sexta-feira, 18 de abril de 2008

Um trovão no júri

Leon Gambetta viveu no século XIX, na França. Tinha uma obsessão: ser advogado.

Assim, tornou-se o maior de seu tempo. E sua época foi o período de ouro da história da advocacia criminal.

Era um homem feio, cego e coxo. Porém, dono de uma voz celestial.

Aos 30 anos, ainda um moço, granjeou a celebridade.

Era chamado de o Trovão do Júri. Enfrentava o poder como um guerreiro espartano.

Seu andar no júri era poético e, com seu defeito numa perna, virava arte.

A principal caracterítica de sua defesa era a acusação. Defendia acusando. O poder, Napoleão III, ou quem fosse o responsável pelo vilipêndio dos seus defendidos.

O governo françês, num caso famoso, resolveu colocar um obstáculo físico entre Gambetta e os jurados, para evitar seu andar persuasivo. Sabia, o governo, que seu defeito físico não superaria o biombo posto.

"Com a palavra, o advogado", disse o magistrado.

Gambetta olhou, olhou, olhou o biombo e protestou veementemente contra arbítrio. Então, com toda a dificuldade de um coxo, começou a escalar o obstáculo, e o tribunal todo ficou em silêncio, e na espectativa do que ia acontecer.

Depois de muito esforço conseguiu pular para bem perto dos jurados. E com sua voz de trovão vociferou: "Respeitem a defesa, a voz da justiça vai falar."

Todo o Tribunal o aplaudiu, inclusive os jurados, que de pé, choravam de emoção. O veredicto não preciso nem dizer.

Um comentário:

Altevir disse...

Pouco, bem pouco mesmo o conheço. Mas o bastante pra dizer que "Um trovão no júri" é à sua cara: Guerreiro! Vida longa, Paz e muito Amor, Dr. Sanderson Moura! altvR brt!