quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A capacidade de concentração

A capacidade de concentração é uma das qualidades mais exigidas para que alguém se torne um vitorioso na vida.

O homem disperso, atabalhoado, sem rumo, sem foco, impaciente, nervoso, é o que podemos chamar de um homem desconcentrado.

Todo bom profissional é concentrado naquilo que faz. Seus pensamentos, seus sentimentos, suas ações, suas atitudes se voltam para o centro, para o âmago, para o cerne daquilo que pretende criar.

Começar um trabalho e não terminar, ler um livro e não concluir, expor um raciocínio e não chegar a lugar algum, se sentar e se levantar constantemente de um lugar onde deveria permanecer, tudo isso e muito mais é a incapacidade de se concentrar.

O vitorioso tem foco, tem objetivo, tem firmeza, tem concentração.

Nos embates no júri, a concentração no mais das vezes é o que diferencia um advogado dos outros, porque é no grau de concentração do profissional que podemos perceber até que ponto ele chegou em sua carreira.

Todos nós, se quisermos progredir com constância na profissão, temos que desenvolver nossa capacidade de concentração, que é nossa capacidade de pormos nossa energia criadora na realização de nossos desejos, de nossos afazeres.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A conexão na arte da persuasão

Todos se Comunicam, Poucos se Conectam, é o título do livro que estou lendo, de John Maxwell, admirado palestrante na área de formação de líderes.

Falar todo mundo fala, as pesquisas apontam que em média uma pessoa fala dezesseis mil palavras por dia. Quantas realmente são úteis?

Conecta-se na comunicação significa respeitar o outro, torná-lo importante, valorizá-lo, agregar valor a pessoa que participa da relação dialógica.

Conectar-se é afinidade, é sintonia, não só pelas palavras, mas além delas.

Seja no Tribunal do Júri, seja em casa, seja no trabalho, seja nas conversas coletivas ou individuais, persuade melhor aquele que é capaz de se conectar.

Com o passar do tempo o orador vai aprendendo a se conectar com o ouvinte, pois sabe que sem essa energia que irmana, que une, que atrai as simpatias, sua oratória não passa de palavras vazias, sem efeito, ocas, sem qualquer potencialidade, sem qualquer conectividade, sem qualquer eficácia.

O livro de John Maxwell é muito importante para aqueles que honestamente buscam o constante burilamento de sua liderança e de sua comunicação.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Ponte Amin Kontar: uma questão de justiça histórica

Dia de Todos os Santos. Ninguém que foi Santo fica de fora desta data.

Tarauacá tem um Santo, conhecido por Amin Kontar.

No Dia dos Finados, sua tumba é a mais prestigiada, a mais visitada. É o dia em que muitos vêm pedir o seu auxílio, que vem lhe agradecer, que vem lhe prestar homenagens.

Aos poucos, o povo de Tarauacá tem resgatado a história deste homem, que faz parte do imaginário forense, policial e religioso da cidade.

Amin foi preso, torturado e assassinado, acusado de um crime que não cometeu. Daí a raíz do sentimento popular por Amin Kontar.

Seu nome significa Príncipe da Constância. Honrou este nome até a hora da morte. Ao ser indagado de sua culpa, debaixo de grande dor, dizia para seus algozes: "Não foi eu e não sei quem foi".

A história de Amin Kontar é rica em significados. Pode-se examiná-la do ponto de vista do direito, da filosofia, da sociologia, da psicologia, da religião, da história. Feliz um povo que tem um acontecimento tão prenhe de relevantes dimensões.

A sociedade de Tarauacá, num movimento amplo, acima das divergências políticas ou religiosas vem se unindo para propor que a bela ponte que cruza poeticamente o Rio Tarauacá receba o seu nome: Ponte Amin Kontar.

Isso é o que eu chamo de justiça histórica! Vamos juntos, isso é uma bandeira que engrandece todos os tarauacaenses.

sábado, 30 de outubro de 2010

Viagens retóricas de um criminalista

Do livro O Criminalista, de Vinícius Bittencourt:

"Vivia em permanente exercício da palavra para dar a minha prosa, escrita ou falada, o poder da doutrinação filosófica, aliada a harmonia poética e a penetração musical.

Minha oratória transportava os ouvintes a todas as épocas históricas, fazendo-os visitar palácios, templos, presídios, túmulos, teatros, praias, necrotérios, jardins de infância, monumentos, parques, museus, bibliotecas e tudo o que se pode imaginar.

Minha peça de defesa era a exposição científica e simultaneamente romântica, patética, da paixões que exaltam ou deprimem a alma humana. Nela desfilavam, com suas criações antológicas, dramaturgos e poetas. De Shakespeare, Byron, Dante, Ghoete, Petrarca, Camões, Castro Alves, , Baudelaire e muitos outros, sabia eu, nos originais e de cor, os mais brilhantes textos".

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A Representação da OAB no TRE/AC

O artigo abaixo é do doutor Valdir Perazzo Leite, conceituado Defensor Público, atuante em 2ª Grau. Concordo com ele e levanto esta bandeira!

O Tribunal Regional Eleitoral reuniu-se hoje, sem o representante da Ordem dos Advogados do Brasil. Reuniram-se apenas seis dos sete membros, em face de renúncia de um dos seus integrantes ocorrida na data de ontem.

É extremamente salutar que o sodalício eleitoral seja integrado por juristas oriundos da classe dos advogados, conforme sabiamente previu o legislador constituinte em 1988.

O advogado militante leva para os tribunais eleitorais - presume-se – suas experiência na difícil arte da advocacia. Estes profissionais adquirem, no exercício desse mister, profundo conhecimento da psicologia humana, desde que efetivamente tenham exercido tal profissão.

Os demais integrantes do colégio são oriundos das carreiras jurídicas. Os jovens hoje, após conclusão da graduação em direito, e uma vez aprovados na OAB, já se preparam subseqüentemente para os difíceis concursos da magistratura. A experiência de advocacia dos magistrados é muito pequena.

Justifica-se plenamente que os tribunais eleitorais sejam integrados pelos advogados. Grandes juristas, oriundos da classe dos advogados, já passaram pelos tribunais eleitorais: Evandro Lins e Silva, Sepúlveda Pertence, Paulo Brossard, Nelson Jobim e muitos outros.

A Ordem dos Advogados do Brasil, que tem como um de seus fins a defesa da Constituição, da ordem jurídica, do Estado Democrático de Direito, os direitos humanos e a justiça social, integrando esses tribunais eleitorais, atinge o escopo previsto em seus Estatutos.

Pois bem. O processo de escolha dos representantes da classe dos advogados junto aos Tribunais Eleitorais necessita ser aperfeiçoado e ganhar mais transparência junto à sociedade.

Ninguém entra na magistratura sem submeter a um difícil certame público, de provas e títulos, num processo que compreende várias fases, perante uma exigente comissão examinadora, inclusive com a fiscalização da OAB.

Para ser membro de um tribunal eleitoral, o candidato advogado submete seu currículo ao Conselho Seccional da OAB, sem que a opinião pública tenha o conhecimento necessário sobre o postulante. Muitas vezes não tem os atributos que a Constituição Federal exige nos seu aludido art. 120.

Esse processo de escolha é vulnerável às pressões políticas. Um magistrado deve ter independência, sob pena de não poder exercer a missão a que se propõe, e não contribuir para a democracia que queremos no país.

No último pleito eleitoral para a Ordem dos Advogados do Brasil, Secção do Acre, nós que fizemos parte da oposição a atual direção, fizemos uma proposta visando o aperfeiçoamento do processo de escolha dos representes da OAB no Tribunal Regional Eleitoral.

Propusemos que os representantes da categoria dos advogados junto ao TRE fossem eleitos por todos os inscritos na OAB, em processo eleitoral amplamente divulgado, de forma que toda a população conhecesse suas propostas e suas biografias, tornando o processo transparente e imune a injunções políticas.

Eis novamente a proposta em debate, se quisermos melhorarmos nossas instituições jurídicas.

Acima dos problemas diários

Vamos chamar assim: problemas diários. Aquelas situações que precisamos resolver, solucionar. Até onde eu sei ninguém está livre deles. Faz parte da nossa condição de seres ainda imperfeitos. Problemas de todos os tamanhos estão sujeitos a aparecerem em casa, no trabalho, nas relações sociais.

Problemas todos temos. Mas o que nem todos têm é a iniciativa, a prontidão, a disposição, a coragem, a determinação para resolvê-los.

Alguns preferem se lamentar, mergulhando no marasmo da moleza, da preguiça, da fraqueza, da procrastinação.

Problemas só são problemas quando não estamos dispostos a solucioná-los. Quando encaramos os problemas de frente, quando combatemos o bom combate, quando não fugimos da peleja, os problemas não parecem - e não são realmente - tão assustadores e insolúveis, e servem para nos aperfeiçoarmos na nossa longa jornada pela vida.

Por isso que desde criança ouvimos o velho ditado "não deixe para fazer amanhã o que se pode fazer hoje". Isso é viver o presente, é viver o aqui e o agora, isso é ser forte, isso é ter confiança em sua capacidade, isso é ser líder de si mesmo, isso é ser homem acima de seus problemas diários.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Autorresponsabilidade e autoconhecimento

Entre as ciências que se ocupam do estudo do crime se encontra a Vitimologia, que é o estudo da participação da vítima na conflagração do delito.

Existem situações em que as vítimas atraem seus algozes como as ovelhas atraem os lobos, sendo as verdadeiras responsáveis pelos crimes que sofrem.

Na vida do cotidiano também é assim. Algumas pessoas se tornam vítimas, se vitimam, jogam a culpa nos outros, olham para fora e esquecem de olhar para si mesmas.

Já ouvi um Grande Mestre dizer que a pessoa que fica a vida toda dando uma de vítima se acha estagnada no caminho da evolução.

O grau de maturidade de uma pessoa pode ser facilmente evidenciado diante da atitude que ele tem em relação a sua autorresponsabililidade.

O homem maduro, que cresce em consciência, assume a responsabilidade por tudo o que acontece em sua vida, pois ele sabe que ela é, nada mais nada mesmo, que construção dele mesmo, e só quando assim age é que começará a ter vislumbres do sabor do autoconhecimento.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A verdadeira alquimia

Sinta...! veja...! ouça...! viva...! a beleza das palavras de Osho, desse grande orador da vida espiritual, que garimpei de seu livro Consciência: A Chave para Viver em Equilíbrio:

"O único pecado que existe é a inconsciência, e a única virtude é a consciência.

É impossível violentar, roubar, matar, mentir, torturar, enganar, violentar se você está consciente.

É só quando a inconsciência prevalece que, nas trevas da inconsciência, todo tipo de inimigo invade você.

Eu não ensino ninguém a ter moral, não ensino ninguém a ter virtude porque sei que, sem consciência, a moral e as virtudes são apenas pretensões, pura hipocrisia.

Só ensino uma coisa: a consciência é a chave-mestra. Ela abre as fechaduras da existência.

Meu trabalho consiste em transformação. Minha escola é uma escola de alquimia. Eu quero que você seja transformado, passe da inconsciência para a consciência, das trevas para a luz.

Eu quero que você viva de acordo com você mesmo, com a sua introvisão, com o seu próprio lampejo de percepção.

Quando se chegar ao ponto de absoluta consciência você simplesmente só faz o que é bom.

O homem de consciência não é obcecado por nada, não é apegado a nada. É simplesmente descontraído, calmo, silencioso, tranquilo, sereno, senhor de si.

Quando isso brota naturalmente em você, há uma beleza, há uma graça, há um magnetismo, há uma a simplicidade, há uma humildade, há um toque que vem de Deus".

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Somos todos milionários

Estava lendo uma interessante reflexão de Yoshihico Iuassaca, em seu livro a Prosperidade em suas Mãos. Yoshihico é membro da Seicho-No-Ie do Brasil e grande divulgador do pensamento positivo.

Ele diz na sua obra que todos somos milionários.

Quem toparia perder os olhos em troca de um milhão de reais? Quem gostaria de trocar uma perna ou um braço em trocar de outro milhão. Quem gostaria de perder sua sanidade mental em troca de outros tantos milhões.

É por isso que somos todos milionários, mas muitas vezes não conseguimos ver as bençãos que Deus nos dá diariamente.

O sol é de graça, o ar que respiramos é de graça, a vida é de graça, e tudo isso não tem preço, é invendável. Quando reconhecemos tantas maravilhas em nossa vida, quando somos gratos a Deus por tantos milagres, conseguimos abrir as portas da prosperidade, do progresso, da vida feliz.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

"Por isso é que vivo ralando"

Ele instalava o ar-condicionado de minha biblioteca, quando de repente pára, olha fixamente, fica absorto na quantidade de livros, e me pergunta, espantado:

- O senhor já leu tudo isso, doutor?

-Não, tudo não, mas até um bocado já li - respondi-lhe com sinceridade.

- É por isso que eu vivo ralando, por não gostar de ler - constatou ele com tristeza.

Existe alguma relação entre a qualidade de vida de uma pessoa com o gostar ou não do exercício da leitura?

Sim, existe, vamos deixar de lado as exceções.

Se a pessoa gosta de ler geralmente vai bem nos estudos. Se vai bem nos estudos consegue se capacitar melhor. Se consegue se capacitar melhor tem mais chances de ter um bom emprego. E tendo um melhor emprego tem uma qualidade de vida mais digna.

Eis o que sabiamente constatou, sem fazer esse jogo explicativo que fiz, o homem que instalou meu ar-condicionado. Sou grato a ele, porque posso ler um bom livro num ambiente bem refrigerado. E graças a ele é que puder escrever esta reflexão de hoje.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A autoestima

Depois de uma semana de intenso trabalho, só agora estou podendo atualizar este espaço, que para mim é um dos lugares que eu gosto de estar, já que é muito bom escrever.

Ontem, enquanto aguardava a chegada de minha mãe de Tarauacá, resolvi adentrar na banca de revista que fica no aeroporto e decidi comprar o livro O Poder das Afirmações Positivas, de Louise Hay, famosa escritora de livros de autoajuda.

Há quem critique os livros desta natureza. Eu os leio e aprecio, sempre encontrando belas lições de vida.

Os livros de autoajuda, embora tenham virado uma espécie de moda, sempre existiram na história da humanidade, sendo a própria Bíblia um deles, o maior deles.

São livros que apresentam uma filosofia positiva, prática, útil, visando transformar para melhor a consciência da humanidade. Não costumo perder mais meu tempo lendo alguns famosos filósofos, que se estudam na academia, que só falam de angústia, de negatividades, de ausência de sentido de vida, de materialismo, e outros assuntos, que ao invés de levar o homem para cima, o puxa para baixo.

Em determinada parte do livro diz Louise Hay: "Todo pensamento positivo traz benefícios para a sua vida. Todo pensamento negativo leva embora as coisas boas e as coloca fora de alcance".

Para muitos isso parece uma obviedade, para outros, uma fantasia, para outros tantos, um charlatanismo. Para mim, um jeito melhor de viver.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O impulso vocacional

A vocação é algo misterioso, é força poderosa que comanda o indivíduo a um destino.

Nasceu para ser isso, e será infeliz se for aquilo.

A vocação vai rasgando caminhos, queimando etapas, derrubando obstáculos, criando oportunidades.

É uma força atrativa, quão grande quanto a fé. É magnética.

Disse que a vocação é quão grande quanto a fé, mas acredito que a vocação é filha da fé, aquela inabalável confiança no futuro, que faz com que homens antevejam no pensamento seus passos além.

Tenho um amigo tarauacaense chamado Alfredo Abreu, que já aos 13 anos de idade teve todas as oportunidades para ser um ator da Rede Globo, mas dizia firmemente para seus proponentes que queria ser piloto de avião. E hoje voa feliz pelos ares da Amazônia.

Isso confirma o que eu falei, que a vocação é um impulso misterioso da alma humana. De onde vem? De algum lugar longínquo de nosso interior, que cabe a cada um descobrir a resposta por conta própria.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Todos querem vencer

Todos querem vencer na vida. Todos querem ser felizes, realizar seus sonhos, concretizar seus ideais, saciar seus anseios.

Mas todos querem se preparar para isso?

Nem todos. Existem aqueles que pensam que a vitória vem sem as lágrimas, sem a dor, sem o esforço, sem as dúvidas, sem as angústias, sem as dificuldades, sem o suor.

Todos querem vencer, mas nem todos querem se preparar para vencer, porque se preparar para vencer exige permanente trabalho, contínua determinação.

A vitória conquistada sem esforço é uma vã ilusão, passageira, se derrete no ar, não tem substância. A verdadeira vitória pertence aqueles que se preparam para vencer.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A fonte da sabedoria

Onde está a fonte da sabedoria?

Lendo o belo Livro de Mirdad, de Mikhail Naimy, o Mestre Mirdad, assim ensina aos seus oito companheiros:

"Tudo é fonte de sabedoria para o sábio".

A dor e a alegria; o sucesso e o fracasso; a pobreza e a riqueza; a vida e a morte. Tudo é fonte de sabedoria para o sábio.

Quando o homem alcançar esse grau de compreensão, de ver a fonte da sabedoria em tudo que acontece, pode-se dizer que ele alcançou a verdadeira riqueza, o verdadeiro conhecimento, a verdadeira glória.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O analfabeto espiritual

Desde menino conheço o famoso texto de Bertolt Brech, O Analfabeto Político. De lá para cá seria impossível contar quantas vezes o encontrei na minha frente. De modo que o texto, de tão citado, perdeu um pouco de sua força persuasiva.

Em grande parte concordo com o grande poeta, mas não vejo que o analfabetismo político seja o pior tipo de analfabetismo - é dos mais graves - mas não é o pior.

O pior analfabeto é o analfabeto espiritual. Aquele que só sabe olhar para fora sem olhar para dentro de si. Que não percebe que existe para o homem um caminho de elevação, de aperfeiçoamento, de evolução de consciência.

O analfabetismo espiritual leva ao analfabetismo moral, e o analfabetismo moral leva ao analfabetismo político.

O homem que busca Deus dentro de si, o homem que busca conhecer a Verdade, o homem que trilha o caminho que o leva para mais perto de Deus, é um homem mais consciente de seus deveres de cidadão.

O analfabeto espiritual acha besteira esse papo de espiritualidade, de autoconhecimento, de expansão de consciência. E é exatamente essa inconsciência que faz dele a pior espécie de analfabeto que existe.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A verdadeira revolução

Lendo o livro 100 Maneiras de Motivar as Pessoas, do advogado Scott Richardson, em coautoria com Steve Chandler, encontrei uma frase de Gandhi e fiquei meditando a respeito:

"Você deve ser a mudança que deseja ver nos outros".

Seu eu quero que uma pessoa seja mais calma comigo, eu preciso ser mais calmo com ela.

Seu eu quero que um amigo seja mais próximo de mim, eu preciso me aproximar mais dele.

Seu eu quero que as pessoas me escutem, eu preciso saber escutar as pessoas.

Seu quero que me tratem com gentileza, eu preciso ser gentil.

Se tudo o que a gente quer melhorar nos outros fosse em nós mesmos melhorado conheceríamos também a mudança nos outros.

É uma frase muito profunda, essa de Gandhi, que nos desafia a primeiro cuidar de nós, dos nossos defeitos, de nossas falhas, de nossos vícios. Mudando a si mesmo o homem consegue mudar o mundo, esta é a verdadeira revolução.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Dois erros que um presidente da OAB não poderia cometer

O presidente da OAB Florindo Poersch cometeu dois imaturos erros no processo eleitoral de 2010, com consequências desastrosas para a sua imagem, que findou atingindo, lamentavelmente, também, a boa fama que desfruta a instituição que ele representa.

O primeiro erro: andar pra cima e pra baixo com Tião Viana, candidato do PT a governador do Acre, como se fosse um vassalo do poder.

O segundo erro: tomar partido na briga entre Demóstenes Nascimento e João Correia, em favor de Demóstenes Nascimento.

Em relação ao primeiro erro: isso é um indigno atentado a independência política da OAB e as nossas tradições históricas, uma afronta a consciência jurídica da classe dos advogados.

Em relação ao segundo erro: foi em decorrência do primeiro, já que ele está subordinado ao Senador Tião Viana. O presidente da OAB, numa situação como esta, deveria ficar equidistante das partes agindo como um estadista, um defensor da boa convivência democrática, um promotor do aperfeiçoamento institucional.

Se a primeira gestão de Florindo Poerch a frente da OAB trouxe saborosos frutos para a advocacia, a segunda tem sido para nós um motivo de vergonha. Diante desses fatos omitir minha opinião consistiria em trair meu dever profissional.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A automotivação do advogado e o papel da OAB

Em todas as profissões encontramos pessoas desmotivadas com o que fazem.

Algumas são desmotivadas porque não se encontraram ainda vocacionalmente. Outras, porque não motivam a si mesmas a continuar.

Sonharam em ser médicos, em ser advogados, em ser engenheiros, professores, jornalistas, empresários, políticos etc., mas quando alcançaram o sonho viram que não era bem como pensavam, e se fixaram no ponto negativo das coisas.

Tenho visto alguns advogados desmotivados com a profissão. E quando você está desmotivado tende a falar mal da advocacia contribuindo para seu enfraquecimento.

A desmotivação, em grande medida, é de responsabilidade de nós mesmos, que nada fazemos para nos automotivarmos.

Ler livros que redesperte nosso vigor intelectual, assistirmos a filmes que reanime nossa vontade, estarmos na companhia dos motivados, acreditarmos na profissão que escolhemos, são maneiras simples de energizar nossas potencialidades.

Uma advocacia motivada é uma advocacia forte, próspera, mais irmanada, mais essencial à administração da justiça.

Fazendo par com a automotivação, é dever da Ordem dos Advogados do Brasil ser a promotora dessa motivação, sendo a voz firme em defesa da advocacia, mantendo independência em sua atuação, dando condições objetivas para que os advogados vejam que vale a pena se dedicar a profissão que escolheram.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A sã consciência

"Quem julgar o caso em sã consciência não poderá negar que ele procedeu como humanamente lhe era possível proceder".

Frase proferida no júri pelo grande criminalista Evaristo de Moraes, no patrocínio vitorioso da causa de Dilermando de Assis, que matou, em legítima defesa, o famoso escritor Euclides da Cunha, autor de Os Sertões, no ano de 1909, na cidade do Rio de Janeiro.

O que me chamou a atenção na defesa foi a expressão "em sã consciência". É uma expressão conhecida, que já ouvimos falar em muitas oportunidades. Mas resolvi estudá-la melhor, meditando sobre sua força persuasiva.

A sã consciência é a consciência evoluída, saudável, limpa, imparcial, livre de preconceitos, de prejulgamentos, de influências indevidas. Com a sã consciência podemos encontrar o caminho mais certo a seguir, a decisão mais correta a tomar.

É dessa sã consciência que nós precisamos diariamente em nossa vida para sermos mais justos, mais éticos, mais verdadeiros, mais profissionais.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O berço de ouro dos melhores oradores

Estou lendo o clássico livro O Criminalista, escrito por Vinícius Bittencourt, famoso advogado, que por décadas brilhou nos mais rumorosos casos de júri no estado do Espírito Santo.

A obra ganhou uma nova edição, promovida pelo juiz federal Willian Douglas, que quando ainda era estagiário de direito recebeu um exemplar por empréstimo, lendo-o vorazmente, hipnotizado pela fantástica história de um competente criminalista.

Ao apresentar a obra, o juiz Willian Douglas, que já foi defensor de júri, assim escreve:

" A carreira na área criminal, junto com a diplomacia, é a responsável pelos maiores tribunos que a pátria logrou ter como filhos.

Doutrinadores, magistrados, advogados, a área criminal não sente falta dos melhores.

O júri, então, é o destino daqueles que conseguem somar aos predicados da ciência jurídica as habilidades da oratória, da emoção ao extremo e, dizem os detratores, a vocação para a arte teatral, como se isto fosse um demérito. A vida é arte, retrucaria um advogado de júri".

Quem tem vocação para ser advogado na área criminal não vai ter dificuldade em compreender a importância de O Criminalista, a simples leitura deste texto é o suficiente para lhe despertar a ansiosa vontade de lê-lo, porque sabe intuitivamente como se forma um advogado criminalista.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O principado da constância

Viveu em Tarauacá, no Acre, no início do século XX, um homem chamado Amin Kontar, que ao ser torturado inúmeras vezes para confessar um crime que não cometera, afirmava, entre banhos de sangue e clarões da consciência:

"Não foi eu e não sei quem foi".

Morreu torturado. O seu nome significa "Príncipe da Constância". "Não foi eu não sei quem foi".

Entendo por constância a contínua e estável disposição do espírito em manter-se firme na realização de um dever, de uma tarefa, de uma função, de um trabalho, de um ideal, de uma missão.

A constância é um dos atributos das verdadeiras instituições. Hoje elas são e amanhã elas continuarão sendo, embora passem os indivíduos.

Também a constância deve ser uma virtude cultivada pelo advogado, ou por qualquer outro profissional, que queira ser vitorioso. Essa virtude é responsável, em grande medida, pela credibilidade que um advogado desfruta.

Não adianta ele atender bem uma pessoa hoje, e amanhã, tomado por uma negatividade, tratá-la sem urbanidade.

Não adianta ele abrir o escritório hoje, e amanhã se encontrar fechado, devido a ressaca ou a preguiça do advogado.

Não adianta ele ter seu celular ligado hoje, e amanhã não atender a ligação com vergonha, medo ou constrangimento de ouvir as preocupações dos clientes.

O advogado verdadeiro deve ser constante na profissão. Constante na coragem, constante na independência, constante na ética, constante na dignidade, para sobrepujar os obstáculos e vencer as dificuldades. E a constância está bem relacionada com a vocação. Se alguém se encontra em nosso meio apenas "passando uma chuva", a consciência do dever e da responsabilidade fica enuviada.

A inconstância gera a desconfiança, a suspeita, a má fama, a superficialidade. A advocacia é uma instituição, que é hoje e será amanhã. E por ser uma instituição verdadeira é portadora de uma natural força dentro da sociedade. E cabe a cada um de nós nos firmamos no principado da constância, que tem como irmãs a perseverança, a persistência e a fidelidade, virtudes indispensáveis num profissional de sucesso.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A beleza da palavra ímpar

De vez enquanto fico contemplando alguma palavra que me chama a atenção, que me desperta sensações, que me transporta para um significado além dela mesma.

Ontem a noite, lendo o livro a Visão Tântrica, de Osho, comentando sobre as canções de Saraha, fundador do Tantra - um modo de viver espontâneo, alegre e natural - me concentrei, por uns instantes, na delicadeza da palavra ímpar.

Saraha canta: "Vendo a vida como um encanto ímpar".

Ímpar é algo belo e sem igual, é algo como uma individualidade exclusiva, original, singular, diferente de todas as outras coisas. É algo sem par, por isso que é impar.

E fiquei elaborando na minha imaginação expressões com a palavra ímpar.

Uma beleza ímpar.

Um olhar ímpar.

Um toque ímpar.

Uma mensagem ímpar.

Uma amizade ímpar.

Uma coragem ímpar.

Um advogado ímpar.

Um livro ímpar.

E assim me tornei um admirador ímpar da palavra ímpar.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Mestre de Si Mesmo

A busca pelo dinheiro, pelo poder, pelo prestígio, pela fama, pelo sucesso, é uma busca nanica em comparação à busca de se tornar Mestre de Si Mesmo.

Senhor de si, de suas emoções, de seus pensamentos, de seus sentimentos, de seus estados de espírito.

Ter o domínio da raiva, do ciúme, da inveja, de todas as coisas negativas que transitam em nosso interior diariamente, e que continuam, em um grau maior ou menor, nos subjugando, nos escravizando, nos avassalando, nos diminuindo.

Alguém já disse que a civilização é algo que ainda não aconteceu ao homem. Só quando o homem for imperador de si mesmo é que cessarão as guerras, as violências, as corrupções.

Os cárceres, os hospitais, os lugares de sofrimento que existem no mundo são resultados, em grande medida, da escravidão do homem por si mesmo.

Só a busca de ser mestre de si mesmo já torna o homem um ser mais consciente, um ser mais responsável. Imagine o dia em que ele alcançar tão grande triunfo.

O homem que anseia por ser rei de seu próprio mundo interior não está concentrado naquilo que é passageiro, momentâneo, ilusório.

Só o homem nessa sincera busca é que tem melhores condições de regar o jardim da consciência coletiva, ao regar o seu próprio, que está mais preparado do que outros para conduzir, liderar, dirigir as instituições humanas. O século XXI caminha nesse sentido, pois a roda da evolução nunca pára de girar.

Quanto mais a confraria desses homens de boa vontade for se expandindo, mas a terra se tornará um lugar propício para a construção do Reino do Eu Superior.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O toque mágico do haicai

Haicai é uma forma poética que tem como sua maior expressão as poesias de Bashô, que viveu no século XVII, no Japão.

É um toque instantâneo, cheio de percepção do presente. Sensibilidade, cor, brilho, enlevo.

Uma imagem com poucas palavras, concisão, objetividade.

Haicai de Bashô:

Uma lagoa

O sapo pula nela

Ploc.

Um haicai de Carlos Antonholi:

Pétala caiu

Se quis colori o chão

Fez bem, conseguiu.

O haicai exerce sobre meu espírito uma espécie de eloquente encanto. É mensagem cheia de gravidez poética, de sublimidade espiritual, é uma mensagem quase sem palavras, bem vizinha do silêncio, da telepatia com a natureza.

A mente precisa está serena para sentir a beleza de um haicai. Tudo em seu interior precisa encontrar-se em paz, sem ruído, para que você possa ver, sentir e ouvir.

Quietude

O barulho do pássaro

Pisando em folha verde.

Outro Haicai:

Florada de ipês!

Meu pai também se alegrava

Em tarde como esta." Taruko Oda

O haicai é uma linguagem poética superior, um toque mágico da criação humana, uma comunicação mais pelos sentimentos do que pelas palavras.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

As 3 coisas que um homem deve fazer

Desde muito pequeno escuto o ditado que diz que um homem deve fazer três coisas na vida, plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.

Plantar uma árvore é fácil.

Ter um filho fica por conta da natureza, que tece suas complexas engenharias na eterna movimentação da vida.

Já fiz as duas. Estou providenciando a terceira.

Ver seu livro ganhando vida é uma felicidade merecidamente incluinda entre as três coisas que um homem deve fazer.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O parto de um livro

Diz Reinaldo Polito, autor do best seller Como Falar Corretamente e sem Inibições, ao prefaciar a obra Você já Pensou em Escrever um Livro?, de Sônia Belloto, "que um dos projetos mais importantes que uma pessoa pode idealizar é escrever um livro".

É uma mistura de prazer e de dor; de altos e de baixos; de alegria e de tristeza; de ânino e de desânino. É a caminhada para que um filho venha à luz.

Entro nos últimos meses desta gravidez da mente, com o objetivo firme de apresentar o bendito fruto de uma idealização que a muito tempo embalava nos voos do meu pensamento.

Daqui para frente escreverei também alguns textos referentes a escrita, como tenho feito em relação a oratória. São duas artes da mais fina civilidade, que devem ser usadas em benefício da expansão da consciência humana.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Discurso de Paraninfo

Oratória por mim proferida, dia 14 de setembro de 2010, no Teatro Plácido de Castro, Teatrão, em Rio Branco-Acre, na cerimônia de colação de grau dos formandos do curso de direito da Uninorte/2010.

Ilustríssimo Diretor Executivo de Assuntos Acadêmicos da União Educacional do Norte - Uninorte, Professor Marco Antonio Brandão Lopes;

Ilustríssima Coordenadora do Curso de Direito da Uninorte, Professora Mirian Késia;

Caros formandos do curso de direito e queridos professores, familiares e amigos;

Senhoras e senhores;

Com felicidade e gratidão, por ter recebido a responsabilidade de ser paraninfo desta turma de brilhantes bacharéis, olhando para o céu, em busca de inspiração, para transmitir nesta noite tão especial, esqueci a fumaça ambiciosa dos homens, e contemplei a lua nova, carinhosamente acompanhada por uma estrela.

E tive a inspiração para trazer a primeira reflexão para todos nós, neste momento de solene comunhão de alegrias: a capacidade de vermos além. A capacidade de vermos além da fumaça ambiciosa dos homens, a lua nova, carinhosamente avizinhada por uma estrela.

Movido por uma saudável sede de conhecimento, busquei na Grécia conhecer o sentido de minha missão nesta noite galante. Pára Ninfa, paraninfar é pegar nas mãos delicadas de uma linda musa, e energizado pela sua encantadora beleza, conduzi-la até o altar dos deuses. E tive a inspiração para trazer a segunda reflexão para esta noite tão bela: devemos despertar em nós uma santa sede de conhecimento, e conduzir esta ninfa sedenta até o altar do saber, fonte de toda saciedade do intelecto e do espírito.

Ao escrever esta peça retórica para vós, ó felizes formandos, despojei-me de todo o sinal de negatividade, para receber e transmitir uma mensagem sincera e útil e a altura de uma colação de grau em direito. E me veio a inspiração para trazer a terceira reflexão para esta noite de lua nova, apesar da fumaça da inconsciência dos homens: sermos um ponto positivo. Sermos um ponto positivo na família, na profissão, na vida social, nos estudos, irradiando luz por toda parte, com pensamentos, sentimentos, palavras e atitudes benditas.

Termos a capacidade de vermos além. Despertar em nós a sagrada sede conhecimento.Sermos pontos positivos no Universo.

Além de tudo isso, não poderia deixar de falar numa quarta reflexão: vivermos na presença do Entusiasmo; a palavra, segundo os doutores da linguística, mais sonora da língua portuguesa, emm-tuu-sii-ass-moo. Que significa Deus dentro de nós. Quem tem Deus tem tudo! Com o entusiasmo o dinheiro vem, o sucesso aparece, e na expressão antiga dos latinos, a fama vagatur, e a fama voa cantando nossas vitórias.

Uma lembrança... caros bacharéis... jamais na patente de mestres, o dinheiro, o sucesso, a fama, mas na condição de obedientes servidores do bem. Essa é uma quinta reflexão. Mestre, só a Consciência, a virtude maior! Que faz curvar aos seus pés a mentira, a covardia, a injustiça, o fanatismo, a ignorância, os vícios, as parcialidades políticas, as maldades de todas as espécies.

E se alguém, ainda, me pedisse uma última reflexão para esta noite maravilhosa, eu diria: miremo-nos nos elevados exemplos de nossos antepassados.

Quando o grande Péricles, advogado e estadista grego ao ser insinuado para agir maliciosamente em favor de um amigo seu, em determinada demanda judicial, respondeu o magnífico tribuno:

- Amicus ad aras. Amigos, mas até a verdade!

Isso é um exemplo a ser seguido!

Quando um formando de direito consultou o famoso advogado e presidente americano, perguntando-o se era possível ser advogado e ser honesto ao mesmo tempo, Abraão Lincoln presenteou a todos nós com a seguinte resposta:

- Sim, amigo jovem, é possível ser advogado e honesto ao mesmo tempo. Mas no dia em que não conseguires ser honesto sendo advogado, deixe de ser advogado.

Isso é um exemplo a ser seguido!

Quando Rui Barbosa, ainda jovem, foi incentivado a falsificar sua certidão de nascimento com o fim de majorar sua idade para poder ingressar no curso de direito, ouviu do pai o seguinte conselho:

- Não hás de iniciar tua vida profissional, meu filho, com uma falsidade.

- E aquele menino prodígio, olhou para seu conselheiro e disse:

– Sim, senhor meu pai, não hei de iniciar minha vocação com uma falsidade.

Isso é um exemplo a ser seguido!

Quando todos se acovardavam em defender no tribunal, o Rei deposto, Luis XVI, na época do terror jacobino da Revolução Francesa, com medo das lâminas sanguinárias da guilhotina, eis que surgiu um destemido advogado, chamado Malesherbes, que aceitou fazer a defesa do acusado, e ao adentrar no Tribunal proferiu os imortais dizeres, olhando nos olhos de seus juízes:

- Trago a este Tribunal a verdade e a minha cabeça, poderão dispor da minha cabeça, mas não sem antes ouvir a verdade!

Isso é um exemplo a ser seguido!

Desejo a todos nós, e especialmente a vós, com o carinho do meu coração, ó prezados formandos, orando ao Grande Arquiteto do Universo:

Que possamos sempre ter a capacidade de vermos além, apesar da fumaça ambiciosa dos homens. A primeira reflexão.

Que possamos alimentar em nós a divinal sede de conhecimento. A segunda reflexão.

Que possamos resplandecer positividade para o mundo das leis. A terceira reflexão.

Que possamos contar sempre com a presença salvadora do Entusiasmo, o condutor da nossa felicidade! A quarta reflexão.

Que possamos ter a virilidade de consciência para nos mantermos firmes nas virtudes tradicionais de nosso ofício. A quinta reflexão.

Que possamos nos mirar nos exemplos dos grandes nomes que agigantaram e dignificaram nossa história. A sexta reflexão.

Sintamos todas essas reflexões olhando para o nosso céu, o nosso céu de fora e o nosso céu de dentro, nesta noite de saborosa alegria, pois sabemos que para além da fumaça da inconsciência dos homens, existe a lua nova, carinhosamente acompanhada por uma estrela, renovando com serenos de luz, o nosso presente e as nossas lágrimas e as nossas vibrações e preparando-nos para o gracioso amanhã que nos aguarda – que é fruto do hoje - um amanhã com poeticidade, um amanhã amoroso, um amanhã reavivado pela potência dos nobres ideais.

Muito obrigado.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Como se ler um discurso

Como paraninfo da Turma de Direito da Uninorte, que colará grau neste dia 14 de setembro de 2010, no Teatro Plácido de Castro, as 8:00, em Rio Branco Acre, tive a oportunidade de estudar melhor como se elabora um discurso escrito, e qual a melhor forma de lê-lo - o que é aconselhável nessas ocasiões solenes, trazendo segurança e precisão para a mensagem e evitando os possíveis constrangimentos das improvisações.

Praticamente todos os manuais de oratória reservam um lugar especial para falar a respeito do discurso lido. Já ouvi alguém dizer - me parece que foi Léo da Silva Alves, no livro A Arte da Oratória - que 80% de um discurso de improviso se constitui de inutilidades.

Um discurso preparado, planejado, elaborado com antecedência é acima de tudo um respeito para com os ouvintes. E em algumas ocasiões, como dito, deve esse discurso ser lido, e em outras, não, pode-se seguir um roteiro, um esquema, um plano.

Claro que em muitas situações da vida falaremos de improviso, mas o improviso deve ser deixado para tais situações.

São praticamente unânimes os conselhos dos comunicadores a respeito de como se ler um discurso.

No discurso lido devemos manter contato visual com os ouvintes, em momentos estratégicos da mensagem. Geralmente, mas nem sempre, o início dos parágrafos e os finais, os momentos de maior impacto da mensagem, devem ser feitos olhando para plateia, de forma ampla, prestigiando a todos.

Os gestos devem ser comedidos. Leves movimentações do corpo são aconselháveis. O discurso escrito deve ser segurado com as duas mãos, só afastando uma quando for utilizá-la para a realização dos gestos.

A variedade da voz talvez seja o grande segredo do discurso lido, o que fixa, o que encanta. O tom, o volume, o ritmo devem ser alternados. Claro que o conteúdo e os gestos devem acompanhar a qualidade de uma voz bem treinada para falar.

No texto escrito podem ser usados, a seu critério, cores ou outros sinais indicando o momento de uma ênfase, de uma pausa, de um olhar para a plateia. As letras devem ser legíveis e as páginas enumeradas.

Essas são as recomendações gerais para se ler com competência um discurso, lembrando que não existem regras fixas em oratória, cada orador adiciona às ocasições seu estilo próprio, seu talento, às vezes até contrariando todas as regras, e se saindo muito bem, mas isso fica para os melhores.

Por fim, o treino é outro segredo dos campeões. Treinar o discurso na frente do espelho, gravá-lo e depois observá-lo, isso até sentir segurança para proferi-lo com todos os ingredientes da boa oratória.

No dia 15 de setembro o discurso que farei aos formandos em direito estará reproduzido neste espaço.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Estar preparado para concretizar ideais

Muitos são nossos sonhos, muitos são nossos ideais, nossos planos.

E para concretizá-los, as oportunidades só aparecerão quando estivermos preparados, pois somos nós que as fazemos, que as atraímos com as nossas energias, com as nossas vibrações positivas.

Não basta uma insossa vontade, um querer débil, uma disposição preguiçosa, uma paciência superficial, uma dedicação pela metade, um planejamento só no papel, um entusiasmo momentâneo.

Adicione vida e vigor à vontade, ao querer, à disposição, à paciência, à dedicação, ao planejamento, ao entusiasmo e estaremos prontos para materializar nossos ideais.

É trabalhoso, requer transpiração, exige perseverança. No caminho aparecem os espinhos, os obstáculos, os refluxos. Mas existem para ver se realmente estamos firmes, preparados para ultrapassá-los, vencê-los, para depois vermos a glória de um sonho realizado.


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Falar com virtude

Por esses dias, conversando com o talentoso artista plástico Enilson Amorim, ilustrador de meu livro - que em breve virá à luz - ele me falou que quando uma pessoa prega eloquentemente, na sua Igreja, a Congregação Cristã no Brasil, se diz que esse pregador fala com virtude.

Falar com virtude é falar a verdade, tornar a palavra instrumento do bem, tocar o coração dos ouvintes com sábios ensinamentos, ser uma flauta soprada pela inspiração de Deus.

Virtude vem do latim, virtus, que significa força viril, a força galante capaz de criar, de mudar, de transformar, de reproduzir.

O homem eloquente, o homem que fala com virtude, é um homem ungido por uma força superior, capaz de convencer por suas palavras e encantar pelos seus exemplos.

Quanto mais uma pessoa cresce em espiritualidade, mais ela cresce em virtudes. Quanto mais ela se conhece, se descobre, se examina, mais cultiva a força viril do espírito, transformando-se num homem de verdadeira autoridade.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O querer e a inspiração

Quero escrever algo. A inspiração não vem.

Mas quero. Sem inspiração?

Vou escrever a respeito disso, já é uma inspiração, porque quero escrever alguma coisa.

O querer é poder. Já me sinto mais inspirado para escrever o que estou escrevendo.

Caminho aberto com a força do querer.

Com o querer a inspiração surge. Mas ainda a pouco - acabo de apagar - pensava que nada podia escrever sem a inspiração.

Mas agora vejo que o querer abre as portas da inspiração.

Às vezes você não está inspirado nem para querer. Mas se resolver querer querer, a inspiração jorrará como fonte abençoada. O querer é a chave.

Querer perdoar.

Querer sair da negatividade.

Querer ter ânimo.

Querer fazer.

Querer é uma atitude, uma disposição do espírito, um poder interior. Quando se quer verdadeiramente o homem encontra dentro de si mesmo todas as inspirações necessárias para vencer os obstáculos.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Capaz de humilhar reis

Idealista, forte, valente, leal, justo. Assim se diz que foi Rodrigo Vivar, chamado de El Cid, O Senhor, lendário guerreiro que viveu na Espanha do século XI.

No Decálogo do Advogado, escrito pelo jurista Ives Granda da Silva Martins, conhecido membro da Opus Dei, encontramos uma bela comparação entre El Cid e o advogado.

"Quando autoridades violentam o direito, não tenhas receio de denunciá-las, mesmo que perseguições decorram de tua postura e os pusilânimes te critiquem pela acusação. A história da humanidade lembra-se apenas dos corajosos que não tiveram medo de enfrentar os mais fortes, se justa a causa, esquecendo ou estigmatizando os covardes e os carreiristas. O advogado deve ter o espírito do legendário El Cid, capaz de humilhar reis e dar de beber leprosos".

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Poeticidade

Poeticidade, estado fino dos que veneram a vida.

Não a poeticidade dos lúgubres.

Mas a poeticidade dos vívidos.

Que vibram com a aurora.

Que saúdam o sol.

Que dançam com a lua.

Que assobiam com os passarinhos.

Que tocam a flor.

Que contemplam as estrelas.

Que conversam com as árvores.

Que sentem o vento que os embalam nas redes.

As cigarram cantam no entardecer.

Um sapo. Cok, cok, cok...

Milhares de Kriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.

Cok, cok, cok.

Um sorriso. Divina melodia.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Advocacia é jeito

Muitas situações na vida do advogado são resolvidas com jeito.

E o que se entende por jeito? Jeito é uma maneira leve e diplomática de resolver as coisas. Às vezes dando o anel para não perder os dedos, cedendo no acessório para não perder no principal.

Só com o tempo o advogado vai adquirindo jeito, tato, habilidade no exercício profissional. Vejo que o jeito é algo importante em todas as profissões. Diariamente precisamos de jeito para vivermos melhor.

Agora, duas coisas são importantes: jeito não é jeitinho; jeito não é covardia.

Jeitinho é uma palavra corrompida, não é diminutivo de jeito, jeitinho adentra no campo da ilegalidade, ou quando menos, no campo da imoralidade.

Jeito não é covardia, ou aceitação de qualquer encaminhamento que diminua a advocacia, sua independência, suas prerrogativas, sua dignidade profissional.

Jeito é uma forma legal, dialogada, ética, pacífica, flexível, madura e fraterna de se viver. É nesse campo de compreensão que se afirma que a advocacia é jeito.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Ouvindo vendo: a arte da hipotipose

Tem sido comum o uso de recurso audiovisual para ilustrar apresentações, tornando-as mais atraentes e persuasivas.

Em alguns casos, o mal uso do data-show tem atrapalhado a performance do apresentador, pelo excesso de informações e imagens, já que o ouvinte precisa voltar sua atenção, concomitantemente, para o que é exibido e para o que é falado.

Assisti a inúmeras palestras de cultos cientistas da área do direito no 16º Seminário Internacional de Direito Criminal - IBCCRIM, um dos eventos mais importantes da área penal na América Latina, prestigiado mundialmente. Quase todos os palestrantes usaram o projetor multimídia em suas exposições. No geral, foram excelentes os trabalhos, à exceção daqueles que apenas se tornaram meros leitores de slides, coadjuvantes e não protagonistas de suas apresentações.

Vale lembrar que o talento retórico, a capacidade de dizer, não pode ser substituído por um retroprojetor. Um dos momentos mais altos do conclave foi a palestra intitulada Reflexões Sobre a Pena de Morte, de Sandra Babcok, advogada americana de presos sentenciados a pena de morte, nos Estados Unidos e em outras parte do mundo. Sem nenhum instrumento audiovisual, ela emocionou a todos, com sua oratória cativante, colocando imagens mentais bem diante de nossos olhos.

Isso é conhecido em retórica como hipotipose, ou seja, uma narração ou descrição feita em cores tão vívidas, tão vibrantes, tão emocionantes, que os ouvintes ou os leitores têm a sensação de presenciarem os acontecimentos pessoalmente. Ouvem vendo mentalmente o que o orador ou o escritor estão dizendo.

Não se trata aqui de desprezar os instrumentos modernos que enriquecem as apresentações; são úteis e devem ser usados com conhecimento, e também com consciência, para não ficarmos deles reféns. A hipotipose, figura retórica da mais alta relevância, deve ser desenvolvida pelo orador, pois é um recurso natural dos mais finos na arte de persuadir, que quando bem trabalhado dispensa qualquer imagem ou texto criado no PowerPoint.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Diante do Conhecimento!

Quando entrei numa enorme livraria fui reportado às lembranças da Biblioteca de Alexandria. Milhões de livros, em todas as áreas do saber humano. Quanta magnificência! Senti-me um humilde conhecedor de nada.

Mas essa sensação me fez ouvir as palavras do mestre grego: "Só sei que nada sei". Ri de mim mesmo, ri de muitos. Quanta ignorância pensar que se sabe de tudo! Perdoai-nos, Senhor, somos ainda inconscientes".

Fico às vezes a sentir quanto sofrimento há nas almas que têm sede de conhecimento. Quando encontrarão o que buscam? Que jornada sofrida, mas nobre!

Ao entrar em um Templo vejo a frase esculpida do Cristo: "Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará". É água para saciar a sede, para limpar a alma, para purificar a vida. Diante de ti, ó Conhecimento, ergo meus olhos e anseio tuas águas, tão saciantes e tão límpidas, tão prazerosas e tão angelicais!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A pobreza é o lar do crime

Assistindo a uma palestra, por esses dias, em São Paulo, a respeito do sistema carcerário no mundo todo, no 16 Seminário Internacional do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais - IBCCRIM, o palestrante provou, com estatísticas reconhecidas pela ONU, que a pobreza é o lar do crime.

Quanto mais pobre um lugar mais crimes existem ali. Isso nós já sabíamos. A novidade é que a sociologia criminal nos apresentou esse drama de forma científica. Claro que o expositor falou apenas de uma das faces da pobreza, nos 194 países do planeta, que leva à criminalidade.

Ricos também não cometem crimes? Não, os verdadeiros, não! O crime é sempre fruto da pobreza. Quando um rico comete um crime só revela a sua pobreza interior, sua falsa condição de riqueza.

Tanto a pobreza material quanto a pobreza espiritual são as genitoras do crime. Quando o homem cresce em consciência, cresce na verdadeira riqueza, e a escuridão, a grosseira ou a sutil, que leva ao crime, vai sendo iluminada pela divina presença em nós do Eu Superior.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Sincronicidade consciencial

Muitas vezes o diálogo entre as pessoas não flui, é travado, é desconfortante. Ficar entre pessoas com as quais não há identificação é algo muito próximo do desespero.

Krishnamurti, grande sábio do século XX, no seu livro A Primeira e Última Liberdade, esclarece que o diálogo entre as pessoas que não conservam entre si um certo grau de afeição é extremamente difícil. Para que a comunicação genuína se realize é preciso que haja aproximação de valores, de ideias, de buscas, de sonhos.

Em relação aos livros é a mesma coisa. Entre o leitor e a obra deve existir uma espécie de sincronicidade consciencial. É assim que vejo o gosto que tenho pelo pensamento de Krishnamurti porque me ensina a me amar mais, a me conhecer mais, a revolucionar meu mundo inteiror, a cultivar a liberdade em todos os seus aspectos.

Krishnamurti foi grande orador, tendo sido educado para ser o instrutor do mundo. O caminho que nos aponta é o do autoconhecimento. No alto conhecimento nossa capacidade de comunicação se sublima, alcança o céu, e nossas palavras se tornam verdadeiras, honestas, autênticas, impactantes, benditos instrumentos de orientação e salvação para todos aqueles que procuram.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

As sutis dimensões do homem

Comprei por esses dias o livro Ouvir Estrelas, de Mariza Gualano, catálogo de centenas de frases de efeito que foram pronunciadas no cinema ao longo dos tempos envolvendo diversos assuntos.

Como não podia deixar de ser, muitas frases pejorativas no que diz respeito ao advogado. Mas isso é compreensível. Grandes homens, grandes profissões são quase sempre mal interpretados.

Desde quando decidi ser advogado, decidi também ver minha profissão pelo lado positivo, pelo seu lado digno, pelo seu lado essencial.

Dentre as frases citadas no livro, uma de James Stewart, no filme Anatomia de um Crime:

"Como advogado, aprendi que as pessoas não são boas ou más: as pessoas são muitas coisas".

A advocacia é uma das proifssões que permite visualizar, sem maniqueísmo, não só o lado bom ou mau do ser humano, mas suas nuanças, sua relatividade, suas sutis gradações.

Perceber os opostos em situações evidentes, não é lá essas grandes coisas. A superioridade de consciência consiste em discernir uma coisa da outra quando elas praticamente não apresentam diferenças, Onde ilusão e realidade só são separadas uma da outra pela acuidade do espírito.

"Yo soy yo y mi circunstancia". Essa frase de ouro do filósofo espanhol Ortega e Gasset, em muito esclarece as diversas dimensões que um homem pode conter. E o advogado, no contato diário com essas dimensões só pode dizer que as pessoas não são apenas boas ou ruins, mas muitas coisas, são múltiplas, a depender das circunstâncias. Diz o advogado Angel Ossório que "en cada hombre cabe todo lo malo y todo lo bueno". E também todas as combinações possíveis.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Dia do Maçom

Dia 20 de agosto é dia do Maçom, nome forte, misterioso, salomônico. Homem livre e de bons costumes, que ergue templos à virtude e cava masmorras ao vício. Astronauta do seu universo interior. Arquiteto de seu próprio ser. Leva na sua alma a bandeira da Igualdade, da Liberdade e da Fraternidade.

Tantos homens célebres, tantas glórias históricas. Na filosofia, na ciência, na poesia, na arte, no direito, no empreendedorismo, na política, na espiritualidade, a marca dos melhores. Voltaire, Victor Hugo, Benjamin Franklin, Goethe, Allan Kardec, Bethoven, Henri Ford, Pestalozzi, Abraham Linconl, Chaplin, Jung, Houdini, Walt Disney, Louis Amstrong, Freud, Tagore, Vivekananda, Tiradentes, Francis Bacon, Galileu, Simon Bolívar, José Martí, Churchil, Luther King, George Washington, Garibaldi, Mozart, Fernando Pessoa, Kant, Montesquieu, Waldo Emerson, Shakespeare, Robespierre, Danton e tantos e tantos nomes que foram condutores da humanidade.

Tantos advogados brasileiros de ponta. Rui Barbosa, Montezuma, Evaristo de Moraes, Luis Gama. Deste último, algumas palavras. Advogado dos escravos, libertou mais de 1.500 usando o instrumento do hábeas corpus, o esquadro do mundo jurídico. Foi o Spártacus da abolição da escravatura. O orador destemido e profundo. Advocacia, Oratória e Maçonaria uniram-se ao homem fazendo-o cumprir sua missão.

Intolerância, supertição, vício, fanatismo, para isso tudo, o remédio do conhecimento, da sublime razão. Do constante lapidar da pedra primitiva, o aparecimento do sábio, do belo, do forte, do bom, do justo. Na busca da Pedra Filosofal, do Elixir da Longa Vida, da Panacéia, do "Santo Grau", segue o franco-maçom, no coração guardando segredos, no universo contemplando mistérios, espanhando luzes, semeando a paz.

Universal, perene, no Hino, uma verdade: "Nobres inventos não morrem, vencem do tempo a porfia, há de os séculos afrontar a pura Maçonaria".

Palmas...! Taças...! Abraços...! Sorrisos...! Brilha o manto de Salomão...! Um brinde nesse dia de luz!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O advogado da liberdade africana

Ao abrir minha agenda jurídica, ao raiar do dia, com um café na mão, uma mensagem do grande advogado da liberdade africana, Nelson Mandela:

"Uma boa cabeça e um bom coração é sempre uma formidável combinação".

Inteligência e sensibilidade. Razão e emoção. Duas gigantes faculdades do espírito humano em plena harmonia, em plena complementariedade.

Sem conflitos, sem guerras interiores. Em concórdia.

Apenas na superfície elas aparentam ser contrárias. Quanto mais o homem mergulha na verdade de seu ser mais percebe a unidade viva que existe entre elas.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Picos e Vales

A vida é assim, tem altos e baixos.

Por indicação do doutor Élcio Sabo Mendes Júnior, juiz da Vara da Auditoria Militar, li o livro Picos e Vales, do psicólogo Spencer Johnson, escritor com mais de 40 milhões de livros vendidos em diversos idiomas.

Doutor Élcio foi o magistrado que presidiu o primeiro júri que fiz. Havia muita resistência em deixar estagiário sustentar razões orais nesse tipo de julgamento, embora a lei permitisse, quando acompanhado de advogado. Mas doutor Élcio autorizou minha atuação, e dali em diante as portas se abriram para todos os estagiários exercerem mais livremente o seu direito. A permissão para eu atuar virou uma espécie de "jurisprudência consolidada" do júri, e foi para mim um triunfante início de carreira.

Aquele momento foi um dos picos da minha vida: realizei meu grande sonho, estava falando diante do júri, como personagem de um filme americano, algo bem glorioso. O caso era grave, até hoje tramita nos tribunais. O réu foi absolvido.

Fui ao cume. Momento inesquecível. Um presente celestial.

De lá para cá estive em muitos vales. Mas como o livro ensina "descubra o bem que jaz oculto no momento ruim e aproveite-o sem demora em benefício próprio".

De lá para cá estive em muitos picos. Mas como o livro ensina "seja humilde e agradecido e prepare-se para os vales que virão".

Picos e vales, vales e picos, fazem parte da eterna peregrinação da vida humana na terra. E um livro que fale, de forma tão simples e tão bela e tão rica, de como viver de um jeito mais sábio e mais natural, nessas alternadas e momentâneas situações da existência, sempre vem em auxílio daqueles que o leem.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Acácia Amarela

Ela é tão linda é tão bela

Aquela acácia amarela

Que a minha casa tem

Aquela casa direita

Que é tão justa e perfeita

Onde eu me sinto tão bem

Sou um feliz operário

Onde aumento de salário

Não tem luta nem discórdia

Ali o mal é submerso

E o Grande Arquiteto do Universo

É harmonia é concordia, é harmonia é concórdia.

Luiz Gonzaga e Orlando Silveira

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O advogado e o cliente

Uma das questões de maior complexidade na vida profissional do advogado é a convivência com o cliente, pois envolve uma alta dose de conflituosidade.

Muito da paz, da fama, do sucesso, da prosperidade do advogado depende do cliente que ele tem.

Não basta apenas o advogado escolher bem a causa, tem que saber escolher bem o cliente.

Evite, como regra geral, por melhor que seja uma demanda, clientes criadores de casos, mentirosos, transtornados, negativos. Eles são um veneno para sua alma. O dinheiro que você ganha nesses casos, você perde depois. Com tanto desassossego, você chega a devolver honorários advocatícios para reconquistar a paz perdida. E além disso ainda corre o risco de se ver envolvido em lítigios com o cliente.

Muitos talentos profissionais se perdem nesta complexa relação. É preciso tato, sensibilidade, inteligência, maturidade, perspicácia para saber escolher, não só o direito certo a defender, mas também o cliente certo a acompanhar.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Dia do Advogado

Neste dia 11 de agosto, tão belo dia, ganhei de presente de meus sublimes filhos uma singela estátua da deusa Têmis.

Três perguntas logo eles me fizeram, ao me ver contemplando a famosa imagem.

A primeira pergunta: "Por que o nome dessa mulher é Têmis?"

Pensei um pouco e respondi-lhes: "Têmis vem de temor, quem pratica injustiça deve temer a força da Justiça, que é certa, vem no momento devido e do tamanho que é pra ser. Têmis é uma deusa temida para aqueles que não a respeitam".

E com voz grave disse-lhes, repentinamente, assustando-os: "Temeis as consequências de teus injustos atos!"

A segunda pergunta: "Por que Têmis é chamada de deusa, já que só existe Deus".

Expliquei-lhes "que Deus é todo poderoso, toma a forma que quiser; de uma mulher, de uma árvore, de um pássaro, de um rio, de uma flor, de uma criança. Deus é tudo o que existe no Universo".

E a terceira pergunta: "E o que é Justiça, pai?"

"É um sentimento nobre que faz com que a gente dê a cada um o que é de cada um. É a virtude maior dos homens de bem. Quem é justo é inteligente, é generoso, é confiável, é independente, é bonito, carrega o divino no coração".

Ser justo é o que o advogado deve ser. No seu caminho, nem o pérfido partidarismo, nem as sutis simpatias, nem as perversas injunções, nem as vis ameaças, nem as condenáveis covardias, poderão barrar a consciência de um honrado advogado na luta pela justiça. Isso pra mim é ser autenticamente um Advogado!

Parabéns aos advogados do Brasil, e especialmente a todos os advogados acrianos! Celebremos este augusto dia lembrando que nossa profissão é tão alta que o nosso destino é tocar as estrelas.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A pedra filosofal

A pedra filosofal é a consciência divina de cada pessoa. Ao lapidar a pedra bruta da raiva, do ciúme, da inveja, da ganância, do fanatismo, da ignorância, o homem vai arquitetando seu templo inteiror e descobrindo sua natureza mais elevada de filho de Deus.

No trabalho incessante de desbastamento da pedra primitiva, o ser começa a brilhar mais, a perdoar mais, a sorrir, a louvar a vida, a se diamantizar, a tranformar a energia destrutiva em poderosa força criativa.

As tensões diminuem, os conflitam vão cessando, o homem fica mais e mais senhor de si, mais calmo, encontrando beleza em pequenas coisas. A vida se torna um presente, uma benção, uma graça, um tesouro.

Esse deve ser o trabalho dos novos alquimistas do século XXI, que a partir de uma revolução interior conseguirão ver o paraíso cada dia mais próximo de si.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A calma

Do livro Diário de um Maçom, de Paulo Valzachi:

"A calma é um dos atributos especiais das pessoas sensatas, afinal é o tempo específico para que tudo passe pelo crivo da razão antes de chegar a ação.

Manter-se neste estado é indispensável em momentos de crise e, uma vez nesse estado e colhendo os frutos dessa sabedoria, você terá alcançado o sucesso".

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Dinheiro é bom, mas...

Todos nós sabemos da importância que tem o dinheiro em nossa vida, argumentar em torno é cair no campo da obviedade.

Não devemos condenar o dinheiro como coisa do diabo, nem pensarmos que é coisa de rico corrupto, como compreendem alguns. Com o dinheiro devemos manter uma relação de respeito, utilizando-o sempre em ações positivas.

Vale lembrar a lição: do dinheiro você não é o servo, é o mestre.

Fala-se que advogado só pensa em dinheiro, que são carniceiros, avarentos e quejandos. Existem sim advogados desse jeito, mas sabemos que não é só na advocacia. O problema reside na formação moral de cada indivíduo.

Quanto mais elevação ética e espiritual tiver o profissional menor será a servidão de sua alma ao dinheiro. Verá ele que a paz, a consciência tranquila, seu bom nome, tem tanto valor quanto o dinheiro; não quer este último em detrimento dos primeiros.

Assim aconselha Benetido Calheiros Bomfim, um dos mais provectos advogados brasileiros, em seu livro Conselho aos Jovens Advogados:

"Ressalta o Código de Ética da OAB, em seu intróito, que cumpre ao advogado exercer a advocacia com despreendimento, jamais permitindo que o anseio de ganho material sobreleve à finalidade social de seu trabalho, devendo aprimorar-se no culto dos princípios éticos e da ciência jurídica, de modo a tornar-se merecedor da confiança do cliente e da sociedade como um todo, pelos atributos pessoais e pela probidade profissional".

Também consta no Código de Ética do Advogado o dever de preservar, em sua conduta, a honra, a nobreza, a veracidade, a honestidade, a lealdade, a boa-fé, o decoro e a dignidade de sua profissão.

Agindo dessa maneira, o ganho material que advier de nossa profissão virá livre das vibrações horrorosas da ganância e da perfídia, e nossa consciência poderá repousar serenamente na rede de nosso lar.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A inclinação

Já dizia um grande filósofo que a inclinação é algo misterioso.

E o que é inclinação? É o pendor, a propensão, a tendência, a simpatia, a atração.

Por que certas pessoas tem inclinação para a música enquanto outras a tem para o comércio?

Umas para a arte e outras para a ciência?

Umas para ser isso e outras para ser aquilo?

É realmente algo misterioso. Isso faz parte da diversidade, da riqueza da existência, onde todos somos iguais e ao mesmo tempo diferentes.

Dizia Padre Antonio Vieira, no V Sermão da Quaresma:

"Os corações também têm orelhas: estai certos que cada um ouve não conforme tem os ouvidos, senão conforme tem o coração e a inclinação".

O orador, para ser bem-sucedido, há que ter a sensibilidade para perceber a inclinação do seu ouvinte, e temperar sua mensagem com essa misteriosa força que move o espírito humano.