terça-feira, 14 de setembro de 2010

Como se ler um discurso

Como paraninfo da Turma de Direito da Uninorte, que colará grau neste dia 14 de setembro de 2010, no Teatro Plácido de Castro, as 8:00, em Rio Branco Acre, tive a oportunidade de estudar melhor como se elabora um discurso escrito, e qual a melhor forma de lê-lo - o que é aconselhável nessas ocasiões solenes, trazendo segurança e precisão para a mensagem e evitando os possíveis constrangimentos das improvisações.

Praticamente todos os manuais de oratória reservam um lugar especial para falar a respeito do discurso lido. Já ouvi alguém dizer - me parece que foi Léo da Silva Alves, no livro A Arte da Oratória - que 80% de um discurso de improviso se constitui de inutilidades.

Um discurso preparado, planejado, elaborado com antecedência é acima de tudo um respeito para com os ouvintes. E em algumas ocasiões, como dito, deve esse discurso ser lido, e em outras, não, pode-se seguir um roteiro, um esquema, um plano.

Claro que em muitas situações da vida falaremos de improviso, mas o improviso deve ser deixado para tais situações.

São praticamente unânimes os conselhos dos comunicadores a respeito de como se ler um discurso.

No discurso lido devemos manter contato visual com os ouvintes, em momentos estratégicos da mensagem. Geralmente, mas nem sempre, o início dos parágrafos e os finais, os momentos de maior impacto da mensagem, devem ser feitos olhando para plateia, de forma ampla, prestigiando a todos.

Os gestos devem ser comedidos. Leves movimentações do corpo são aconselháveis. O discurso escrito deve ser segurado com as duas mãos, só afastando uma quando for utilizá-la para a realização dos gestos.

A variedade da voz talvez seja o grande segredo do discurso lido, o que fixa, o que encanta. O tom, o volume, o ritmo devem ser alternados. Claro que o conteúdo e os gestos devem acompanhar a qualidade de uma voz bem treinada para falar.

No texto escrito podem ser usados, a seu critério, cores ou outros sinais indicando o momento de uma ênfase, de uma pausa, de um olhar para a plateia. As letras devem ser legíveis e as páginas enumeradas.

Essas são as recomendações gerais para se ler com competência um discurso, lembrando que não existem regras fixas em oratória, cada orador adiciona às ocasições seu estilo próprio, seu talento, às vezes até contrariando todas as regras, e se saindo muito bem, mas isso fica para os melhores.

Por fim, o treino é outro segredo dos campeões. Treinar o discurso na frente do espelho, gravá-lo e depois observá-lo, isso até sentir segurança para proferi-lo com todos os ingredientes da boa oratória.

No dia 15 de setembro o discurso que farei aos formandos em direito estará reproduzido neste espaço.

Um comentário:

eliane disse...

Bom dia, Sanderson,
Compartilhamos da mesma opinião, acho discurso lido, muito respeitoso para quem ouve, afinal grandes oradores já passaram pelo aqueles terriveis momentos de branco total.
Um Abraço!