quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O juri sob todos os aspectos

Dizia o promotor Roberto Lyra, um dos maiores tribunos forenses da história do Brasil, que "ninguém pode se considerar um informado a respeito do Júri sem ter lido Rui Barbosa". Obras clássicas do direito, da advocacia, do júri, foram legadas à posteridade pela mente brilhante daquele que ficou conhecido como a Águia de Haia.

Dentre as obras clássicas fundamentais da literatura do júri está o livro de Rui Barbosa, O Júri Sob Todos os Aspectos, obra rara, não mais editada, que só os que militam na instituição com mais profundidade conhecem. A introdução do livro - que é uma coletânea de textos sobre a teoria e a prática do júri - é feita pelo renomado orador Roberto Lyra.

Para mim, o maior mérito da obra é revelar a verdadeira natureza do júri. Quem entende a natureza do júri, e adequa sua atuação profissional em conformidade com ela, passa a desfrutar de um enorme segredo capaz de levá-lo a cumes altos da atuação profissional.

E para conhecer a natureza do júri é preciso saber da sua história, da sua razão de existir, da sua origem, como tribunal não só jurídico, mas político, no sentido de representação popular; não só legal, mas moral, na medida em que espelha o senso de justiça dos cidadãos inseridos na sociedade. É um tribunal que não está amarrado aos burocráticos meandros de um código, pois decide conforme os ditames de sua consciência.

O júri está além das leis, das doutrinas, das jurisprudências, podendo dispensar todas para fazer valer seu voto de consciência. A própria Constituição consagra como um dos seus princípios a soberania de seus veredictos. Escreveu Rui Barbosa: "A soberania de consciência dos jurados é exercida sem que nenhum poder na terra possa lhe tomar contar".

O artigo 472 do Código de Processo Penal diz que "Formado o Conselho de Sentença, o presidente, levantando-se, e, com ele, todos os presentes, fará aos jurados, a seguinte exortação: Em nome da lei concito-vos a examinar esta causa com imparcialidade e a proferir vossa decisão de acordo com a vossa consciência e os ditames da justiça. Os jurados, nominalmente, chamados pelo presidente, responderão: Assim o prometo".

Tão forte defesa fazia Rui Barbosa do Tribunal do Júri que deixou gravadas em lapidares letras o imortal comando a todos os homens de espírito cívico, republicano e democrático para que ficassem alerta quanto aos ataques dos tiranos à instituição: "Sentido, senhores! Quando o tribunal popular cair é a parede mestra da justiça que ruirá! Pela brecha hiante vasará o tropel desatinado e os mais altos tribunais vacilarão no trono da sua superioridade!"

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Diferença entre retórica, oratória e eloquência

Não é incomum o debate a respeito da diferença que existe entre oratória, retórica e eloquência. Ao longo do tempo fui construindo a minha própria compreensão, não querendo dizer com isso que ela está pronta e acabada, mas venho me satisfazendo e aperfeiçoando esse entendimento.

Esses três termos, retórica, oratória e eloquência, podem ser usados como sinônimos, sem nenhum problema, o dicionário Houaiss traz assim, precisando apenas que, aquele que assim faz, esclareça aos ouvintes ou aos leitores que se optou em empregá-los no mesmo sentido, com um mesmo verbete.

A retórica, a oratória, a eloquência todas fazem parte da arte de falar bem, da arte de bem dizer. O re de retórica, o ora de oratória, e o loquen de eloquência, são termos que significam dizer, orar, falar.

Mas se queremos diferenciá-las podemos fazer da seguinte maneira.

A oratória se refere ao conjunto de técnicas, gestos, maneiras, formas de dizer, que podem ser adquiridas por intermédio de cursos, de leituras, de práticas. Ela é indispensável para quem almeja ser um grande comunicador.

A retórica se refere mais a argumentação sólida do conteúdo, à associação e à disposição das ideias, a força da lógica, da dialética, que também se adquire com muita leitura, exigindo amplo e profundo conhecimento. É imprescindível porque é ela que dá substância e impacto na comunicação.

A eloquência se refere ao carisma, ao dom, a bela voz, a boa presença, a espirituosidade, a expressividade da alma de um indivíduo, que faz com que suas palavras tenham uma misteriosa sedução, um tremendo efeito. Não podemos dizer que ela pode ser conquistada em cursos ou com leituras, ela é um presente de Deus. É a bela essência do verbo encantado.

Todas elas se interconectam fazendo parte de uma só ciência, de uma grandiosa ciência, que ora chamamos de oratória, ora de retórica, ora de eloquência.

Muitos manuais podem até explicar de outra maneira as nuances entre as palavras referidas, mas venho me dando por satisfeito com essa compreensão que tenho, solidificando-a em anos de estudos teóricos sobre a matéria, e com a constante prática da palavra ao longo do tempo em movimentos estudantis, culturais, eclesiais, políticos, sindicais, em comícios, passeatas, palestras, apresentações, salas de aulas, tribunais do júri e outros tribunais.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O sábio Arquimedes e a defesa no júri popular

Arquimedes foi um sábio da Antiguidade, físico e matemático, tendo nascido em Siracusa, no século III a.C., hoje cidade que faz parte da Itália. A mesma cidade de Córax, o grande advogado criador da retórica.

Disse Arquimedes: "Dê-me um ponto de apoio e uma alavanca que eu moverei o mundo". Deixando de lado as explicações científicas da frase, trago-a para ser ilustrada na construção da defesa no tribunal do júri.

Dê-me é o advogado falando, o advogado competente. O ponto de apoio é a prova, muitas vezes ocultas aos olhos de quem não sabe ver. A alavanca é a oratória, o instrumento indispensável. E o moverei o mundo é a vitória prometida.

Sem provas seguras, capazes de fundamentar e apoiar uma tese, não existe oratória forte. A força da oratória no júri só pode alavancar uma defesa e torná-la vitoriosa se ela tiver cimentada em bases seguras de provas. Só assim a alavanca pode funcionar.

No entanto, não adianta também, muita coisa, um processo com boas provas se o advogado não for capaz de manejar adequadamente a alavanca. O mundo só será movido, a defesa só será triunfante, quando houver pontos de apoios seguros e uma alavanca forte e bem utilizada por um trabalhador habilidoso, zeloso e conhecedor de seu ofício.

Essa frase de Arquimedes pode ilustrar muitas outras coisas da nossa vida. Antes de querermos mover o mundo temos que ter um ponto de apoio seguro e uma alavanca sólida manejada com inteligência, firmeza e paciência para alcançarmos nossos objetivos.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

É um erro crasso não querer aprender oratória

Por volta do ano de 92 a.C. um dos homens poderosos de Roma, chamado Crasso, mandou fechar todas as escolas romanas que ensinavam a arte da oratória, alegando, de forma genérica, que elas nada ensinavam, apenas deixavam os jovens vazios, imprudentes e presunçosos, já que seus professores não tinham a cultura necessária para ensinar tal ofício.

Crasso ficou conhecido também por suas manobras militares voluntaristas, sem planejamento, sem exame prévio ou empregos de estratégias militares adequadas, o que lhe levou a ruína e a morte em campo de batalha.

Diz Vitorino Prata Castelo Branco, em seu clássico livro O advogado e a defesa oral que "Crasso ficou conhecido na História como símbolo da ignorância, pois dizer que um erro é crasso é a mesma coisa que dizer que é um erro sem desculpa".

Crasso, ao fechar as portas das escolas de oratória em Roma, mostrou toda a sua estupidez ao impedir o crescimento intelectual dos jovens. Depois de sua morte, outros mestres de retórica reabriram-nas, desenvolvendo o grande potencial que Roma tinha para nobre arte da palavra, chegando mesmo a se igualarem com os gregos, seus inspiradores culturais e antigos rivais, com nomes como os de Cícero, Catão, Brutus, Tibério, Hortênsio, Caio Graco, Júlio César, Marco Antonio, Plínio, Quintiliano e tantos outros.

Não seja um "Crasso"; não feche as portas de sua inteligência verbal. É um erro crasso não querer aprender oratória.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O gosto pela leitura: um dos segredos dos grandes oradores

Dizia o grande advogado Quintiliano, que viveu em Roma entre os anos 30 a 95 d.C, em sua imortal e grandiosa obra Instituições de Oratória, que se alguém deseja se tornar um grande orador tem que cultivar o gosto pela leitura.

A imagem ao lado, de 1496, diz muita coisa. Um dos maiores nomes do mundo na arte da palavra, Marcus Túlio Cícero, sendo retratado, ainda jovem, mergulhado em profunda leitura.

O grande orador tem conteúdo, é um homem fundamentado no saber, no conhecimento, não é um saco vazio. E um dos segredos para se adquirir conteúdo, substância, é se dedicar ao saudável hábito de ler. É difícil de se imaginar um exímio orador divorciado da amistosa companhia dos livros.

De Pouco adianta fazer cursos e mais cursos de expressão verbal, de entender de técnicas retóricas, de gestos, de posturas etc, se o orador for uma pessoa sem conteúdo, que não tem o que dizer por deficiência intelectual derivada da falta de leitura. O orador verdadeiro é homem de cultura sólida e ampla, adquirida com anos a fio de estudos, de leituras, de dedicação à sua própria ilustração.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Os limites morais de cada um

Todos nós temos nossos limites morais, em um ou outro aspecto da vida. É só examinar! Por isso às vezes se ouve a sentença: "Você não tem moral para falar desse assunto". A moral, nesse caso, é sinônimo de real autoridade.

Jesus falou dos limites morais de cada um, na famosa frase: "Quem não tem pecado atire a primeira pedra."

Os limites morais de cada um têm como fundamento a incompletude, as imperfeições dos seres humanos, que podem ser superados na sua caminhada evolutiva em busca da suprema consciência, onde o homem, na luz da claridade divina, desabrocha todas as suas virtudes, tornando-se um ser plenamente moral.

A consciência dessas limitações já é um grande passo para o crescimento espiritual e moral. Com ela se julga menos, e quando se julga, procura-se ser mais compreensivo e tolerante com os erros do outros; a justiça se aproxima mais da divina justiça, da justiça ensinada por Jesus.

Tenho minhas limitações morais, e em alguns assuntos venho procurando ficar em silêncio. Quando quero dar uma contribuição em determinados temas pondero a respeito se tenho ou não moral para opinar, para defender, para promover uma ideia.

E não conto às vezes que preferi ficar calado no meu lugar. Por esses dias fiz novamente essa escolha, o que me inspirou a escrever esta reflexão. Quero desenvolver, cada dia mais, essa percepção das minhas limitações morais - procurando ampliar minha compreensão com as dos outros -, superando-as com a busca de mais consciência, uma palavra que reverencio como uma palavra sagrada.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O Sócrates da Polícia Civil do Acre

Precisei por esses dias entrar no site da Polícia Civil do Estado do Acre para registrar on line um boletim de ocorrência em relação a extravio de documentos.

Enquanto tomava as providências, uma frase atribuída a Sócrates, que passava na tela do site, juntamente com outras, chamava-me a atenção: "Os homens bons devem respeitar as leis más, para que os homens maus respeitem as leis boas".

E fiquei dialogando comigo mesmo. Será que o filósofo Sócrates disse um despautério desses? O grande Sócrates? O Sócrates que foi envenenado porque ousou desnudar muitos dos hipócritas valores legais e morais da Grécia do século V a.C. ?

Se a frase é de Sócrates, em que contexto ele disse isso? Sócrates, nos Diálogos, vai argumentando com as compreensões de seus interlocutores, usando muitas vezes suas próprias frases para desmontar as impropriedades de supostas verdades, para mostrar as limitações do conhecimento daqueles que pensavam que tudo sabiam.

Se os homens bons tivessem que obedecer as leis más para dar exemplo aos maus, para que estes obedecessem as leis boas, ainda estaríamos sendo sacrificados nas fogueiras da Santa Inquisição, nos fornos de cremação nazistas, nos cárceres de lubianka de Stálin, nas torturas de todos os regimes totalitários, sejam de esquerda ou de direita.

Leis más, ao contrário do que o suposto Sócrates da Polícia Civel declara, devem ser acossadas, acuadas, transgredidas, combatidas, destruídas, ou melhor, para ser mais politicamente correto, desconstruídas, para que outras leis mais humanas, mais civilizadas, mais decentes possam conduzir a vida em sociedade com mais justiça, harmonia e progresso.

Enquanto terminava de registrar o boletim de ocorrência, um festival de apresentação de "homens maus" sendo presos, ladrões, estupradores, homicidas, todos expostos publicamente, para que saibam respeitar as leis do país, e para mostrar também que a Polícia Civil do Acre trabalha e prende mesmo.

Às favas esse negócio de presunção de inocência! Besteira esse negócio de devido processo legal! De Constituição! De direitos humanos! De direito de bandido! De resguardo de imagem! Disso e daquilo outro! Só quando eu ou um dos meus precisar, aqui pra nós, aí sim, quero que me respeitem!

Prefiro a frase de Solón, o grande legislador grego, a do suposto Sócrates da Polícia Civil do Acre, que mais parece um comediante, passando-se pelo filósofo: "Feliz é o povo que respeita as suas autoridades, quando suas autoridades respeitam as leis".

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O que a vida me ensinou

Quando leio a respeito de oratória estou fortalecendo a minha advocacia, e quando estudo a advocacia estou fortalecendo a minha oratória. Elas são como as duas asas de um pássaro, que só assim pode voar.

E nesses meus estudos de oratória inclui a leitura dos livros de Reinaldo Polito, um dos maiores nomes do ensino de oratória do país. Há mais de dez anos venho acompanhando suas obras, que continuam sendo relevantes para meu aperfeiçoamento pessoal e profissional.

Ele escreveu mais de 20 livros sobre o assunto, dos quais um bem específico para a área da advocacia, A Oratória para advogados e estudantes de direito, que li com avidez.

Numa de suas recentes obras, que estou lendo, intitulada O que a vida me ensinou, assim ele explica como adquiriu base para escrever o livro A oratória para advogados e estudantes de direito, que o presidente da OAB de São Paulo, Luiz Flávio Borges D´urso chamou de "A Bíblia de oratória para advogados":

"Desde jovem admiro os discursos proferidos pelos advogados. Tenho centenas deles em minha biblioteca. Eu os estudei para analisar como a oratória judiciária aplicava na prática a teoria da comunicação. Não imaginava que esse conhecimento sobre a comunicação dos advogados adquirido durante anos pelo prazer do estudo em si, seria tão útil no momento que decidi escrever A oratória para advogados e estudantes de direito.

O que a vida me ensinou é um livro inspirador que traz uma forte mensagem de como vencer na vida, de como fazer valer sua vocação, apesar dos sofrimentos, dos percalços, dos desafios, das dúvidas, dos choques da caminhada. Reinaldo Polito conta a sua história, a história de como um menino gago, que declamava poesias em voz alta para superar a gagueira, que adquiriu depois de um incêndio ainda em tenra infância, se tornou uma referência sólida no professorato da admirável arte de bem dizer.

Sinto-me mais honesto ao reconhecer as boas influências que venho recebendo na vida, e as obras de Reinaldo Polito tem deixado belas marcas na minha oratória de advogado. Como bem ele falou, desde jovem admira os discursos dos advogados, o que por certo fortaleceu a sua oratória estudando a advocacia. E eu fortaleci a minha advocacia estudando a sua oratória.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O mais alto degrau da advocacia

Na noite do dia 22, a convite do professor Lenildo Bessa, que ministra aulas de Prática Forense, e com a ilustre presença do coordenador do Curso de Direito da Universidade Federal do Acre Professor Doutor Francisco Raimundo, palestrei aos alunos do 8º e 10º períodos, tendo como tema da apresentação A Oratória do Advogado no Tribunal do Júri.

Comecei decifrando o título. Como a esfinge da antiga mitologia grega, ou deciframos o que é a oratória, a advocacia e o tribunal do júri, ou somos devorados por essas grandiosas elaborações da inteligência humana. Não tem vez para aventureiros.

O orador é o homem capaz de ver teoricamente, o que em cada caso, é capaz de gerar persuasão, um conceito clássico e profundo baseado em Aristóteles. O advogado é o homem de bem que sabe falar, definição dada por Cícero. E o tribunal do júri é uma instituição sagrada, o melhor meio de se fazer justiça, como se proclamava na Revolução Americana.

A seguir, com base num texto de Vitorino Prata Castelo Branco, que é a própria apresentação que o autor fez de seu livro O Advogado no Tribunal do Júri - que foi distribuído a todos os presentes - a palestra continuou seu desenvolvimento. Dei o título a este texto de O mais alto degrau da advocacia, porque assim ele o introduz: "Quando o advogado, com suas vestes talares e os autos do processo as mãos se levanta para iniciar a defesa do réu no tribunal do júri, alcança ele o mais alto degrau de sua profissão".

Muitos são os que pisam nesse degrau, mas poucos são aqueles que nele permanecem. Para nele permanecer há que ter vocação, coragem, competência, dedicação, resistência, inteligência emocional, domínio da oratória, habilidade diplomática, técnica jurídica, cultura geral, independência, consciência, respeito e fé na instituição popular, como uma forma superior, dentro do julgamento humano, de se fazer justiça.

Depois de explanar a respeito dos oitos parágrafos do texto de Vitorino, muitas perguntas dos acadêmicos abrilhantaram a apresentação. É notável perceber como a advocacia, a oratória e o tribunal do júri fascinam a atenção dos estudantes, mesmo daqueles que querem seguir outros ramos do direito. Ao todo foram mais de duas horas de palestra, com a sala preenchida o tempo todo por mais de 70 alunos, do início ao fim, sendo que o evento foi coroado com os autógrafos ao meu livro Advocacia e Oratória ou do Homem de Bem que Sabe Falar.

Como conclusão, disse-lhes: "O exercício da oratória do advogado no tribunal do júri é o momento mais elevado da advocacia. E são três a esfinges presentes, a oratória, a advocacia e a instituição do tribunal do júri, ou nos capacitamos para decifrá-las ou seremos devorados por elas". E a palestra foi encerrada em clima de satisfação, alegria e empolgação de todos os presentes.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Todo mundo tem sucesso quando faz aquilo que gosta

O auditório da escola AME estava apinhado de jovens estudantes dos últimos anos do ensino médio para ouvir a palestra Descobrindo a Vocação! Quem Sabe para o Direito? Quem Sabe para a Advocacia? que ministrei a convite da coordenação daquela instituição.

Falei durante meia hora, respeitando o mandamento dos antigos, que dizia: Seja breve e agradarás. Quando se fala para jovens nem sempre é fácil prender a atenção. Mas falar de direito, de advocacia, de julgamento, é algo que fixa a curiosidade da moçada, que vive um período de sonhos, de escolha profissional, ou melhor, vocacional, para usar uma palavra mais forte e realizadora.

Depois da explanação foi aberto para perguntas, um momento que gosto muito nas palestras, quando bem administrado. Uma pergunta atrás da outra, movimentação, jovens interessados, admiradores da profissão. Lembrei-me de que quando era professor sempre fazia aquela velha pergunta de quem quer ser o quê na vida, e na vez de indagar "Quem quer ser advogado?" não eram poucos os que levantavam o braço. A advocacia, em algum lugar do inconsciente humano faz a sua morada, daí a sua pujança, daí a sua fortaleza, daí o seu encanto popular.

Ao final, uma sessão de autógrafos para aqueles que adquiriram o livro Advocacia e Oratória ou do Homem de Bem que Sabe Falar, de minha autoria. A vocação de uma pessoa pode se despertar de muitas maneiras diferentes, em idades diferentes, e quanto mais cedo isso for descoberto, através do perscrutar a si mesmo, mais a pessoa estará de bem com a vida, pois como dizia Bob Dilan "todo mundo tem sucesso quando faz aquilo que gosta".

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Que homem inteligente! Vamos marchar!

Li no livro de autoria de Frances Cole Jones intitulado Uau! Como Causar uma Ótima Impressão!:

"Os antigos afirmavam: 'Quando Cícero fala, as pessoas dizem: Que homem inteligente é Cícero. Quando Demóstenes fala as pessoas dizem: vamos marchar'".

Dois grandes apogeus da oratória: Demóstenes, na Grécia; Cícero, em Roma. Dois nomes ligados a advocacia, ligados aos tribunais, ligados à política.

Um bom orador deve causar no público a sensação de deslumbramento, de encantamento, de admiração que causava Cícero quando falava. O povo enebriado dizia "Que homem inteligente!".

Além do encanto deve a boa oratória despertar para a ação, assim como fazia Demóstenes quando pregava, o que levava a multidão dominada a dizer: "Vamos marchar, vamos segui -lo".

Unindo Demóstenes a Cícero, nossa oratória alcancará patamares inimagináveis de poder e de glória, que pode ser expressa na frase: "Que homem inteligente! Vamos marchar".

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Um ideal de palestra!

Se é verdade ou não, se tem ou não exageros, se é ilusão, lenda ou outra coisa parecida, o que me serve é a mensagem que me traz a seguinte história:

Dizem que Bill Gates foi convidado para dar palestra num escola secundária dos Estados Unidos. Chegou de helicóptero, se dirigiu à escola, adentrou no auditório onde centenas de jovens lhe aguardavam, tirou um papel do bolso e proferiu a seguinte palestra, que durou cinco minutos, que ficou conhecida como as 11 Regras de Bill Gates:

1. A vida não é fácil — acostume-se com isso.

2. O mundo não está preocupado com a sua auto-estima. O mundo espera que você faça alguma coisa útil por ele antes de sentir-se bem com você mesmo.

3. Você não ganhará R$20.000 por mês assim que sair da escola. Você não será vice-presidente de uma empresa com carro e telefone à disposição antes que você tenha conseguido comprar seu próprio carro e telefone.

4. Se você acha seu professor rude, espere até ter um chefe. Ele não terá pena de você.

5. Vender jornal velho ou trabalhar durante as férias não está abaixo da sua posição social. Seus avós têm uma palavra diferente para isso: eles chamam de oportunidade.

6. Se você fracassar, não é culpa de seus pais. Então não lamente seus erros, aprenda com eles.

7. Antes de você nascer, seus pais não eram tão críticos como agora. Eles só ficaram assim por pagar as suas contas, lavar suas roupas e ouvir você dizer que eles são “ridículos”. Então antes de salvar o planeta para a próxima geração querendo consertar os erros da geração dos seus pais, tente limpar seu próprio quarto.

8. Sua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas você não repete mais de ano e tem quantas chances precisar até acertar. Isto não se parece com absolutamente nada na vida real. Se pisar na bola, está despedido…rua!!! Faça certo da primeira vez! (Como diria meu antigo treinador).


9. A vida não é dividida em semestres. Você não terá sempre os verões livres e é pouco provável que outros empregados o ajudem a cumprir suas tarefas no fim de cada período. 10. Televisão não é vida real. Na vida real, as pessoas têm que deixar o barzinho ou a boate e ir trabalhar.

– E pra mim a melhor de todas.


11. Seja legal com os CDFs (aqueles estudantes que os demais julgam que são uns babacas). Existe uma grande probabilidade de você vir a trabalhar para um deles.

Ao terminar a palestra foi aplaudido de pé por mais de 10 minutos. Logo após, dirigiu-se ao seu helicóptero, e foi embora, deixando uma mensagem forte que se espalhou pelo mundo todo. Carisma do palestrante, e brevidade, profundidade, simplicidade e utilidade da mensagem! Para mim isso é um ideal de palestra.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A imaginação, a verdadeira e a falsa!

Suponhamos que você gosta de ler, aprecia os estudos, valoriza a arte de falar em público, sente que nasceu para ser um grande advogado! Se imagina no júri brilhando, defendendo grandes causas, sendo respeitado pela sociedade devido a sua capacidade técnica, sua ética, seu denodo, sua vibração... Essa imaginação, essa visualização é verdadeira, é criadora, tem poder.


Você pode ser aquilo que imagina ser!

Agora se você é uma pessoa que não gosta de ler, não gosta de estudar, não faz nada para melhorar a sua expressividade, mesmo achando que nasceu para ser advogado, e mesmo assim se imagina um grande tribuno popular, aplaudido, admirado, ovacionado, uma estrela brilhante, sua imaginação é falsa, não é criadora, é meramente uma visualização ilusória.

Como você pode ser aquilo que imagina ser?

A imaginação verdadeira tem que ter base na dedicação, no esforço, na transpiração. A própria palavra já ensina, imagem + ação. E uma boa imaginação, sempre lógica e real, alimenta nossa disposição, nos fortalece com a esperança da vitória, da imaginação que se tornará concretude, realidade!

Eis a substância da imaginação, eis a essência do poder da imaginação!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

As primeiras palavras já revelam

Li uma frase do renomado advogado René Ariel Dotti que me trouxe à lembrança um acontecimento que se passou há mais de 5 anos.

A frase:

"Pelas primeiras palavras do advogado é possível sentir qual será a reação dos membros de um tribunal".

O acontecimento:

Estava no Fórum Barão do Rio Branco quando um defensor público amigo meu chegou me dizendo que tinha surgido uma nova revelação no Tribunal do Júri, e que eu tinha que constatar a capacidade do jovem que estava trabalhando com ele, mas que precisava do meu aval para saber se o jovem era bom mesmo segundo meus critérios.

Marcou um dia para eu assistir o júri da nova revelação, sem esta saber de minha presença avaliadora. Disse-lhe que ia, mas numa condição, nos primeiros momentos da fala já poderia perceber se o rapaz tinha ou não talento, e dependendo, ficaria no júri para prestigiar, ou voltaria para o escritório para dar conta de meus afazeres, e que minha resposta estaria dada daquela maneira.

Nós vivíamos a caçar talentos.

No dia marcado fui ao júri, cheguei discretamente, sentei bem atrás, sem ser notado, bem na hora que a nova estrela tinha começado a falar. Torcia para ser verdade, pois estávamos precisando de quadros para fortalecermos a advocacia de júri, como ainda estamos.

Nas primeiras palavras já deu para sentir que meu amigo tinha se iludido. Retornei para meu escritório. Ao conversamos depois, embora tachando-me de apressado e radical na avaliação, concordou comigo.

Passado algum tempo vi aquele jovem rapaz, feliz da vida, trabalhando nos empreedimentos empresariais de seu pai, e conversando com ele disse-me que o júri não era sua praia. Cada um no seu lugar!

Como bem disse René Ariel Dotti, nos primeiros momentos da fala de alguém, já é possível saber que fruto aquela árvore vai dar.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A difícil arte do silêncio

Ontem ri sozinho da sutileza do conto abaixo, que li no livro Nietzsche para os Estressados, de Allan Percy.

"Como diz um dos poemas mais célebres do taoísmo, no silêncio e no vazio todas as coisas estão presentes em potencial. A mente é como um copo: antes de enchê-la devemos esvaziá-la. Do vazio e do não ser surge a criatividade.

Uma das histórias da tradição taoísta fala da dificuldade que temos em viver além dos ruídos das palavras.

Num templo distante, erguido nas montanhas do Japão, quatro monges decidiram fazer um retiro que exigia silêncio absoluto. O frio era intenso e, quando uma onda de ar gelado entrou no templo, o monge mais jovem disse:

-A vela se apagou!

- Por que você está falando? -repreendeu o monge mais idoso. -Estamos fazendo uma cura pelo silêncio!

-Não entendo por que vocês estão falando em vez de calarem a boca, como foi combinado! - gritou o terceiro monge, indignado.

-Eu sou o único que não disse nada! - declarou, satisfeito o quarto monge".

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Proatividade: uma palavra alquímica

Têm palavras que a gente vai construindo uma relação de amizade muito forte com elas.

Um dia desses me senti inativo, sem vontade, sem força de tomar as rédeas da situação; adiando, deixando para depois, esperando acontecer o que dependia de minha atitude.

O que estava faltando em mim? Proatividade, que numa linguagem simples que dizer iniciativa, determinação, disposição para agir.

O contrário de proatividade é reatividade, exatamente como narrei acima quando me faltou o vigor e a virilidade da ação, do estado ativo e positivo da proatividade, que resolve problemas, antecipando-se a eles, prevenindo-os.

Grandes líderes, políticos, empreendedores, estudiosos, têm falado da proatividade como pressuposto fundamental do sucesso.

E na sincronia com essa palavra proatividade comprei o livro Escola da Vida: As lições de grandes empreendedores que aprenderam na prática como fazer sucesso. Ao abrir o livro deparei-me com um dos autores, o empresário, palestrante e escritor Ricardo Bellino, falando de proatividade.

Disse ele que "proatividade é muito mais que um sinônimo de iniciativa. A pessoa proativa é alguém que assume a responsabilidade por sua própria vida em vez de se colocar à mercê das circunstâncias ou de outras pessoas. Assume a responsabilidade de agir e decide como vai agir. Demonstra iniciativa e antecipa-se aos problemas e, é claro, é determinada e persistente".

Vi na prátiva a importância da proatividade para o sucesso em todos os campos da vida, e assim como as palavras entusiasmo, disposição, assertividade, objetividade, determinação, constância, inspiração, e tantas outras, ela faz parte também de minhas palavras prediletas, mágicas, alquímicas, que as uso como recursos transformadores quando preciso despertar, revigorar, reabastecer, reativar minhas energias vitais para viver uma vida com mais criatividade, com mais qualidade, com mais utilidade.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

El arte de vivir

Lendo o livro de Osho, Zarathustra: Um Dios Que Puede Bailar, reproduzo uma passagem de grande valia para nossa reflexão:

"Es una estupidez que ninguma universidad del mundo enseñe a la gente el arte de vivir, el arte de amar, el arte de meditar. Pienso que no hay nada más elevado que el amor, la vida, la meditación, la risa. Puede ser un gran cirujano, un gran ingeniero, un gran científico, un gran psicologo, un gran abogado, aun así necesitarás del sentido del humor, aun así necesitarás en tu vida del arte de amar, del arte de vivir, todos estos grandes valores da consciencia suprema".

A reflexão acima nos mostra de que é preciso ser feliz, não basta apenas ser um grande profissional.

De que adianta ter prestígio, fama, poder, dinheiro se não se conhece a arte de viver? O tanto de felicidade que se tem é o verdadeiro critério para ser medir o real sucesso na vida de uma pessoa.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Zaratustra: uma taça transbordante de sabedoria

Assim Falou Zaratustra é um dos meus livros prediletos. Foi escrito por Friedrich Nietzsche, uma das maiores joias do pensamento universal.

Zaratustra, o sábio persa, o líder, o pregador, o orador das verdades sangrentas, antes de descer das montanhas -de onde fez sua morada na solidão por anos - para ensinar aos homens a sabedoria, assim se dirigiu ao Astro Rei, em tom bíblico e poético:

"Grande Astro! Que seria da tua felicidade se te faltassem aqueles a quem iluminas? Faz dez anos que te apresentas a minha caverna, e, sem mim, sem minha águia e a minha serpente, haver-te-ias cansado da tua luz e deste caminho.

Nós, porém, te aguardávamos todas as manhãs, tomávamos-te o supérfluo e bendizíamos-te.

Pois bem: já estou tão enfastiado da minha sabedoria como a abelha quando acumula demasiado mel. Necessito mãos que se estendam para mim. Quisera dar e repartir até que os sábios tornassem a gozar da sua loucura e os pobres, da sua riqueza.

Por essa razão devo descer às profundidades, como tu pela noite, astro exuberante de riqueza, quando transpões o mar para levar a tua luz ao mundo inteiro.

Eu devo descer, como tu, segundo dizem os homens a quem me quero dirigir.

Abencoa-me, pois, olho afável, que podes mirar sem inveja até uma felicidade demasiado grande.

Abençoa a taça que quer transbordar, para que dela jorrem as douradas águas, levando a todos os lábios o reflexo da tua glória.

Olha! Esta taça quer novamente esvaziar-se, e Zaratustra quer tornar a ser homem."

terça-feira, 6 de setembro de 2011

12 Homens e uma Sentença

Mais uma vez assisti o filme 12 Homens e uma Sentença, um clássico do cinema mundial. A história e o roteiro foi escrito por Reginaldo Rose, sendo o filme dirigido por Sidney Lumet, tendo como principal personagem Henry Fonda.

No início do filme, antes de se retirarem para votar a sorte do réu, o juiz presidente do júri adverte os jurados:

"Vocês estão diante de uma grande responsabilidade. É dever de vocês separarem os fatos da fantasia".

O julgamento se desenrola dentro de uma abafante sala secreta. Apressadamente onze jurados votam pela condenação do réu, acusado de ter matado o próprio pai. Mas um não acompanha e vota pela absolvição, alertando os demais da necessidade de examinar melhor as provas, diante da fraca defesa do advogado, que não desempenhou adequadamente sua tarefa.

Em meio a grandes polêmicas, com arte e brilho e aguçado exame dos fatos, o jurado discordante, depois auxiliado por outros que aderem a tese da inocência, vai desmontando provas que antes pareciam avassaladoras e irrefutáveis.

O que é a verdade? O que é a justiça? O que é a persuasão? São temas envolventes, abrangentes, mostrados no filme de maneira impactante, excitante, absorvente.

Se eu fosse escolher uma frase do filme escolheria aquela que o juiz disse aos jurados: "É dever de vocês separarem os fatos da fantasia". E se eu fosse escolher, ainda, a principal lição que o filme me deixou diria que é a de examinar com consciência as coisas antes de dar um veredicto avexadamente. Esse é um dever de quem busca a verdade e a justiça com responsabilidade, como um filho de Deus.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Minha amada Grécia!

A Grécia Antiga exerce em mim um fascínio misterioso. Com seus mitos, seus poetas, seus oradores, seus advogados, seus políticos, seus filósofos, seus generais, suas guerras, seus tribunais, seus teatros, seus líderes, sua sabedoria, seus livros, a Grécia parece ter sido mesmo uma terra encantada, de seres extraterrestres, que deixou uma mensagem inapágavel e influente na memória da humanidade.

Essa civilização toca o meu coração, conquista a minha mente, porque sob todos os aspectos ela foi grandiosa, carismática, mágica. Homero, Sócrates, Platão, Aristóteles, Esopo, Perícles, Demóstenes, Diógenes, Eurípedes, Epicuro, e tantos e tantos seres extraordinários, são exemplos que sacudiram a condição humana, em todos os campos do saber.

E dentro de toda essa admiração é que estou lendo o livro Os Oito Pilares da Sabedoria Grega, escrito por Stephen Bertman, Ph. D no assunto. Ele resume esses oitos pilares com suas mensagens da seguinte maneira:

Humanismo: "Valorize suas aptidões humanas e acredite em sua capacidade de realizar grandes coisas".

Busca da Excelência: "Procure ser hoje melhor do que você foi ontem e, amanhã, melhor do que foi hoje".

Prática da moderação: "Cuidado com os extremos, porque neles reside o perigo".

Autoconhecimento: "Identifique e comprenda suas fraquezas e seus pontos fortes".

Racionalismo: "Busque a verdade utilizando o poder da mente".

Curiosidade incansável: "Procure saber o que as coisas realmente são, não simplesmente o que parecem ser".

Amor à liberdade: "Somente quando somos livres podemos encontrar a realização".

Individualismo: "Orgulhe-se de ser quem é: um indivíduo único".

Minha amada Grécia! Minha amada Grécia! Oh, minha amada Grécia! Como Skakespeare por ti suspiro: "Tu me és tão cara como as gotas de sangue que visitam o meu coração".

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Por que converso com os mortos

Estava fazendo júri quando precisei usar um livro para ilustrar uma explicação que dava aos jurados, e aproveitei a ocasião para narrar-lhes episódio que aconteceu comigo, amenizando assim o tenso ambiente do julgamento.

Ao fazer minhas costumeiras peregrinações pelas livrarias de Rio Branco, numa delas avistei, na seção de livros espíritas, uma obra intitulada Por que Converso com os Mortos, de autoria do médico legista Badan Palhares.

Achei estranho aquele livro ali, pois já o conhecia. Chamei o proprietário e perguntei-o porque tinha colocado o livro naquela parte da estante. E ele me respondeu que o título já dizia tudo.

Esclareci a ele que aquele livro não era de conteúdo espírita, estava mais para o direito, e que eu já tinha usado-o em vários júris, em diversas ocasiões, para explicar determinadas perícias.

Disse-lhe também que o autor era o conhecido médico legista Badan Palhares, que participou da perícia de polêmicos e famosos casos como o de Chico Mendes, de PC Farias, e no reconhecimento das ossadas do médico nazista Josef Mengele.

Expliquei-lhe, ainda, que o título Por que Converso com os Mortos, não era por causa que o espírito do defunto aparecia a ele para contar como foi morto, mas sim porque examinando com ciência os sinais deixados no corpo da vítima e no local da morte, muitos crimes poderiam ser desvendados, era como se o morto estivesse falando o que aconteceu.

Ele, desconfiado, agradeceu-me, chamou o vendedor, pediu mais atenção, e colocou o livro no devido lugar. Classificar livros não é uma das coisas mais fáceis!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A Paixão pelos Livros

"Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante". Clarice Lispector.

A paixão pelos livros é uma paixão muito rara, mas é uma das mais belas que existem. Está ligada a sede de conhecimento. Essa paixão pode ser bem ilustrada por uma frase de Erasmo de Roterdã: "Quando tenho algum dinheiro compro livros. Se ainda me sobrar algum, compro roupas e comida".

Livros antes de roupas e comida? Quem cultiva essa paixão entende bem a dimensão dessa frase. Do jeito que se bebe água para saciar a sede do corpo, se lê livros para saciar a sede da alma. "Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece como um corpo que não come", ensinava o grande escritor Victor Hugo.

Nesses dias comprei uma obra intitulada A Paixão pelos Livros, que consiste de uma coletânea de frases e textos de famosos amantes de livros, como: D´lembert, Benjamin Franklin, Milton, Montaigne, Victor Hugo, Kafka, e tantos e tantos outros. Os livros são as melhores companhias dos grandes líderes. Bacon falava: "Quer amigos, procure nos bons livros: eles são amigos verdadeiros, que não bajulam ou dissimulam".

Na paixão entre o homem e o livro tem quase tudo que existe na paixão entre o homem e a mulher: ciúmes, discordâncias, decepções, lágrimas, risos, prazeres. Só uma coisa é bem diferente, ainda não encontrei um divórcio entre os livros e seus amantes. É uma paixão duradoura. Dizia o filosófo Ralph Emerson que a "Biblioteca de um homem é uma espécie de harém".

E para finalizar, afirmava o grande advogado e orador romano Marco Túlio Cícero, numa frase provocante: "Uma casa sem livros é como um corpo sem alma".

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O ponto no discurso

Essa palavra, ponto, tem grande importância na arte retórica, falada ou escrita.

Por exemplo, o orador precisa por um ponto final no seu discurso, que não pode se extender indefinidamente, causando afobação nos ouvintes.

Um discurso bem feito, além de ter ponto final, tem ponto parágrafo, tem ponto de interrogação, tem ponto de exclamação, tem ponto e vírgula.

Todos os grandes discursos da humanidade tocaram no ponto certo, no alvo, na essência, na substância, na veia! E por isso se perpetuaram nas memórias dos livros.

Quando eu era menino minha mãe não deixava ninguém mexer e nem mesmo olhar na panela da cocada, porque isso dificultaria o encontro do ponto apropriado, aquele que tornaria a cocada firme e de bom gosto para o consumo.

O bom orador é aquele que sabe dar o ponto, que sabe encontrar o ponto, que sabe tocar no ponto, que zela pelo ponto, o ponto certo da grande arte do convencimento.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Quem sabe faz a hora mas também espera acontecer

Cantei muito a canção do poeta, nos meus tempos românticos de movimento estudantil:

"Quem sabe faz a hora não espera acontecer".

O jovem realmente quer fazer a hora, nos arroubos viris da mocidade. E em muitos momentos da minha vida fiz a hora. Batalhei, lutei, busquei, consegui, como disse o grande líder romano Julio César: Vim, Vi e Venci!

Só que em outros tantos momentos, por mais que minha determinação na ação tenha sido levada até as últimas consequências, não consegui fazer a hora, tive que esperar acontecer.

Hoje vejo a vida por esses dois ângulos. Muitas coisas se realizam pela nossa vontade de fazer acontecer; já outras não, temos que aguardar o tempo certo de sua maturação.

Quando jovem, ao cantar a canção, tinha a frase como verdadeira em sua inteireza. Agora sei que parte dela é verdadeira, mas a outra parte já nem tanto.

Se tivesse de reformular essa frase, que virou um verdadeiro provérbio popular, diria: Quem sabe faz a hora, mas também espera acontecer. Incluiria nela a saberdoria do Rei Salomão que nos ensina que há um tempo certo para todas as coisas!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

As crenças penalizantes

No livro Como se Expressar em Público, de autoria de Jean-Denis Ménard, conheci a expressão crenças penalizantes.

São aquelas atitudes e compreensões que escravizam, tendo a natureza de verdadeiras penas, sanções, sofrimentos, que limitam o progresso individual e que trava o amadurecimento mental.

O autor cita exemplos:

"Crer que eu seja perfeito".

"Crer que eu devo ser amado por todo mundo".

"Crer que as pessoas devam estar disponível para mim todo tempo que eu quiser".

Jean-Denis Menard também fala dos pensamentos automáticos:

"Não vou conseguir".

"Eles não querem me escutar".

"Sou sempre o último a lista".

E muitos e muitos outros exemplos podemos trazer à tona a respeito das crenças penalizantes:

"Estou sempre certo".

"Ninguém me ama".

"Ninguém me entende".

"Vivo para sofrer".

"Ninguém se importa comigo".

"Ninguém me dá atenção".

"Só me escolhem para ser o Judas".

O candidato a orador, a comunicador precisa abandonar essas crenças negativas a respeito de si e do mundo, se quiser ser um orador maduro e bem resolvido.

Além disso cabe ao orador saber lidar com essas pessoas complicadas, que certamente encontrará pelo caminho. Muitas vezes o sucesso ou insucesso de suas intervenções dependerá de sua habilidade de conduzir ouvintes que sofrem de crenças penalizantes.

Existem até livros que ensinam como lidar com pessoas difíceis. É uma habilidade relevante que um comunicador vitorioso precisar dominar.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A humildade

Li agora a pouco uma reflexiva frase de Osho, no belíssimo livro Desvendando Mistérios. É uma ilustração primorosa que nos desperta para o cultivo da humildade.

"Uma vez que a luz é emitida por meio da lâmpada, a lâmpada pode se iludir, ao achar que é a criadora da luz".

A humildade é uma das mais finas virtudes que um homem pode ter.

De novo uma frase de Osho:

"Olhe o céu estrelado, veja o sol trazendo o amanhecer, a terra girando, o mar dançando, a noite prateada pela lua, a flor desabrochando, tanta harmonia, tanto milagre, tanta magia, tanta grandeza, tanta poesia, como você não consegue ser humilde diante de tudo isso?"

Disse o Mestre Jesus no Sermão da Montanha: "Bem-aventurados os humildes porque herdarão a Terra".

Humildade, jorra a tua luz a cada dia no meu ser! Pois a minha alma anseia por ti!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Heróis da Paz

Heróis da Paz é um livro organizado por Irwin Abrams, grande autoridade em história do prêmio Nobel da Paz.

O livro traz partes importantes de discursos daqueles que ganharam esse prestigiado prêmio internacional, instituído em 1901 por Alfred Nobel, um homem de grande riqueza e espírito humanista.

Em 1989, ao ser ganhador do Nobel da Paz, disse Dalai Lama: "A paz começa no interior de cada um de nós. Quando temos paz interior, podemos estar em paz com aqueles que nos cercam. Quando nossa comunidade encontrar-se em estado de paz, ela poderá compartilhar essa paz com as comunidades vizinhas, e assim por diante, espalhando-a pelo mundo todo".

O livro é interessante para aqueles que se interessam pelo estudo da oratória, da liderança, da Política, da espiritualidade, dos direitos humanos, exatamente porque é um registro da oratória dos grandes líderes que foram agraciados com tão distinta honraria, como por exemplo, Nelson Mandela, Madre Teresa de Calcutá, Martin Luther King, Gorbachev, Yasser Arafat, dentre outras personalidades da história mundial.

A obra Heróis da Paz se destina a todos aqueles que querem ser porta-vozes de um mundo mais evoluído, de uma mensagem mais agradável a alma humana, a começar de si, que anseia por paz e felicidade, e que precisamos para isso galgar novos degraus da consciência.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Transformando Crises em Oportunidades

Comecei a ler o livro Transformando Crises em Oportunidades, de Osho, recentemente lançado pela editora Cultrix.

Para Osho, ocultas nas crises, estão as oportunidades. Ele examina com originalidade a crise ecológica, a crise ética, a crise de consciência, a crise dos valores humanos, a crise da educação, e outras crises, das individuais as coletivas, apontando soluções para a construção de um futuro dourado para a humanidade.

Osho é um Mestre que eu gosto de ouvir. Assim são seus livros, ao lê-los, tenho a impressão de ouvir sua própria voz. Seus livros são transcrições de suas palestras, daí o tom oral, fluente, espontâneo de suas pregações. Como grande orador e homem da verdade, a leitura de seus textos em voz alta, auxilia no desenvolvimento de nossa expressividade e de nossa consciência.

Segue algumas frases que selecionei da obra:

"O homem é uma bela floração do universo".

"As pessoas só mudam quando estão sob imensa pressão".

"Seja forte como um leão, e inocente como uma criança".

"Só uma pessoa está faltando dentro de você, você mesmo".

"Mude a si e mudará o mundo".

"Eu prego o homem integral, o homem total. Ele é tanto o exterior como o interior".

"Você precisa entender a lei da dialética da vida".

"Utilize todos os opostos como complementares e sua vida será mais plena".

"Não se vanglorie achando que você é superior a quem comete um pecado. No lugar dele, com os mesmos antecedentes, você cometeria a mesma coisa".

"Eleitores medíocres só selecionam pessoas da sua própria categoria".

"A singularidade é um conceito mais elevado do que igualdade".

"A iluminação é o útero de Deus".

"Você se torna o que você faz".

"A meditação pode purificar o santuário interior do homem".

"Deixe de lado a atitude pessimista, desenvolva a sua positividade".

"Tudo depende da maneira que você aborda".

"É só nos extremos, só quando a vida enfrenta a crise, que a transformação acontece".

"A liberdade só existe quando somos totalmente conscientes".

"A terra pode se tornar um paraíso".

"O problema não é o capitalismo, o problema é a inconsciência".

"O seu modo de pensar é que tem sido a causa de todos os seus males".

"A mente precisa ser transformada, só então os problemas desaparecem".

"Eu ensino uma religiosidade que é sensual, para além do que a sua cabeça poluída imagina".

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O Advogado de Deus

Há mais de 10 anos comprei o livro O Advogado de Deus, da famosa escritora Zibia Gasparetto. Nessa época surgia nas telas do cinema O Advogado do Diabo, tanto assisti ao filme, como li, por várias vezes, o livro que o deu origem.

O fato é que não me interessei muito para ler o livro O Advogado de Deus. Até que li um ou dois capítulos, mas não continuei a leitura.

Na sexta-feira passada, estando na livraria Nobel, vi o livro e o tirei da estante. Despertei de uma hora para outra em lê-lo, e quis comprar um novo exemplar, mas a consciência não me permitiu, já que tinha o livro, embora com as páginas ficando amareladas pelo tempo.

Retornei ao escritório, peguei O Advogado de Deus, limpei-o, reencapei-o e reiniciei a leitura.

O livro fala da história de uma forte vocação. Daniel é filho de pais ricos, famosos na política e na sociedade carioca. Os pais querem que ele siga o caminho da política. Mas Daniel sente o chamado para a advocacia, e contra a vontade dos pais, segue o seu caminho, colocando a força da profissão a serviço da verdade, da justiça, do direito.

Num diálogo do livro, a irmã de Daniel, quando o vê em conflito com os pais a respeito de seu destino, o interroga:

-Você acredita que vai encontrar o que procura?

-Acredito. Sou jovem e tenho vontade de viver - responde Daniel.

- Está entusiasmado? - novamente pergunta a irmã.

-O que faremos sem o entusiasmo? Ele é o grande motivador na busca da felicidade - diz Daniel.

Zibia Gasparetto assim fala de seu livro:

"Ninguém nega a beleza das leis humanas tentando estabelecer os direitos de cada um, protegendo a sociedade, para que a melhor justiça seja feita.

Porém muitos profissionais do Direito que juraram defendê-las afundam-se na ganância e nos abusos de poder. Por isso há tanta descrença na justiça dos homens. E quando você precisa, fica difícil encontrar uma pessoa de confiança.

A história de Daniel demonstra que ainda se pode confiar em alguém que respeita a ética, na procura da verdade, e eficientemente promove a justiça. Estes são os anjos do bem na terra, e no astral são chamados de 'advogados de Deus'!".


A obra virou peça de teatro, e merece ser transformada em filme de tribunal. Nos Estados Unidos isso já teria acontecido, pois também conta, o romance, com os ingredientes da luxúria, do poder, da fama, da traição, do sexo e das intimidades da vida nababesca.

O livro traz uma mensagem superior, e tem sido para mim uma vitamina de ânimo para seguir minha profissão com mais convicção de ser ela um instrumento benfazejo da justiça divina para reparar a injustiça dos homens.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O bastão dourado e glorioso da advocacia

Por esses dias perguntei ao meu filho Danton Moura, de 6 anos, se ele já tinha uma ideia de qual profissão iria seguir na vida. Como quem não soubesse da minha resposta, me fez a seguinte indagação:

- O senhor pode me dar uma opinião?

Eu lhe respondi:

-Posso. Tem um mandamento do advogado escrito por um homem chamado Eduardo Couture que diz assim: "Procura considerar a advocacia de tal maneira que, no dia em que teu filho te pedir um conselho sobre seu futuro, consideres uma honra para ti aconselhá-lo que se torne advogado". Então, seja um advogado, mas um verdadeiro advogado!

Ele ouviu essa minha resposta enquanto brincava de um herói qualquer com poderes mágicos emanando de suas mãos... e correndo pela sala, disse-me:

-Então tá bom, serei um!

E neste momento, que escrevo, com o livro Os Mandamentos do Advogado em mãos, de Eduardo Couture, leio uma bela explicação desse seu mandamento:

"Quando o advogado chega ao ponto de aconselhar seu filho, no dia decisivo em que deve orientá-lo sobre seu futuro, que siga sua própria profissão, é porque encontrou nela algo mais que um simples ofício, entreviu nela, para além dos sacrifícios e amarguras, os raios dourados da glória".

Como disse Martin Luther King, I have a dream! Eu tenho um sonho, um sonho de ver minha descendência levando com zelo e amor o bastão dourado e glorioso da advocacia, cada geração entregando esse bastão para outra, com honra e lealdade, pois ele é algo que só os corações dos verdadeiros advogados podem ver, decifrar e admirar!

11 de agosto! Bendito e louvado seja este dia! O dia do advogado!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A proxêmica: reconheça seu lugar!

Já algum tempo estava querendo me lembrar de um termo que li num livro de oratória e que se referia a distancia que as pessoas devem manter umas das outras para não invadirem o campo de suas privacidades.

O termo é proxêmica, do inglês proxemics, proximidade, palavra usada pelo antropólogo americano Edward Hall, o principal estudioso da proxêmica, no seu livro Dimensão Oculta.

Às vezes determinado indivíduo fala tão perto de você, ou se aproxima tanto, que você se sente incomodado com a situação. Claro que não estamos falando de um amigo, de um filho, de uma namorada, esposa, mãe, que têm, em regra, mas nem sempre, intimidade para tanto. Quanto maior a intimidade menor a distância verbal, física, emocional e espiritual.

No tribunal do júri o advogado tem que ter a delicadeza, a habilidade, o respeito, o conhecimento da proxêmica para não adentrar, quando está falando, no espaço pessoal de cada jurado, no espaço de sua respiração, no espaço de sua transpiração, de sua aura, de seu campo energético.

Saber reconhecer o espaço do outro, o lugar do outro, e só se aproximar mais do que o permitido quando convidado, é sinal de inteligência interpessoal e de maturidade nos relacionamentos.

O desconhecimento da proxêmica pode ser visto como uma inconveniência, uma indiscrição, um constrangimento, uma invasão de privavidade, uma violação do domicílio íntimo. O problema se agrava quando o cheiro do invasor não recomenda a proximidade.

O líder, o orador, e todas as pessoas que queiram se relacionar melhor, têm que estudar a proxêmica, os espaços privados que cada um tem, e as distâncias que devemos manter para não violarmos as fronteiras do território individual uns dos outros.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Por que estudar oratória?

Feliz daquele que desperta para o estudo da ciência da oratória. Pesquisas aos montes mostram que as pessoas que se expressam melhor tem mais oportunidades de sucesso na vida.

E no meu dia a dia vejo que o desconhecimento da oratória leva muitas pessoas a passarem por constrangimentos desnecessários. Constrangem a si mesmos e constrangem também os outros.

É fácil identificar um analfabeto em oratória! Nos parlamentos, nos fóruns, nas salas de aula, na mídia, nos eventos do cotidiano, na comunicação interpessoal, nas igrejas, a ignorância em relação a conhecimentos básicos de oratória é algo assustador, e não mais aceitável pelos ouvintes mais atentos. Há uma frase que diz que os ouvintes são mais observadores e inteligentes do que o orador imagina.

A matemática deveria ser muito simples. Se todos nós somos seres de palavras, usando-as diariamente, por que não as estudamos para as conhecermos melhor? Isso é a oratória, a ciência, a arte, de dizer as palavras com mais habilidade, com mais responsabilidade, com mais consciência.

Quem conhece o básico de oratória não se apossa da palavra, esquecendo-se de que tem outras pessoas para falar também.

Quem conhece o básico de oratória não fala como se estivesse comendo o microfone. Sabe a distancia correta que deve mantê-lo da boca.

Quem conhece o básico de oratória se preocupa com a altura da voz, nem muito baixa, nem muito alta, na medida certa, mas sempre com firmeza.

Quem conhece o básico de oratória evita criar mal-estar com comentários indiscretos, polêmicos, impertinentes, inapropriados, arrogantes, etc.

Quem conhece o básico de oratória sabe da importância da clareza, da objetividade, da concisão, da brevidade.

Quem conhece o básico de oratória sabe o momento certo de falar e de calar, e a maneira de expor um assunto.

Quem conhece o básico de oratória sabe também da importância de ouvir.

Quem conhece o básico da oratória sabe onde colocar as mãos, sabe a postura que se deve ter na hora de falar.

Quem conhece o básico de oratória sabe o jeito certo de se vestir em cada ocasião.

Quem conhece o básico de oratória sabe dirigir suas palavras com efetividade para alcançar um objetivo.

Quem conhece o básico de oratória sabe que tem o dever de dominar o assunto que se vai falar.

Quem conhece o básico de oratória sabe que o floreio da palavra, o exibicionismo do discurso é apenas um atestado de que não conhece o básico de oratória.

Quem conhece o básico da oratória sabe que uma intervenção oral tem que ter pé e cabeça, ordem, organização.

Quem conhece o básico de oratória não enche o ambiente de eu, eu, eu, eu todo tempo. Nem de né, né, né, ou ãm, ãm, ãm, ou tá entendendo, tá entendendo.

Quem conhece o básico de oratória sabe que sua prática tem que ser coerente com o que prega.

Quem conhece o básico de oratória desenvolve um jeito educado, equilibrado, elegante, nobre, democrático e positivo de se manifestar.

Quem conhece o básico de oratória acompanha a reação do público e sabe o que fazer.

É por isso que feliz é a pessoa que desperta para o estudo dessa ciência! É o despertar de seu próprio desenvolvimento pessoal. Um ser que conhece a oratória demonstra acima de tudo que tem respeito por si e pela sociedade em que vive. Quanto mais conhecedores dessa ciência tivermos mais o mundo se tornará um lugar melhor de se viver. Se você duvida examine melhor as questões acima expostas, e você valorizará a oratória como os gregos um dia a valorizaram!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Decálogo do Jovem Advogado Criminalista

Por Roberto Delmanto

1. Tenha consciência de que você escolheu a mais bela das especialidades da advocacia, pois ela lida com dois dos maiores bens do homem: a liberdade e a honra.

2. Tenha orgulho dela e a exerça com dignidade. Não compactue jamais com a violência ou a corrupção. Tal comportamento lhe dará forças para suplantar os obstáculos que certamente virão.

3. Apesar das dificuldades da advocacia criminal, não perca nunca a alegria ao exercê-la. Lembre-se sempre de que seu verdadeiro cliente e, ao mesmo tempo, sua maior causa, é a liberdade.

4. Ao decidir se aceita patrocinar uma defesa, preocupe-se menos em saber se o cliente é inocente do que se sua consciência de advogado e ser humano permite defendê-lo. Uma vez aceita a causa, lute por ela com todo o empenho, tendo como limite ético intransponível não prejudicar terceiros inocentes.

5. Ao ser procurado para requerer um inquérito policial, atuar como Assistente do Ministério Público ou propor uma queixa-crime, busque certificar-se de que a pessoa que vai acusar é realmente culpada. Aceita a causa, se no decorrer dela lhe surgir qualquer dúvida quanto à culpabilidade do acusado, não hesite em renunciar por razão de foro íntimo.

6. Seja combativo e dedicado às causas que patrocinar, mas não transforme cada defesa ou acusação em uma verdadeira guerra, onde tudo é permitido, nem a parte contrária ou seu patrono em um inimigo.

7. Faça valer suas prerrogativas profissionais, sem desrespeitar as autoridades policiais ou judiciárias.

8. Não se preocupe com o sucesso dos colegas, mas apenas com suas próprias causas e seus próprios clientes, dando para eles o melhor de si. Cuide daquelas como quem cuida de um jardim e tenha com estes sempre paciência, muita paciência.

9. Dedique-se a fundo às causas que lhe são confiadas e procure produzir a melhor prova possível em favor de suas teses. Estude a Constituição, as leis, os regimentos dos tribunais, a doutrina e a jurisprudência aplicáveis. Prepare-se para cada audiência de que for participar, para as sustentações orais e, sobretudo, para atuar no Tribunal do Júri, momento maior da advocacia criminal.

10. Escolha, entre os colegas mais velhos, um que lhe sirva de modelo e inspiração. Observe seu modo de advogar, sua técnica e sua ética. No momento certo, você estará apto a seguir seu próprio caminho e ser aquilo que mais deve almejar: um bom advogado criminalista.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Diferença entre o advogado astuto e o advogado sagaz

No prefácio do romance jurídico O Advogado Maldito, de autoria de Wilson Saad, diz Mário Feijó: "Acusação e defesa vão se enfrentar armadas de astúcia e eloquência."

A partir da frase acima, veio-me uma primeira reflexão. Realmente são duas qualidades valiosas de um tribuno do júri, a astúcia e a eloquência.

Mas logo em seguida, veio-me a outra. Astúcia seria o nome correto para a inteligência bem viva e alerta do tribuno no júri? Ou a expressão sagacidade é uma palavra melhor do que a palavra astúcia?

Sagacidade e astúcia por vezes podem ser empregadas como sinônimas, mas é preciso fazer distinção.

Diz o dicionário Houaiss que astúcia é manha, esperteza, sagacidade, malícia, treta, trapaça. E que sagacidade é argúcia, agudeza de espírito, aptidão para apreender as coisas por simples indícios.

Quando falo a palavra astúcia, a raposa é o símbolo que me vem a mente. Já quando falo a palavra sagacidade lembro-me da águia. Uma vive no chão, a outra, voa pelos céus.

Nesse sentido a astúcia e a sagacidade são coisas diferentes. A astúcia não conhece limites éticos. A sagacidade é a inteligência com ética.

Existem os dois tipos de advogados, o astuto e o sagaz. É como se a mesma virtude da inteligência se apresentasse ora num viés negativo, ora num viés positivo. Mas o que marca realmente o tribuno do júri, colocando-o no panteão dos grandes oradores, é a sua força moral e a sua inteligência usadas com sagacidade para servir a verdade e a justiça.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Edilson Mougenot Bonfim, o quase ininteligível!

Li a entrevista recente que o famoso tribuno Edilson Mougenot Bonfim concedeu ao site Confraria do Júri, a respeito do Tribunal Popular.

Segundo o site, Mougenot é "dono da melhor oratória jurídica do país e dotado de mente brilhante".

Sou um admirador de suas obras, dentre as quais: Júri: Do Inquérito ao Plenário, No Tribunal do Júri, Direito Penal da Sociedade, O julgamento de um Serial Killer. Li todas elas!

Na minha formação de criminalista ele tem um lugar bem importante. Homem inteligente, estudioso, argumentador finamente lapidado, um gênio da oratória.

Mas confesso que o tribuno está muito rebuscado depois que se afastou do júri. Quase não entendi o que ele quis dizer na entrevista acima linkada. Palavras difíceis, argumentos confusos, sem clareza, sem objetividade e sem fluidez. Terminei o texto com a mente cansada, fiz um esforço para chegar ao final do texto, aliás, a entrevista é com Edilson Mougenout Bonfim!

Será que o antigo promotor do júri, de linguagem cativante e de escrita rica e de fácil entendimento, cedeu lugar ao doutrinador barroco, complexo, de linguagem afetada e floreada, quase ininteligível, desiludido com o júri, que "só favorece o réu"?

Quanto mais madura uma pessoa se torna mais simples e claras são suas palavras! Mas estou tentando entender o que aconteceu com um dos mestres do júri que eu mais admirava pela sua oratória guerreira.

Fica aqui registrada a perplexidade de um, vamos dizer assim, discípulo! Talvez ninguém tenha ainda dito isso a ele. Falo por amor ao Júri, que precisa de seu reencantamento, de sua eloquência tão brilhante e cristalina, e que não pode se perder em pedantismo de frases feitas ou floreios vazios de exibicionista retórica!

De mim para mim mesmo

Pego o pequeno livrinho, abro-o e leio-o em voz alta, de pé, em tom profético, de mim para mim mesmo:

"Tenha firmeza em suas atitudes e persistência em seu ideal.

Mas seja paciente, não pretendendo que tudo lhe chegue de imediato.

Há tempo para tudo. E tudo o que é seu virá as suas mãos, no momento oportuno.


Saiba esperar o momento exato em que receberá os benefícios que pleiteia.

Aguarde com paciência que os frutos amadureçam para que possa apreciar devidamente a sua doçura".


Minutos de Sabedoria, Carlos Torres Pastorino.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Advocacia para uma vida feliz

Li neste final de semana um livro intitulado Pequeno Manual de Instruções para a Vida, que o seu autor, Jackson Brown, escreveu para seu filho quando este iniciou a vida universitária.

São 1001 conselhos, dicas, instruções, do trivial ao essencial, que o escritor recolheu ao longo do tempo para servir de base para uma vida feliz e gratificante. O livro se tornou um best-seller com mais de 10 milhões de exemplares vendidos no mundo.

Na obra, por duas vezes, fala-se do advogado. Na primeira vez, fala-se num sentido positivo, dizendo: "Conheça um bom advogado". Na segunda, fala-se num sentido negativo: "Nunca peça conselhos sobre negócios a um advogado, ele é feito para encontrar problemas, não soluções".

Não farei críticas ou reparos ao exagero ou a contradição de Jackson Brown, esse não é meu foco. Na verdade, ele apenas retratou a dualidade das coisas. A advocacia é uma profissão paradoxal, serve tanto para fazer o bem quanto para fazer o mal, por isso é uma profissão ora amada ora odiada, ora louvada ora espraguejada, de um conteúdo tão forte na vida dos indivíduos e da sociedade que não passa despercebida num manual para se viver feliz.