que o Supremo já não utiliza mais o nome das operações em seus atos judiciais.

Fonte: Felipe Seligman, Folha Online reproduzido no site da ABRAC

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Sim, podemos!

A ciência do falar bem de Barack Obama

Barak Obama é um grande orador. Carismático, inteligente e simples no falar.

Sabe usar bem os gestos, e é perito em explorar os momentos de pausa na fala, envolvendo a pláteia com o silêncio e o olhar.

E acima de tudo, tem uma qualidade rara e importante na oratória: saber sorrir com naturalidade.

Embora sendo um homem da ciência do falar bem, seu discurso de vitória veio recheado de elementos da ciência do bem falar, o que empolgou, desde o início de sua campanha, os corações americanos.

"Se alguém ainda duvida que a América é o lugar onde todos os sonhos são possíveis, se ainda questiona se os os sonhos dos nossos fundadores ainda estão vivos, se ainda questiona o poder da nossa democracia, teve esta noite a resposta.

(...) Sim, podemos!

Para aqueles que querem destruir o mundo: nós vamos destrui-vos. Para os que querem paz e segurança: nós apoiamos-vos. E para aqueles que se interrogam sobre se a luz de liderança da América continua viva: esta noite nós provamos, mais uma vez, que a força de nossa nação não vem do nosso poder militar ou da escala da nossa riqueza, mas do enorme poder dos nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e esperança.

(...)Sim, podemos!

Este é o nosso momento. Este é o nosso tempo, de voltar a dar trabalho à nossa gente, de abrir as portas da oportunidade aos nossos filhos; de restaurar a prosperidade e de promover a paz; de reclamar o sonho americano e de reafirmar a verdade fundamental de que, no meio de muitos, somos um; que enquanto respiramos, mantemos a esperança.

(...) Sim, podemos!

Obrigado. Deus vos abençoe. E que Deus abençõe os Estados Unidos da América.

Realmente um belo discurso, que entrará para história da eloqüencia universal.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A ciência do bem falar e a ciência do falar bem

Para muitos trata-se da mesma coisa. Mas não é.

Para bem falar é preciso ter aprendido a falar bem .

Quem bem fala, fala bem. Mas quem fala bem não necessariamente bem fala.

O bem falar é o carisma, é o coração, é o toque que arrebata, é a palavra que seduz. É a hipnose, a essência, a energia, o espírito, a poesia, a sabedoria.

O falar bem pode ser adquirido, é a técnica, é a aprendizagem, é o estudo, é o aperfeiçoamento, é a busca, é a forma.

A ciência do bem falar é Moisés, é Salomão, é Socrátes, é Jesus, é Buda, é Gandhi, é Luther King.

Isso não quer dizer que falar bem seja coisa fácil. Quem não traz consigo, desde o berço, alguma fragrância da ciência do bem falar geralmente não consegue ir muito longe na ciência do falar bem.

Na ciência do bem falar se busca a verdade, a justiça, o belo, o justo, o coração, a filosofia. Como modelo temos o Sermão da Montanha, de Jesus Cristo.

Na ciência do falar bem se busca o pragmático, o objetivo, a diplomacia, a política, o resultado. Como exemplo maior temos a Oração da Coroa, de Demóstenes.

No jogo diáletico, a ciência do bem falar e a ciência do falar bem, embora mantendo uma visível diferença, interpenetram-se como no amanhecer e no entardecer, onde não percebemos a linha que separa a luz da escuridão.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A reação da advocacia

NOTA PÚBLICA

Foi destaque na imprensa local da semana passada a execução da operação "data vênia", de alçada da Polícia Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de prisões preventivas, um deles em desfavor do Advogado ARMYSON LEE LINHARES DE CARVALHO.

Segundo as informações do Serviço de Comunicação Social da Polícia Federal, o Advogado valia-se de sua prerrogativa profissional para ter acesso a inquéritos policiais e processos judiciais, unicamente para instruir os respectivos clientes a dificultar as investigações, tudo objetivando "facilitar o tráfico praticado pela organização".

Sabe-se do papel institucional da Polícia Federal no resguardo da segurança pública, todavia a prisão do Advogado é emblemática, porque demonstra uma nítida intenção de extrapolar as raias de um procedimento investigatório para atingir a própria instituição da advocacia, especialmente a criminal. Primeiramente, a exposição midiática não só do Advogado cautelarmente segregado, como também de dirigentes da própria categoria dos profissionais do direito.

Soma-se a este fato o nome da operação, "Data Venia", expressão latina particular e tradicional do ofício da advocacia, que leva a crer que toda ou parte da classe de Advogados é alvo de investigações policiais, o que não é verídico, já que se trata de uma operação isolada de combate ao narcotráfico em cujo procedimento consta a pontual hipótese de um Advogado estar incorrendo na prática de ilícitos.

Por fim, o motivo que fundamenta o decreto prisional, divulgado pela própria Polícia Federal, em análise primária, nem à tênue luz configura crime, quanto mais ilícito que albergue a medida cautelar. Ao contrário do rotulado, é prerrogativa legítima do Advogado ter acesso aos autos, apresentar defesa técnica, orientar os clientes, elucidar as táticas de atuação, considerando, principalmente o quadro estabelecido nos autos de investigação.

O exercício de tais prerrogativas não pode ser confundido com obstáculo à realização da Justiça, mas do contrário, a atuação plena e livre do Advogado traz legitimidade e transparência aos procedimentos administrativos ou judiciais.

De outro prisma, NÃO é papel da Polícia Federal tecer juízo antecipatório de culpa, vez que, enquanto órgão meramente investigatório, incumbe-lhe tão-só esquadrinhar e relatar fatos, sob pena de incorrer em desvio de finalidade.

O Supremo Tribunal Federal, homenageando o Princípio Constitucional da Inocência, opondo-se ao estado policial, recentemente decidiu que o cumprimento de prisões não pode ser espalhafatoso, vil e degradante à honra e imagem dos cidadãos, mormente quando ainda não persiste culpa formada.

A população acreana precisa estar atenta. A advocacia livre e independente é um dos postulados da Democracia e a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre, não se furtará em adotar, se necessário, as medidas pertinentes à manutenção do Princípio da Legalidade e contra o abuso de poder, o que fará em defesa não só dos Advogados, como também da sociedade e do Estado Democrático de Direito.

Rio Branco, 3 de novembro de 2008.


Ordem dos Advogados do Brasil –

OAB/AC Comissão de Defesa de Prerrogativas Comissão do Jovem Advogado

Associação dos Advogados Criminalistas do Acre – ACRIM.

Associação dos Defensores Públicos do Acre – ADPACR

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Todos são iguais perante a lei

Juiz usa Lei Maria da Penha para proteger homem

A Justiça de MT determinou medidas de proteção em favor de um engenheiro agrônomo de 46 anos, de Cuiabá, que pediu a aplicação, por analogia, da Lei Maria da Penha -que pune com prisão a violência doméstica contra a mulher.

O juiz Mário Roberto Kono de Oliveira, responsável pela decisão, disse que, em número consideravelmente menor, há homens vítimas de violência praticada por mulheres. Nesses casos, não há previsão legal de punições, o que justifica a aplicação, por analogia, da Lei Maria da Penha.

Em seu artigo 22, a lei federal determina que o juiz pode aplicar "medidas protetivas de urgência" contra o agressor quando constatada "prática de violência doméstica e familiar contra a mulher".

Entre as "medidas protetivas de urgência" determinadas, está a de que a mulher mantenha ao menos 500 metros de distância do engenheiro e que não tente fazer nenhum tipo de contato com ele, podendo ser presa caso descumpra a ordem judicial.

"Não é vergonha nenhuma o homem recorrer ao Poder Judiciário para fazer cessar as agressões da qual vem sendo vítima", afirmou Oliveira na decisão.

Último recurso

O engenheiro entrou com o pedido depois de terminar o relacionamento com a ex-companheira, em 2007, após uma briga em que a mulher o queimou no tórax "dolosa e propositalmente" com a ponta de um cigarro aceso, segundo a ação. Após sair de casa, ele foi ameaçado.

O advogado Zoroastro Teixeira, que representa o engenheiro, disse que a via judicial foi o "último recurso" encontrado por seu cliente para "livrar-se da perseguição". A mulher é apontada como responsável por um ataque ao carro do engenheiro e, nos autos, há cópias de cerca de 40 e-mails com ameaças ao ex-parceiro.

Para Teixeira, o recurso à Lei Maria da Penha é uma forma de assegurar a "isonomia de direitos".

Fonte: José Eduardo Rondo e Rodrigo Vargas, da Agência Folha - Reproduzido no site da Associação Brasileira de Advogados Criminalistas - ABRAC

domingo, 2 de novembro de 2008

O vício de falar mal da vida alheia

Já ouvi muito dizer que o pior vício de se abandonar é o vício do tabagismo.

Não temos como negar que não é tarefa fácil. Mas muitos conseguiram se libertar, inclusive eu.

Tem um vício que é maior que o do tabagismo: viver falando mal da vida alheia.

No vício do cigarro, pelo menos, a pessoa sabe que é viciada.

Mas quem fala mal da vida dos outros sempre diz: "é só um comentário", "não é falando mal não, mas o fulano..."

Alguns até, cinicamente, dizem: " menino, agora vamos falar mal da vida dos outros....". E baixa a lenha, com o aval e para o deleite dos que escutam, loucos que estão para falar mal da vida alheia também.

"Fica só entre nós isso". É assim que palradores da vida dos outros concluem a conversa. Os mais afoitos verborrajam: "falo e não peço segredo."

Quem vive falando mal da vida alheia não pode ser feliz, porque não tem tempo de olhar para seu próprio ninho e tentar corrigir seus defeitos. Fala mal dos filhos dos outros, da profissão dos outros, dos relacionamentos dos outros, da religião dos outros, dos costumes dos outros, dos erros dos outros.

Quando alguma desgraça aconteçe na vida do linguarudo ele passa a se lamentar e a interrogar a Deus o que fez para merecer tamanho sofrimento. Esquece da chamada lei da afinidade: se desejo ou faço o mal vou colher o mal, se desejo ou faço o bem vou colher o bem.

O fumante que pára de fumar sente um alívio da alma e do corpo que o não fumante não consegue medir. Quem sabe do prazer de viver sem o cigarro, não é quem nunca fumou, mas o ex-fumante.

Controlar a língua, vigiar-se, envergonhar-se, almejar o burilamento moral, ter consciência do vício, temer as conseqüencias de se intrometer onde não deve, são os melhores antídotos para deixar de falar mal da vida alheia.

O prazer de largar um vício é uma das melhores felicidades do mundo, porque vencemos o pior de todos os adversários: nós mesmos.

Se por acaso não for possível deixarmos de falar mal da vida alheia, então o melhor é seguirmos o conselho dos mestres: cortar nossa própria língua. Quando morrermos pelo menos não daremos tanto aborrecimento aos familiares, com a famosa queixa da necessidade de dois caixões para enterrar o língua grande.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Desiderata ou daquilo que é essencial

Assim resumi o poema Desiderata, escrito sob inspiração, por Max Ehrmann:

Ouça a sabedoria.

Siga calmo em meio ao barulho.

Ame o silêncio.

Viva em paz com a vida.

Aprende com todos, sempre alguém tem o que ensinar.

Evite os escandâlos, pois machucam o espírito.

Seja você mesmo.

Viva seus ideais.

Cuidado com as armadilhas do mundo.

Não deixe o medo lhe cegar.

Atente para os ensinamentos dos anos.

Cultive a força do espírito.

Seja gentil e disciplinado consigo mesmo.

Você é filho do universo, deixe que tudo flua conforme a natureza das coisas.

Seja alegre.

E principalmente, ame a Deus e busque ser feliz.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

No rebanho do direito

Um frase lapidar de Sérgio Moreira, psicólogo, autor do livro 500 filmes sobre advogados e julgamentos:

"Existem ovelhas negras em qualquer profissão. Pior são aquelas que estão no rebanho do direito."

Também penso assim.

500 filmes sobre advogados e tribunais

Neste livro de Sérgio Moreira, a advocacia é retratada em 500 sinopses de filmes de tribunal.

É uma referência para quem gosta do mundo do Direito e do Cinema, e principalmente do fantástico mundo da advocacia do júri.

Já escrevi neste blog a respeito da forte influência que os filmes de julgamento exerceram sobre minha opção vocacional.

No préfacio de 500 filmes sobre advogados e tribunais, feito pelo criminalista Ricardo Cunha, temos preciosas lições que valem a pena estudar:

Sobre o Júri:

"O mundo do júri é mágico. O salão do júri é a dimensão espacial desta magia. A sessão do júri é o contexto onde os sortilégios, os imponderáveis, a fantasia, se mesclam à técnica, à seriedade profissional, aos fatos. Mito e realidade intercambiantes, interpenetrados.

De um lado o lúdico. Do outro, o suspense, o suor, o talento, a dedicação, a arte, a pertinácia, a ciência, a estética cumpre o seu papel. A lógica e a adrenalina, o inesperado, o fático e o invisível.

Cenas que se sucedem neste fantástico espetáculo onde não falta frisson e se tem direito a gran finale. Interesses e paixões, virtudes e defeitos, desvelamentos e encobrimentos, vindita e altruísmo, amor e ódio, se entrechocam dialeticamente. Esse é o mundo mágico do júri: forte, fluido, kafkiano."

Sobre o advogado no Tribunal do Júri:

"O advogado deve dentro dele saber se mover, prever argumentos, ter atenção, sensiblidade, intuição, buscando argumentos no imponderável do ar e do olhar, às vezes dos próprios jurados, estabelecendo-se o diálogo mudo de percepções abstratas e reais.

O ápice da advocacia é o exercício defensivo, cuja prática requer arte, um saber como, mais do que um saber o que, pois a advocacia não se confunde com o direito. Se o direito é uma ciência, a advocacia é uma arte. A arte de advogar, de defender e acusar. É uma maneira de saber fazer na prática o direito. O direito militante e a arte de saber fazer valer o direito poderia ser a definição de advocacia".

Sobre a injustiça:

"A situação de injustiça dói e quebra a harmonia da ordem pública, pois os jurisdicionados passam a ver com descrédito a prestação jurisdicional que lhes é entregue e perdem a confiança. Assim, compete ao advogado defender não só o inocente, mas a majestade da própria justiça, buscando reparar o erro".

O cinema, depois do próprio Tribunal do Júri é quem melhor retrata essa epopéia, essa grandiosidade do trágico humano. Mas o que é ficção e o que é realidade? No mundo dos julgamentos nem sempre é possível trabalhar com essa dualidade.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O homem sábio

Diz Osho:

"Infelicidade significa que as coisas não estão de acordo com os seus desejos. E as coisas nunca estão de acordo com seus desejos, elas não podem estar. As coisas apenas vão seguindo sua natureza. Um homem sábio é aquele que segue a natureza das coisas."

Esse é o segredo. Viva com este segredo e veja a beleza. Viva com este segredo e subitamente você será surpreendido: como é grande a benção da vida! quanto é despejado em você a cada momento".

Osho é um livre-pensador, um verdadeiro filósofo, místico, poeta, homem da ciência do bem falar, alguém que vale a pena conhecer, brilha como a luz do sol, encanta como a luz da lua.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Bendita seja essa grande senhora, que chamamos Justiça!

"Indaga-me jovem amigo se as sentenças podem ter alma e paixão.

O esquema legal da sentença não proíbe que tenha alma, que nela pulsem vida e emoção, conforme o caso.

Na minha própria vida de juiz senti muitas vezes que era preciso dar sangue e alma às sentenças.

Como devolver, por exemplo, a liberdade a uma mulher grávida, presa porque trazia consigo algumas gramas de maconha, sem penetrar na sua sensibilidade, na sua condição de pessoa humana?

Foi o que tentei fazer ao libertar Edna, uma pobre mulher que estava presa há 8 meses, prestes a dar à luz, com o despacho que a seguir transcrevo:

A acusada é multiplicadamente marginalizada:

Por ser mulher, numa sociedade machista...

Por ser pobre, cujo latifúndio são os sete palmos de terra dos versos imortais do poeta.

Por ser prostituta, desconsiderada pelos homens, mas amada por um Nazareno que certa vez passou por este Mundo.

Por não ter saúde. Por estar grávida, santificada pelo feto que tem dentro de si.

Mulher diante da qual este juiz deveria se ajoelhar numa homenagem à maternidade, porém que, na nossa estrutura social, em vez de estar recebendo cuidados pré-natais, espera pelo filho na cadeia.

É uma dupla liberdade a que concedo neste despacho: liberdade para Edna e liberdade para o filho de Edna que, se do ventre da mãe puder ouvir o som da palavra humana, sinta o calor e o amor da palavra que lhe dirijo, para que venha a este Mundo, com forças para lutar, sofrer e sobreviver.

Quando tanta gente foge da maternidade...

Quando pílulas anticoncepcionais, pagas por instituições estrangeiras, são distribuídas de graça e sem qualquer critério ao povo brasileiro...

Quando milhares de brasileiras, mesmo jovens e sem discernimento, são esterilizadas...

Quando se deve afirmar ao Mundo que os seres têm direito à vida, que é preciso distribuir melhor os bens da Terra e não reduzir os comensais...

Quando, por motivo de conforto ou até mesmo por motivos fúteis, mulheres se privam de gerar, Edna engrandece hoje este Fórum, com o feto que traz dentro de si.

Este juiz renegaria todo o seu credo, rasgaria todos os seus princípios, trairia a memória de sua mãe, se permitisse sair Edna deste Fórum sob prisão.

Saia livre, saia abençoada por Deus...

Saia com seu filho, traga seu filho à luz...

Porque cada choro de uma criança que nasce é a esperança de um Mundo novo, mais fraterno, mais puro, e algum dia cristão...

Expeça-se incontinenti o alvará de soltura."

Juiz João Batista Herkenhoff, Livre-docente da Universidade Federal do Espírito Santo.

Com a palavra, Rui Barbosa!

"Legalidade e liberdade são as duas tábuas da vocação do advogado. Nelas se encerra, para ele, a síntese de todos os mandamentos.

Não desertar a justiça, nem cortejá-la. Não lhe faltar com a fidelidade, nem lhe recusar o conselho.

Não transfugir da legalidade para a violência, nem trocar a ordem pela anarquia.

Não antepor os poderosos aos desvalidos, nem recusar patrocínio a estes contra aqueles.

Não servir sem independência à Justiça, nem quebrar da verdade ante o poder.

Não colaborar em perseguições ou atentados, nem pleitear pela iniqüidade ou imoralidade.

Não se subtrair a defesa das causas impopulares, nem à das perigosas, quando justas. Onde for apurável um grão, que seja, de verdadeiro direito, não regatear ao atribulado o consolo do amparo judicial.

Não proceder nas consultas, senão com a imparcialidade real do juiz nas sentenças.

Não fazer da banca balcão, ou da ciência mercatura.

Não ser baixo com os grandes nem arrogante com os miseráveis.

Servir aos opulentos com altivez e aos indigentes com caridade.

Amar a pátria, estremecer o próximo, guardar a fé em Deus, na verdade e no bem".

A advocacia romântica

Dos anos 90 para cá, a advocacia vem se tornando mais empresarial, abandonando o romantismo de outrora, que empolgou gerações nas palavras de Evaristo de Morais, Sobral Pinto, Evandro Lins e Silva, Valdir Troncoso Peres, e tantos outros.

Proliferam livros a respeito de como administrar escritórios, de como captar clientela, de como otimizar o funcionalmento dos serviços advocatícios, de como ter sucesso financeiro, de como impressionar nos eventos sociais.

De certa forma, futiliza-se a advocacia, contrariando os ensinos clássicos de Rui Barbosa: "...não fazer da banca balcão, ou da ciência mercatura".

Urge fortalecer a escola da advocacia romântica. Ela tem poucos discípulos, precisamos dar seguimento a linhagem nobre desses advogados, que enfrentam as borrascas de todo naipe, servindo a justiça com bravura e independência, fazendo florescer as mais belas palavras nas páginas da história judiciária.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Diálogo sim, servilismo não! Pequeno ensaio sobre os rumos da OAB/AC

O doutor Gerson Boaventura, zeloso defensor público da Vara do Tribunal do Júri, foi impedido de entrar, por um funcionário, desses de fora, na Penitenciária Francisco de Oliveira Conde, oportunidade que iria conversar com seu constituinte e orientá-lo para o julgamento do dia posterior.

Em digno protesto, o Defensor pediu adiamento do Júri, tendo o apoio lúcido do promotor Leandro Portela, que fez a defesa das prerrogativas dos advogados e de princípios constitucionais.

O carcereiro alegou que a proibição foi um acordo feito entre Laura Okamura, presidente do IAPEN, e Florindo Poerch, Presidente da OAB/AC para que nenhum advogado tivesse acesso aos presos depois das oito horas da noite.

Impressionado com tamanha afronta a legalidade e assombrado com a suposta participação da OAB/AC no acordo, o Defensor Público ligou para o doutor Florindo para clarear o assunto, que de pronto negou que tenha feito qualquer tratativa a respeito.

A ação do carcereiro ou de quem tenha sido evidencia a prática do crime de abuso de autoridade, devendo a OAB/AC agir energicamente, caso não tenha, como acredito, participação em tão desonroso ato.

A excessiva aproximação da OAB/AC, os paparicamentos, temos dito isso, com algumas autoridades, finda comprometendo a independência de nossa Seccional.

A nova administração, com tantos avanços, precisar reavalizar alguns rumos, sob pena de naufragar, de perder a credibilidade, de perder o apoio da classe dos criminalistas.

Mantenho meu apoio a atual direção da OAB/AC, mas ele não é incondicional nem ilimitado. Meu partido é a advocacia.

Diálogo institucional, sim; servilismo, não!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Uma estação da alma

Como o verde das plantas está mais verdejante!

Verde que verdeja, que penetra no coração, pelo meus olhos.

Que canta a poesia, que solfeja no espírito. Silêncio ...

Olhe o verde, sinta como nessa estação ele está mais bonito, como que banhado na fonte da juventude. Banhe-se também.

Os beijos a mim efeitam os lares, enverdeiam a cidade, sombreiam a inocência das crianças que brincam nas ruas.

Raios de sol reluzem nas folhas novas, que como dizia um poeta, resplandece, vai resplandecendo, clareando do justo ao pecador.

O azul do céu toca no verde da terra, e o amarelo surge da luz do encontro das cores.

E a noite tão colorida com a lua e as estrelas?

Sentir-se no meio de tudo isso, esquecer um pouco de tudo, só olhar, ser um instante eterno, com o eterno, uma espécie de passarinho voando sem destino, não estando nem aí para o próximo amanhã.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A amizade das palavras

A confiança é chave que abre muitas portas.

A porta da saúde e da prosperidade.

A porta da justiça e a porta da paz.

Muitas outras portas a confiança pode abrir, aliás, ela abre todas as portas.

Traz segurança, conforto, alento, esperança, sintonia.

A Vida, a Existência, a Natureza, Deus, cuida de nós.

Mas é preciso ter confiança de verdade, total.

A percepção da palavra confiança é flor que tem florido na minha consciência. Passei a cultivar amizade com ela, pois ela me mostrou o seu jardim. "A palavra, segundo se sabe, é um ser vivo", dizia Victor Hugo.

Ninguém nunca está sozinho quando se tem a amizade das boas palavras, que são flores, vivem, encantam.

E o silêncio? É uma palavra amiga também.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

No Reino de São Tomé

Para mim foi o mais interessante dos discípulos de Jesus.

"Só acredito se eu ver...".

A verdade é uma experiência, não uma crença.

A crença é uma espécie de fanatismo, pensa-se apoderada da verdade.

Só acredito se eu ver, se eu sentir, se eu experenciar.

Pode o pastor, pode o padre, pode o mestre tentar incutir uma crença ..., marcar o seu gado.

Eu gosto mesmo é do Reino de São Tomé.

A fonte da advocacia

Aprendo muito vendo as mães defendendo seus filhos.

É a própria natureza defendendo a criação.

Seja nos homens, seja nos animais.

A advocacia é uma criação da natureza.

Não é uma profissão, pode até ser, pelo que se revela socialmente, mas é uma energia, uma energia que emana da natureza.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O pagamento dos meus honorários

Macarrão é o engraxate que trabalha no Fórum. Já virou folclore.

"Sou o mais importante dos engraxates, engraxo sapato de juiz, de promotor e de advogado". Costuma se gabar, o Macarrão.

Macarrão me pediu ajuda para resolver um problema seu, na Justiça.

"Quanto o senhor vai me cobrar, doutor".

"Vamos ver Macarrão, vamos ver. Talvez não cobre nada, dependendo da estatura do teu problema".

"Se o senhor não me cobrar nada vou engraxar seu sapato toda vez que me pedir, de graça, pela vida toda."

Findei não cobrando nada.

E até hoje o Macarrão engraxa meu sapato. Só que com pena dele, pago o que lhe é devido, a cada engraxada, pois vive disso.

Não é justo ter livrado o Macarrão de uma pena - que seria até mais rápida e mais branda - para fazê-lo cair em outra, degradante, cruel, constitucionalmente proibida: engraxar meu sapato pela vida toda, uma perpétua prestação de serviço a comunidade, ou melhor, a mim.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Os olhos da acusação

O criminalista havia entregue o processo para seu estagiário elaborar a defesa do acusado.

Empolgado com a missão - pois estava iniciando sua vida no mundo jurídico-o estagiário levou os autos para casa, feliz da vida.

No outro dia, muito impactado com o que tinha lido, resolveu desabafar: "Doutor, não encontrei nada favorável a esse rapaz, nenhuma tese".

O advogado respondeu, com a firmeza dos gurus, da janela contemplando o horizonte:"Sabe por que você não encontrou nada para dizer em favor do acusado? Porque só olhou com os olhos da acusação, isso todo mundo sabe fazer".

sábado, 4 de outubro de 2008

Esse São Francisco é forte

Meu pai é um grande admirador de São Francisco.

Não perde uma procissão do grande santo, que é padroeiro de Tarauacá.

Na verdade, o padroeiro de Tarauacá é São José, por imposição dos padres alemães, que por lá chegaram na década de 40.

Mas o povo não aceitou, e os padres tiveram que se render a força popular, tendo que prestigiar a figura de São Francisco.

A rendição alemã para os acreanos não foi total. Até hoje o nome da Paróquia de Tarauacá leva o nome do Pai de Jesus. Não que o povo não goste de José, mas parece ter mais intimidade com Francisco.

Meu pai nunca vai a Igreja. É difícil ouvi-lo falar de religião, de Deus, de Jesus. É muito calado quando o assunto é religião. Sua fé não é escandalosa.

Não sei o que São Francisco fez de bom para ele. Ainda estou por descobrir. Todo mundo admira meu pai acompanhando a procissão.

"Aquilo é o Hudson?"

"Ele não perde uma procissão de São Francisco".

"Esse santo é bom mesmo, pro Hudson acompanhar uma procissão...".

"Será o que São Francisco fez para ele?"

"Ei Hudson", alguns gritam.

"Olha ali o Hudson, rapaz", alguns comentam.

"Aquilo é o Hudson, é?", outros interrogam, não acreditando no que vêem.

Meu pai me ligou, neste dia, e logo perguntei: "Vai a procissão".

A resposta foi curta e sem comentários: "Vou". Ele não entra em detalhes.

Esse São Francisco é forte. Rendeu os alemães e domou a descrença de meu pai.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A dupla face dos homens

Os maias acreditavam que os homens possuíam duas caras. Uma visível e a outra invisível.

Não só os maias, mas os poetas, os escritores, os estudiosos, os místicos, falaram da dupla face dos homens.

Outros até chegam a afirmar que temos várias caras, vários "eus", que se manifestam dependendo das circunstâncias.

Pela sensibilidade percebemos esses rostos diferentes numa pessoa.

Acusamos:"Ele tem duas caras".

Mas esquecemos que todos nós temos duas caras.

De certa maneira a cara exterior revela a cara interior, por maior que seja o esforço de não revelarmos quem nós somos.

No interior estão os esconderijos das intenções ocultas, dos interesses não revelados, dos pensamentos, das emoções e dos desejos não saudáveis.

O homem transparente, embora preservando sua intimidade e privacidade, tem uma só cara, revela por fora o que é por dentro, não tem a necessidade de se esconder. É sincero, "sem cera", da cor da água.

Esse deve ser um dos objetivos de todos os homens de bem. Alcançar a total transparência, ir limpando seu caminho, acertando suas contas, destruindo seus esconderijos.

Não é uma caminhada fácil, mas deve ser algo poderoso não viver se escondendo de ninguém, nem de você mesmo. Ter uma só cara.

domingo, 28 de setembro de 2008

Quero distância dos fofoqueiros e dos que acreditam facilmente nos fofoqueiros

"Fulano me falou que o beltrano falou isso de mim".

O de mim não examina os fatos. Não procura verificar se realmente o beltrano falou mal dele para o fulano. Nem ao menos pergunta ao beltrano se isso realmente aconteceu.

Pessoas que acreditam facilmente nos fulanos não têm integridade, são iguais aos fofoqueiros, tão moralmente frágeis quanto, porque avalizam as fofocas, dão vida a elas, alimentam a mentira, enlameiam a transparência.

Todo aquele que facilmente dá crédito a um boato, a uma calúnia, seja qual a forma que a fofoca se revestir, não passa de um potencial boca-suja da vida alheia.

Quero distância dos fofoqueiros e quero distância também daqueles que acreditam facilmente nos fofoqueiros. São da mesma subespécie.

Essas raças gosmentas vivem sempre mal-intencionadas.

Sobre o certo e o errado.

Gosto de uma imagem de Osho a respeito do errado e do certo.

O errado é como descer uma montanha. É fácil, até a força da gravidade ajuda. Você vai descendo, descendo, para o fundo.

O certo é como subir uma montanha. Exige esforço, suor. Quanto mais você sobe mais se aproxima da luz, da consciência, do êxtase.

Você é livre para escolher se vai descer abaixo dos animais ou ascender acima dos anjos.

Uma ponta da escada lhe leva para o inferno; a outra, para o paraíso. É a mesma escada, você escolhe o rumo.