segunda-feira, 25 de julho de 2011

Advocacia: a profissão do exame!

Não, não é do exame de ordem que estou falando. É da capacidade de examinar. Já falei deste assunto outras vezes, mas agora ele me vem de maneira diferente.

A advocacia é uma profissão do exame. O advogado examina tudo, tem que examinar, quanto mais examina as coisas numa perspectiva global, melhor advogado se torna.

Examina a causa na hora de aceitá-la ou não. Examina o cliente para ver se vale a pena torna-se dele companheiro de viagem. Examina as provas, examina a argumentação, as versões, as opiniões, as teses, as verdades.

É da natureza da advocacia examinar, analisar, ponderar, perquirir, indagar, contraditar, raciocinar. O advogado é um homem da razão, e dessa faculdade desenvolvida é que surge a virtude de examinar bem os fenômenos.

Enquanto uns aceitam tudo bem rapidamente, sem maiores verificações, o advogado mergulha no oculto, no escondido, no não-dito, e encontra muitas vezes ali uma verdade completamente diferente, uma visão mais clara da realidade das coisas.

A capacidade de examinar é da própria natureza da advocacia, tão importante que sem isso não existiria verdadeiro advogado. Imagine um advogado assim!?

sexta-feira, 22 de julho de 2011

50 anos da União do Vegetal

Há 50 anos, no dia 22 de julho de 1961, nas fronteiras entre o Acre e a Bolívia, foi fundada, por José Gabriel da Costa, a União do Vegetal, uma sociedade religiosa que comunga o chá hoasca, que é a união de dois vegetais da floresta amazônica, o mariri e a chacrona, chá comprovadamente inofensivo a saúde.

No livro Hoasca: Ciência, Sociedade e Meio Ambiente está escrito: "Desde então a União do Vegetal tem trabalhado pelo aprimoramento do ser humano no sentido do desenvolvimento de suas virtudes morais, intelectuais e espirituais".

José Gabriel da Costa, na época, sofreu preconceitos e chegou até a ser preso, mas atualmente tem sua obra reconhecida pelo próprio estado brasileiro, e, país afora, em câmaras municipais, assembleias legislativas e Câmara Federal recebeu os mais aclamados elogios pelos benefícios que a sua religião vem trazendo aos seus discípulos e à sociedade.

A União do Vegetal - UDV já existe em vários país do mundo como EUA, Espanha, Inglaterra, Suíça, Austrália e continua a se expandir como um foco de luz e de paz em prol da fraternidade humana.

E quem foi esse homem simples e sábio chamado Mestre Gabriel? Recorrendo ao livro acima citado encontramos a resposta: "Um homem que, apesar do pouco letramento, trouxe à humanidade os mais nobres valores da convivência humana, sendo considerado um exemplo de pai, de marido e de amigo daqueles que tiveram oportunidade de conviver com ele. Mestre Gabriel sustentou sua casa com o suor do seu trabalho, valorizou a fidelidade ao lar também como companheiro e pai de família. Como guia espiritual não recebeu remuneração pelo ofício religioso. Era voluntário na sua obra".

E como disse Edson Lodi, Coordenador de Relações Institucionais da UDV, em recente homenagem prestada a esta instituição na Assembleia Legistativa do Acre, "Mestre Gabriel foi um homem fiel ao seu destino, que caminhava convicto do que fazia, sem medo ou assombro".

Parabéns a União do Vegetal pelo seu cinquentenário, que essa luz de Deus continue brilhando firme na mente e no coração de seus admiradores.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O homem é um ser essencialmente autodeterminante

Li por esses dias uma frase de Viktor Frankl, um sobrevivente do holocausto nazista, que escreveu um livro bem inspirador, intitulado Em Busca de Sentido. A frase dizia assim: "O homem é um ser essencialmente autodeterminante".

E deu um forte exemplo. Muitos prisioneiros dos campos de concentração de Hitler, ao serem enviados para os fornos de cremação, morriam como porcos nojentos, enquanto outros morriam com a dignidade dos santos, entoando uma canção em que o salmista proclamava : "Ainda que eu tenha que caminhar pelo vale da sombra da morte não temerei mal algum, porque tu, Senhor, guarda todos os meus caminhos".

Quando li essa história, lembrei-me de outra, que bem esclarece porque o homem quando quer, constrói seu próprio destino, se autodetermina, apesar de todos os obstáculos.

Havia dois irmãos, e o pai era um alcóolatra. Um dos filhos se tornou um alcóolatra também, e o outro se tornou um estudioso, um trabalhador, um homem de bem.

Certa vez, um pesquisador perguntou ao primeiro porque ele tinha se tornado um alcóolatra, e ele respondeu que foi devido ao exemplo de seu pai. Ao segundo fez a mesma pergunta, ao que ele respondeu da mesma forma que o primeiro: foi devido ao exemplo de meu pai.

As histórias mostram que tudo depende da maneira como resolvemos ver a vida. Para usar uma expressão dos psicólogos, depende da gestalt, do foco, das escolhas que fazemos. O homem é um ser essencialmente autodeterminante! Querendo, ele pode definir seu próprio destino.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Expressões próprias do júri

Quem tem familiaridade com a tradição do júri popular entende perfeitamente termos desconhecidos para a maioria das pessoas, e que retratam situações em que se exigem do advogado a posse de qualidades elevadas.

O advogado de júri não pode "deixar cair a defesa". Quando os jurados não prestam atenção ao que o advogado diz, então, ele deixou a defesa escapar de suas mãos. Os jurados passam a fazer as viagens mentais. Começam a pensar na conta que está vencendo, no filho que tem que pegar na escola, no menino que precisa tomar o remédio, na esposa necessitando de auxílio. Adeus vitória!

O "estado de júri" é um dos momentos mais doloridos para o advogado. É aquela tensão, aquele nervosismo, aquele frio na barriga, aquela opressão na garganta que surge dias antes de um grande julgamento, onde não se come direito, não se dorme bem, onde a ansiedade é companheira cruel do causídico. Seu pensamento está a mil por hora e seu coração parece não ter a calma das batidas de antes.

Mas "vestir o processo" é sempre uma boa maneira de não "deixar a defesa cair". "Vestir o processo" significa preparar-se para a causa. Ler os autos, estudar, marcar, selecionar depoimentos, provas, conhecer pormenorizadamente os autos. Dar banho, perfumá-lo suavemente, colocar nele uma roupa bonita, elegante, e mostrá-lo diferente da feiúra que muitas vezes surgirá na frente dos jurados pela voz do acusador, isso é "vestir o processo".

Assim é o júri, tem sua linguagem própria. E é impressionante como simples expressões como "deixar cair a defesa", "estado de júri", "vestir o processo", entre outras, ilustram com propriedade momentos decisivos que exigem do advogado compromisso, domínio de si, dedicação, combatividade, ou, sumulando tudo, consciência profissional.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A resposta de Jesus a um advogado

No livro de James Hunter, O Monge e o Executivo, encontrei a seguinte passagem, onde o autor narra um encontro entre Jesus e um advogado. Vejamos:

"Muito tempo atrás, um advogado - chamavam os advogados de escribas - perguntou a Jesus qual o mandamento mais importante do judaísmo. Tente compreender o contexto em que esta pergunta foi feita. O judaísmo evoluíra durante muitos séculos e foi gravado em milhares de velhos pergaminhos, mas o advogado queria saber a única coisa importante da religião! E Jesus lhe disse simplesmente que era amar a Deus e ao próximo".

O advogado, diante de tantas leis, queria saber a essência, o sumo, a substância, o que tinha de mais importante, o princípio reitor na mensagem do Divino Mestre. Queria saber da lei das leis, queria saber de uma lei capaz de conter todas as outras.

E a pergunta foi muito inteligente, porque sem ela não teríamos a frase Jesus. Se praticássemos, todos nós, realmente, esse grande mandamento, não haveria a necessidade de termos tantas leis, tantos códigos; não haveria necessidade de termos tribunais, polícia, advogados, juízes, promotores, delegados.

Como apólogo da advocacia não poderia deixar de narrar a passagem do livro de James Hunter que fala desse encontro entre Jesus e um advogado, e que está registrado na Bíblia em Mc 12, 28-34.

Fico honrado em ter sido um dos nossos a fazer a pergunta que levou o Mestre a responder com tão sábias palavras a famosa frase "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo", mostrando que isso é a essência de todas as leis, de todos os mandamentos da espiritualidade.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O despertar da advocacia!

O texto que segue é de Elisandra Silva, acadêmica de direito, entusiasta de sua escolha profissional. Comenta a respeito de sua alegria e inspiração ao ler os textos deste blog, e se reporta particularmente ao post, A Advocacia é uma profissão da mente e da alma, do coração e dos nervos. Sou grato por suas palavras, Elissandra, e parabéns pela maneira fluente como escreve.

Seu texto revela algo sublime em uma pessoa: o despertar da vocação. E fico imensamente grato a Deus por está auxiliando muitos jovens a optarem pela advocacia. Aumenta, no entanto, meu compromisso e minha responsabilidade com essa profissão, porque, como dizia Saint Exupéry, "és eternamente responsável por aquilo que cativas".

Olá Dr. Sanderson,

O motivo do meu e-mail é para parabenizá-lo pelas suas sábias palavras compartilhadas em seu Blog. Tive o prazer de conhecê-lo pessoamente há um tempinho atrás, acredito que o Sr. lembra de mim. Admiradora de seu trabalho como advogado criminalista no Acre. Solicitei até sua assinatura em meu livro, (risos) lembrou?

Então, sempre acompanho seus saudosos textos em seu blog pessoal que de fato tem me levado a altos patamares de pensamentos relacionados as minhas expectativas como futura operadora do Direito. Suas palavras me levam a vivenciar de forma antecipada aquilo que irei enfrentar ao ingressar nessa apaixonante carreira que é a advocacia.

Um de seus texto (entre muitos) que me chamou atenção foi o intitulado "Uma profissão da alma da mente, do coração e dos nervos." Que com maestria demonstra as qualidades do verdadeiro e bom advogado. Ao ler esse texto exposto pelo Sr. fiquei pensando em tantos profissionais por aí a fora que necessitavam ler para ser tornarem mais humanos e até mesmo mais profissionais. Me senti feliz de ter tido essa oportunidade ainda como estudante de Direito de ler um texto tão inspirador e motivador como esse. Acredite o autor René Ariel Dotti tinha dentro dele a essência do verdadeiro advogado. Infelizmente Dr. Sandeson nos deparamos com advogados despreparados e preguiçosos e muitas vezes sem nenhuma ética porque falta neles a a vocação, a alma, o chamado.

O que dizer da profissão da mente acredito que essa parte se encaixa muito bem em nós acadêmicos que precisamos desenvolver nossas habilidades mentais superiores, como pensar, raciocinar, examinar, meditar, refletir isso acredito que deva ser desenvolvido ainda dentro da faculdade para o despertar do grande advogado que esta dentro de nós. E dos nervos? Porque tem que ter autocontrole, domínio de si, o advogado deve ser equilibrado e cuidadoso com a situação e com a partes. E para finalizar, a profissão do coração que confeço que é a minha preferida porque retrata aquilo que tanto sonhamos e buscamos, que é o respeito ao ser humano, a vida,a liberdade, ao direito e a justiça.

Eu Escolhi fazer Direito pelo Ser Humano (pela vida). A experiência que é passada pelos seus textos nos leva a viver por alguns momentos junto com o Sr. por meio de suas palavras a vivência da verdadeira advocacia (e como se fosse na prática). Parabéns, são poucas pessoas que tem esse dom. Agradeço em nome de muitos estudantes, por seus textos contribuirem com nossa fomação acadêmica. Sucesso!

Obrigada!

Elissandra Silva, acadêmica de direito.

terça-feira, 12 de julho de 2011

A alta advocacia

Nossa profissão de advogado é iluminada por inúmeros decálogos, credos, mandamentos, conselhos, que se tornaram ontológicos, essenciais, um verdadeiro oriente, de onde jorra elevada sabedoria.

Santo Ivo, Santo Afonso Maria de Ligório, Eduardo Couture, Angel Ossório, Rui Barbosa, e tantos outros, deixaram registrados em imorredouras letras o que se tem de mais fino na consciência humana no que se refere a arte de advogar.

Rodolfo Luiz Vigo, catedrático, filósofo do direito, também registrou seus Mandamentos del Abogado, escrevendo:

I - Se prudente; II - Se justo; III- Se valiente; IV- Se solidario; V- Se leal; VI- Se responsable; VII- Se estudioso; VIII- Se humilde; IX - No mientas.

Após cada mandamento, Rodolfo Luiz Vigo traz explicações profundas de seus significados. Quando fala de se prudente, afirma: guiate por la reta razon de manera que atuar en caso particular, te ajuste a las exigencias de la profissión y la etica.

Todos esses ensinamentos, de la reta razon, fazem parte da alta advocacia, que é um lugar luminoso da consciência profissional. Um lugar onde é sublime o pensamento, onde é refinado o sentimento, onde são heroicas as ações, onde se encontram juntas e em harmonia as ciências da psicologia, da filosofia, da história, do direito, da espiritualidade. É um lugar do ser, onde flui as águas doces do conhecimento.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Quando o líder faz besteira...

Já li alguns livros de John Maxwell, prolífico escritor e palestrante americano, com milhões de livros vendidos, quase todos falando de liderança.

Neste sábado, estava na livraria Paim quando encontrei mais um livro de Maxwell, Minutos de Liderança, e ao folheá-lo, uma frase prendeu-me a atenção, o que me fez comprar a obra:

"Quando os líderes fazem besteira, muitos sofrem. Quando os líderes caem, os seguidores também pagam o preço".

Isso remete a responsabilidade de ser líder. Se a pessoa é líder é porque ela influencia a vida de seus seguidores. A queda do líder, a falha do líder, a besteira que o líder comete, tem um triste efeito dominó, que traz infortúnio, lágrimas e revoltas para muitas pessoas.

Por isso é que o líder tem que ter consciência da sua responsabilidade. Se as pessoas o seguem é porque depositaram nele a confiança, a esperança, a certeza de serem bem conduzidos.

Não é que o líder seja infalível, nunca erre, não vacile por vezes, mas uma coisa é isso tudo acontecer o líder buscando acertar, buscando o melhor; outra, é isso tudo acontecer por fraqueza no caráter do líder.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O 7º mandamento de Santo Ivo

No Decálogo do Advogado, diz Santo Ivo, o padroeiro do advogados: "Não é louvável que um advogado aceite causas superiores ao seu talento, às suas forças, ao tempo que, muitaz vezes, lhe faltará para preparar honestamente a defesa".

A obediência a esse mandamento é um gesto de grandeza, de humildade, de honestidade, de responsabilidade, de consciência. Agindo assim o advogado está respeitando a sua profissão, a si mesmo, ao cliente, a sociedade, à justiça.

Não existe demérito em dizer: "Não, não vou pegar essa causa, não vou dar conta, não tenho o tempo suficiente para isso, não é minha área de atuação, isso está acima de minhas capacidades técnicas, embora esteja precisando de dinheiro, embora essa causa me dê fama momentânea, não, não vou entrar nesse desassossego, nessa barca furada".

O advogado que tem zelo pela sua honra, e que sabe de todas as implicações ruins para sua carreira, não aceita causas que estejam acima de suas capacidades, de seu talento e de seu tempo disponível.

Causas assim constantemente batem à porta do causídico, muitas vezes em forma de tentação, tentação da fama ou do dinheiro. É melhor resistir a essas tentações do que pagar pelo alto preço do descrédito, da má-fama, da desídia, do desprezo profissional a que poderá se submeter pela violação do 7º mandamento de Santo Ivo.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Juntos somos mais sábios

"Juntos somos mais sábios". Li essa frase no livro O Monge e o Executivo. Ela contém uma grande dose de sabedoria.

No Júri, costumamos dizer que sete pessoas julgam melhor do que uma, o juiz togado. Sete jurados juntos são quatorze olhos, quartoze ouvidos, sete mentes, sete almas, sete corações, sete convicções. Examinando juntos a causa, de acordo com os ditames da consciência, num ambiente de legalidade e ética, o resultado do júri raramente sai errado.

Assim também é na nossa vida. Quando focamos uma frase, um texto, um livro, um filme, um acontecimento juntos, a riqueza de visões e de compreensões é muito superior ao entendimento de cada um isoladamente.

Quando um trabalho é realizado em equipe, ele sai muito mais bem feito. Todos precisamos do auxílio uns dos outros. Somos seres interdependentes, "nenhum homem é um ilha".

Se ficarmos abertos e receptivos para ouvirmos a opinião dos outros iremos perceber que a todo momento nos são dadas oportunidades de ampliarmos nosso entendimento, nossa capacidade, nosso conhecimento, nosso potencial, com aquilo que o próximo está a dizer. São livros abertos esperando serem lidos! Só precisamos reconhecer e valorizar as opiniões alheias, tendo a consciência de que "juntos somos mais sábios".

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A crise de liderança e a porta das oportunidades

Dizia Trostski que "a crise da civilização é a crise de liderança". E isso é uma constatação verdadeira. É so olhar com mais acuidade em nosso derredor. Carecemos de líderes. Mas isso é uma oportunidade para preenchermos esse espaço vazio.

César Souza, um dos grandes estudiosos da liderança no Brasil, assim escreve no livro Cartas a um Jovem Líder:

"A escassez de líderes corrói o mundo político, nossas empresas, escolas, famílias, comunidades. Esbarramos na proliferação de indivíduos em posição de liderança cujos valores são, no mínimo, questionáveis. A crise que o mundo tem atravessado não são apenas de natureza financeira, social ou climática. O déficit tem sido o de liderança".

E acrescenta: "Seguindo a eterna lei da oferta e da procura, existe uma demanda por líderes competentes, inspiradores, íntegros. Essa pode ser uma grande oportunidade à sua frente. Essa é a sua grande oportunidade de reiventar-se como líder".

O tema sobre liderança não é modismo, não é algo passageiro, tem sido um dos mais estudados temas em todos os tipos de organizações, demonstrando que existe uma procura por pessoas capazes de liderar com competência, com honestidade, com espírito público, com integridade, com virtude, com valores.

Aqueles que despertarem para o desenvolvimento de sua capacidade de liderar - que todos temos -, desde liderar a si mesmo até liderar os outros, terão a sua frente um vasto mundo de oportunidades. Como sempre ouvimos por aí, a crise não é só a crise, é também a oportunidade de crescimento, de realização, de mudanças positivas.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Uma profissão da alma e da mente, do coração e dos nervos

Ensina René Ariel Dotti, em seu livro Breviário Forense: Crônicas da Experiência de um Advogado, que "a advocacia é uma profissão da alma e da mente, do coração e dos nervos".

René Ariel Dotti exerce uma liderança bem marcante no mundo do direito penal. Jurista de ponta, professor renomado da Universidade Federal do Paraná e grande advogado.

Dele também é a obra Casos Criminais Célebres, que li com grande avidez, ainda quando estudante. René Ariel Dotti exerceu uma boa influência na minha formação de criminalista.

Por que a advocacia é uma profissão da alma? Porque para ser advogado é preciso ter vocação, que é um chamado do fundo da sua essência, um sacerdócio.

E por que é uma profissão da mente? Por que o advogado, para exercer bem seu ministério, precisa desenvolver suas habilidades mentais superiores, como pensar, raciocinar, examinar, meditar, refletir.

E ainda, por que é uma profissão do coração? Por que tem que ter amor, entusiasmo, ânimo, respeito pelo ser humano, devoção pela liberdade, pelo direito, pela justiça.

E dos nervos? Porque tem que ter autocontrole, domínio de si, autoconhecimento, para fazer aflorar em seu eu as faculdades mais elevadas da alma, da mente e do coração.

Por isso foi bem inspirado René Ariel Dotti quando disse que "a advocacia é uma profissão da alma e da mente, do coração e dos nervos". Devemos integrar e equilibrar em nós todas essas valiosas dimensões do ser.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O poder simbólico da gravata

O texto que segue faz parte do livro Advocacia E Oratória Ou Do Homem De Bem Que Sabe Falar, de minha autoria. O debate é atual e diz respeito a maneira do advogado de se vestir.

O uso da gravata não é mais privilégio dos doutores da lei. Pastores, executivos, jornalistas e muitos outros a tem como ingrediente importante de sua indumentária profissional.

Para uns, a gravata nasceu na Antiga Roma, quando oradores usavam um pedaço de seda em volta do pescoço para ajudar a aquecer as cordas vocais, antes de pronunciarem seus retumbantes discursos. Observe que ela tem estreita relação com aqueles que usam a palavra como principal ferramenta de trabalho.

Para outros, a gravata tem origem etimológica na palavra croata, que era um bando de cruéis mercenários que amarravam lenços em volta do pescoço antes de partirem para as sangrentas batalhas. Veja que isso também tem relação com os profissionais acima citados. Numa interpretação raivosa e preconceituosa eles são "um bando de urubus mercenários que nas batalhas diárias fazem de tudo para ser dar bem".

Quando estava em início de carreira como advogado, um certo juiz amigo meu aproximou-se de mim e me chamou a atenção: "Quem tira a gravata perde a autoridade". Meditei a respeito, e hoje só muito raramente a deixo de usar.

No cotidiano forense e policial pude perceber uma sutil e importante diferença na forma com são tratados os profissionais que usam e os que não usam a gravata em suas atividades profissionais.

Muito embora a autoridade de uma pessoa não esteja na roupa que veste, a psicologia das vestimentas muito conta na vida diária de todos os profissionais, e até mesmo revela sua personalidade.

Um profissional sem a gravata passa uma certa mensagem inconsciente de insegurança, de derrotismo, de insucesso e até mesmo de relaxamento profissional.

Não podemos desconhecer o poder do simbolismo, não podemos ignorar as sutilezas que envolvem as complexas teias das relações humanas. O modo como você se veste em muito conta na hora de definir seu futuro profissional.

A liderança servidora

James Hunter é o autor do famoso livro O Monge e o Executivo, cuja ideia central é a construção da liderança baseada no servir. Só quando o líder estiver preparado para servir é que se pode considerá-lo um verdadeiro líder.

Em seu outro livro, Como se Tornar um líder Servidor: Os Princípios de Liderança do Monge e o Executivo, Hunter cita diversas vezes o exemplo de Jesus, que constantemente dizia aos seus discípulos que tinha vindo para servir e não para ser servido, e que quem quisesse ser o primeiro tinha que saber servir.

Hunter sabe o que diz. Segundo ele mesmo, estuda o tema liderança há mais de 35 anos, com entusiasmo sempre renovado. A leitura dos livros de Hunter é imprescindível para aqueles que se interessam pelo tema. Quem os lê sai com uma visão mais rica do conceito de liderança.

Escrevo abaixo algumas frases do autor, de fundamental importância para o autoaperfeiçoamento do líder:

“O maior indicador de saúde ou doença organizacional está na liderança ou sua ausência”.

“Liderança é aquilo que somos”.

“Liderança tem tudo a ver com caráter”.

“Liderança é a capacidade de influenciar os outros para o bem”.

“Você não precisa esperar ter um cargo de chefia para exercer sua liderança”.

“Liderança é responsabilidade”.

“A vida não é tanto o que acontece, mas a maneira como reagimos ao que acontece”.

“A autoridade é a essência de uma pessoa, está nela”.

“Se você quer liderar você deve servir”.

“Quando surge uma crise é que se descobre quem é quem”.

“As qualidades do amor representam a essência da liderança”.

“A paixão é uma qualidade essencial da liderança”.

“Os seres humanos sentem a necessidade de serem apreciados”.

“Ouvir é uma poderosa arma de sedução”.

“Dê o melhor de si”.

“Se você não acreditar no mensageiro não vai acreditar na mensagem”.

“Seja o líder que deseja que seu líder seja”.

“Caráter é a nossa força moral”.

“Disse Dale Carnegie que 75% do sucesso de um líder está ligado as habilidades interpessoais”.

“A verdadeira motivação é manter a pessoa entusiasmada”.

“O líder precisa assumir seu lado missionário”.

“As pessoas querem fazer parte de algo especial”.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O líder diante das tempestades

Imagine você seguindo um líder que diante das tempestades da vida fosse o primeiro a correr, a reclamar, a vacilar, a fraquejar? Com certeza esse não seria um líder de verdade. Faltaria nele a firmeza, a segurança, a coragem, a confiança, valores grandiosos num líder. O desequilíbrio é sinal revelador de que à uma pessoa foi atribuída erradamente o papel de líder.

Hoje, muitos livros abordam a capacidade de liderança de Jesus Cristo. Num desses, que li há algum tempo, de autoria de Bob Briner e Ray Pritchard, intitulado Lições de Liderança de Jesus, os autores abordam exatamente o conhecido episódio narrado em Marcos 4. 31-40, em que Jesus acalma uma tempestade de ventos - que levantava ondas furiosas, prestes a afundar o barco - trazendo paz para tantos discípulos amedrontados.

Segundo os autores do livro " um líder tem que se manter calmo em meio à tempestade. Dias turbulentos certamente virão, e, quando chegarem, é imperativo que um líder mantenha seu autocontrole e sua calma, para que seja uma influência tranquilizadora e positiva".

E concluem os autores: "Da mesma forma como os assombrados discípulos começaram a questionar sobre a identidade de Jesus após ele, de forma milagrosa, acalmar os ventos e as enorme ondas, os seus liderados falarão sobre você com enorme respeito, e admiração após você guiá-los a bom termo através de uma tempestade".

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Líderes insubstituíveis?

Existe uma frase famosa que diz que "ninguém é insubstituível". Ouço isso desde criança. A frase fere um pouco o ego de muitos líderes.

O líder que tem consciência de si sabe que a arrogância é o caminho da queda, e que a humildade é caminho dos sábios, e que a humildade, como diz Osho, é a porta onde o divino canta as suas canções em nós.

A pessoa que se acha insubstituível ainda não deu os primeiros mergulhos dentro de si mesmo. Li em algum lugar que o cemitério está lotado de pessoas insubstituíveis.

Agora, a palavra insubstituível pode ser usada num contexto positivo. "Você é insubstituível. Você é importante, você é o responsável por si mesmo, você é único, é singular, é filho de Deus, merece ser feliz".

Por melhores que sejamos, por mais competentes, por mais sabidos, por mais isso ou aquilo que achamos ser, ninguém é insubstituível. Sempre, mais isso é sempre mesmo, existirão líderes inferiores e superiores a nós mesmos, prontos a ocupar nossos lugares.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

ASSOCIAÇÃO DOS CRIMINALISTAS EMITE NOTA DE APOIO AO PODER JUDICIÁRIO

Um grupo de advogados representando a Associação dos Advogados Criminalistas do Acre - ACRIM, visitaram, na tarde de ontem, o Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Acre, Desembargador Adair Longuini, ocasião em que entregaram nota de solidariedade e apoio a luta do Poder Judiciário por melhores condições orçamentárias.


Os advogados frisaram a importância dessa iniciativa para consolidar o debate sobre a independência das instituições acrianas, princípio basilar num estado democrático de direito.

O Presidente do Tribunal de Justiça, Desembargador Adair Longuini, por sua vez, demonstrou contentamento e gratidão pelo apoio da classe dos criminalistas e aproveitou a oportunidade para fazer uma breve exposição das propostas que o Poder Judiciário vem levantando, sendo a principal delas, a independência financeira do Judiciário, fundamental para que este Poder cumpra sua misssão constitucional. Veja abaixo o teor da nota.

A Associação dos Advogados Criminalistas do Estado do Acre – ACRIM, vem por meio desta, manifestar seu apoio e solidariedade ao Poder Judiciário do Estado do Acre em sua luta pela isonomia entre os Poderes.

A ACRIM, por força dos seus ideais fundamentais, acredita que o principal alicerce da independência e harmonia entre os Poderes, princípios idealizados por Montesquieu, é justamente a igualdade entre estes, que são, em um conceito singelo, o tripé onde se apóiam os valores sociais e democráticos. Desta forma, um Poder jamais poderá sobressair ao outro.

No que concerne a luta do Poder Judiciário acriano para efetivar sua maior participação na construção da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), a ACRIM objetiva tão somente o estrito cumprimento da legalidade, das normas constitucionais e dos anseios do legislador ordinário.

A luta alçada pelo Poder Judiciário acriano contempla principalmente, a nosso ver, a efetividade de seus serviços para com a sociedade, vez que com o orçamento estatal distribuído de forma mais isonômica, evidentemente o Judiciário terá mais condições de atender qualitativamente os jurisdicionados.

Há de se destacar, ainda, que por se tratar de um preceito constitucional, a maior participação do Poder Judiciário na construção da Lei de Diretrizes Orçamentárias atinge a comunidade jurídica como um todo, que não pode permanecer inerte frente a esta discussão.

De modo que como é função do Advogado defender os princípios basilares do Estado Democrático de Direito e principalmente a Constituição Federal e a Estadual, a classe, até por um dever estatutário, não pode se calar diante deste tema, que lhe é de suma importância.

Dito isto, a Associação dos Advogados Criminalistas do Estado do Acre – ACRIM, não se queda ante a polêmica do tema e vem se solidarizar com o Poder Judiciário do Estado do Acre e atestar que estará a postos e a disposição sempre que se fizer necessária a defesa dos princípios legais.

Rio Branco (AC), 22 de junho de 2.011.

ACRIM
Associação dos Advogados Criminalistas do Estado do Acre.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A conduta do líder

É muito comum, e extremamente verdadeira e perene, a assertiva que diz que não adianta só falar, que a pessoa tem que praticar o que diz, o que ensina, o que prega.

Deve haver coerência entre a teoria e a prática. O exemplo maior de eloquência é praticar, é viver aquilo que ensina, que fala, que prega, que diz.

O líder só é líder se for um exemplo de conduta.

Dizem que São Francisco, no leito da morte, pediu a seus discípulos que pregassem o Evangelho em todos os lugares, a todas as criaturas, e que só usassem as palavras caso fossem necessárias.

Ou seja, a prática, a vida, o exemplo, a conduta é o maior instrumento de convencimento que um líder pode ter. Quando precisar usar palavras, estas brilharão como as estrelas no firmamento em noites de verão.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Foi melhor assim!

Hoje tive que exercer com muito esforço, suor e determinação o que chamamos de domínio de si, para não dizer umas verdades para um procurador de justiça.

Foi melhor assim; para mim, para ele, para a boa convivência entre advocacia e Ministério Público. Às vezes temos que engolir alguns sapos, e sem o autocontrole isso não é fácil.

Diziam os antigos gregos que o domínio de si é o supremo domínio.

Exatamente por esses dias lia o livro Lições Zen: A Arte da Liderança, compilado por Thomas Cleary. É um conjunto de textos que ensinam, à maneira Zen, a arte de liderar a si mesmo e os outros.

E para não dizer umas poucas e boas para o procurador, a lembrança da leitura foi providencial. O título do texto é Domínio Interior, Retidão Exterior, e diz com simplicidade:

"Quando eu era jovem ouvi essas palavras de meu pai: ' Sem domínio interior, não se pode ficar de pé; sem retidão exterior, não se consegue agir'. Essa frase vale praticar por toda a vida; nela está resumida a obra dos sábios e dos santos. Sem isso, tudo perde a ordem".

Graças a Deus, graças à lição dos sábios e dos santos, é que aqui estou de pé e agindo, contando a história, e sentido ordem dentro de mim mesmo, após dominar uma vontade voraz de dizer umas verdades para um procurador de justiça. Foi melhor assim!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A liderança espiritualizada

Uma nova fase da humanidade, que muitos chamam de Nova Era, vem despertando nos homens um interesse mais profundo pelo tema da espiritualidade.

A espiritualidade no sentido mais de autoconhecimento, do "conhece-te a ti mesmo", do que no sentido de crenças, de fé cega, de fanatismo religioso.

O filósofo brasileiro Mário Sérgio Cortela, no livro Qual a Tua Obra? Inquietações Propositivas sobre Gestão, Liderança e Ética, diz que "o líder espiritualizado - mais do que aquele que fica fazendo orações e meditações - é aquele capaz de olhar o outro como o outro, de inspirar, de elevar a obra, de buscar um sentido para a vida, sabendo que esta, mais do que um fardo, é uma a realização de uma missão".

Muito se ouve falar em inteligência emocional, em espiritualidade no trabalho, em inteligência espiritual, em ser líder de si mesmo, em ser mestre de si mesmo, em governar a si mesmo, tudo isso faz parte da necessária construção da liderança espiritualizada, que é a que conduzirá a civilização para patamares mais elevados de consciência.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O líder é um diplomata

"É melhor lidar com bicho do que com gente". "Lidar com gente é coisa complicada". "Coisa difícil é lidar com gente". Quem nunca ouviu frases como essas?

Líder que é líder tem que saber lidar com gente. É difícil, é complicado, é muitas vezes estressante. É arte, é ciência.

Cada cabeça, uma sentença. Cada ser é único, é original. Deus não faz cópias. E grande parte do segredo de saber lidar com gente pode ser resumida na frase seguinte, tirada do livro de Jamil Albuquerque, A Arte de Lidar com Pessoas:

"A habilidade em expressar-se e a inteligência interpessoal bem trabalhada são o diferencial entre o fracasso e o êxito nos relacionamentos pessoais e profissionais".

O referido livro traz lições simples, e uma delas diz para sermos diplomatas. Vejo a diplomacia como uma qualidade imprescindível para o sucesso de uma pessoa. Lembro-me que uma das primeiras orientações que li a respeito da arte de advogar dizia: "o advogado há de ser um hábil diplomata."

Bem diz Jamil Albuquerque: "Se você quiser crescer terá de saber compor". Ser diplomata é isso, saber compor. Em resumo, ser diplomata é seguir o caminho da água. É uma grande ciência, essa de saber lidar com as pessoas, fundamental na arte de viver bem.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Os verdadeiros oradores assumem o comando

Uma frase do livro Como se tornar um Comunicador Fora de Série, de Timothy Koegel, bem resume o que podemos ilustrar como grande orador: "os verdadeiros oradores assumem o comando".

Quando você escuta um comunicador fora de série sente que ele está no comando do que diz. Dele exala a sensação de segurança, naturalidade, preparo, carisma, liderança, domínio, consciência da mensagem e de seus propósitos.

Um orador que não estar no comando costuma causar constrangimento nas pessoas que lhe ouvem. Por isso não é raro o desconforto, que leva muitos ouvintes a abandonarem o auditório, em busca de um alívio.

Grandes oradores são líderes natos, são espécies de ímãs que atraem a energia dos ouvintes, devido principalmente a forma apaixonada, convicta e entusiasmada de transmitirem suas mensagem. Assim são esses homens imprescindíveis.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

As 3 lições de um beija-flor

Li no livro Vá com Calma: discurso sobre o zen-budismo, de Osho, a bela história que segue, cheia de significados multidimensionais.

Certo dia um homem capturou um beija-flor que estava comendo as frutas de seu pomar.

O beijar-flor disse que caso fosse solto lhe ensinaria três preciosas lições para a vida. Assim o homem o libertou.

Ao voar para longe do alcance do seu algoz, disse o beija-flor: "Não se arrependa do irrevogável, não acredite no impossível, não busque o inatingível".

Depois de dizer isso o beija-flor deu uma gargalhada e falou ao homem: "Se você tivesse ficado comigo acharia dentro de mim uma pedra preciosa do tamanho de um limão".

O homem ficou furioso. E começou a subir na árvore para pegar o passarinho. Quanto mais subia, mais o beija-flor ia se distanciando, até chegar ao ganho mais fino da árvore, ocasião em que o homem caiu, esparramando-se pelo chão, todo quebrado.

Então o beija-flor começou a explicar: "Ao me soltar você se arrependeu, mesmo sabendo que isso não tinha mais volta. Você acreditou no impossível, ou seja que num passarinho do meu porte pudesse conter uma pedra preciosa do tamanho de um limão. E ao tentar perseguir um passarinho numa árvore você quis pegar inatingível".

E concluiu o beija-flor: "A sabedoria é para os sábios".

quarta-feira, 8 de junho de 2011

"Você não tem medo de mim?"

Daniel Golfinho "preferia viver de acordo com seus princípios, e não se arrependia, embora às vezes se sentisse solitário".

O Golfinho: a história de um sonhador, de Sergio Bambarém, é um livro bem ao estilo de O Pequeno Príncipe e de Fernão Capelo Gaivola, parece coisa para criança e adolescente ler, ou assistir, já que a obra, que vendeu mais de 1o milhões de exemplares, virou filme de animação.

O Golfinho é uma metáfora da vida. Fala de sonhos, de medos, de superação de limites, de destino, de busca da felicidade, da busca da "onda perfeita". Daniel perseguiu seu sonho com tanto entusiasmo que o mar passou a conversar com ele: "Muitos de nós não estamos preparados para superar nossos fracassos, Daniel, e, por isso não somos capazes de cumprir nosso destino. É fácil insistir em algo que não traz risco".

O golfinho, pelos seus atributos de comunicação, liderança, coragem, inteligência, desprendimento, agilidade e vigilância, é símbolo do advogado criminalista. Numa passagem do livro, na busca da "onda perfeita", Daniel Golfinho depara-se frente a frente com um temível tubarão, e passam a se entreolharem. O tubarão, com voz sinistra, pergunta: "Você não tem medo de mim? Tubarões comem golfinhos". Daniel, responde: "Não, não tenho medo de você". E diante de tanta coragem o tubarão se rendeu ao espírito de Daniel.

Ao encontrar tubarões pelo caminho dos nossos sonhos devemos saber que o medo alimenta e agiganta nossos adversários. Mas nossa coragem os sobrepujam. Daniel sempre sempre lembrava uma lição que ouviu do mar: "Como é que você quer ser sábio sem enfrentar os seus medos?".

"Você não tem medo de mim?"

"Não, não tenho medo de você".

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sabedoria judiciosa

Li num livro intitulado Onde Existe Luz, do grande místico indiano Paramahansa Yogananda, uma expressão que cativou minha atenção: sabedoria judiciosa.

Sabedoria é sempre sabedoria. Mas gostei da força espiritual que ganhou a expressão "sabedoria judiciosa".

Apareceu no contexto de uma oração de Yogananda: "Dá-me senhor sabedoria judiciosa para que eu siga os caminhos da justiça. Que eu desenvolva a faculdade de discernimento, que detecta o mal, mesmo em formas mais sutis".

Antes de falar em julgamentos, escrever peças e textos, gosto de mentalizar uma oração que aprendi nos meus tempos de menino: "Vinde Divino Espírito Santo fonte de toda ciência derramai Vossa luz sobre a minha inteligência".

Num julgamento coletivo peço diferente: "...derramai Vossa luz sobre nossa inteligência".

Todos precisam desta luz divinal, advogados, juízes, promotores e jurados, para que o fazer justiça seja obra de uma sabedoria judiciosa, que sabe pesar, medir, examinar, perscrutar, discernir, ver a verdade além do véu das aparências.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Ah, se eu soubesse...

Livraria é comigo mesmo. Estava em Natal quando de longe avistei um título que me chamou a atenção: Ah, se eu soubesse: o que as pessoas bem-sucedidas gostariam de ter sabido 25 anos atrás, de autoria de Richard Edler.

Achei a ideia do livro original, e comprei-o. Depoimentos de executivos, de políticos, de advogados, de escritores, de líderes de diversas áreas, recheiam a obra com dicas importantes para a vida, e que segundo eles, se soubessem antes, teriam feito grande diferença em suas carreiras.

Podemos aprender com as nossas próprias experiências e/ou com as experiências dos outros. O importante é que estejamos sempre receptivos a aprendizagem.

Na obra há um depoimento de Morgan Chu, considerado na década de 90 um dos 100 mais influentes advogados dos Estados Unidos: "trabalhar duro é muito importante, mas lembre-se de sentir o aroma das flores durante o dia. Sonhe, cantarole e mantenha sempre um senso de humor".

Essa poesia, de sonhar, de cantarolar, de ver a beleza da vida, de ser alegre, parece algo difícil de fazer ante a rudeza da luta por um lugar ao sol. Mas lembremos que o sol nasce pra todos, e que não precisamos nos tornar lobos uns dos outros na nossa caminhada em busca da felicidade.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Fortalecendo a liderança da advocacia

Como me sinto feliz em saber que o livro Advocacia e Oratória ou do Homem de Bem que Sabe Falar vem cumprindo sua missão.

Missão de despertar vocações, de reanimar sonhos, de regar sementes, de estusiasmar espíritos, de fortalecer a liderança da advocacia!

Constantemente recebo emails, visitas, ligações, de estudantes, de profissionais, de leitores, da área do direito e de outras áreas, externando sentimentos de gratidão e admiração pelo conteúdo da obra.

Quando escrevi o livro foi com esse intuito, de mostrar o quanto a advocacia é uma profissão bela, e como ela se torna mais bela ainda quando é exercida com encantadora eloquência, tendo como condutora das duas, da advocacia e da oratória, a ética, a moral do homem de bem.

Sou grato a Deus por ter me proporcionado a oportunidade de servir a advocacia, inspirando-me a escrever esse livro, que tem auxiliado os caminhos daqueles que buscam essa profissão com a sincera sede de um dia serem verdadeiros advogados.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Ouça a voz da experiência!

É muito complexo definir um líder, mas é muito fácil senti-lo. Ele tem o poder da condução, um carisma, um chama. É uma autoridade.

Assim foi Vitorino Prata Castelo Branco, advogado criminalista, que morreu em 1994, aos noventa anos. Morrer com idade longeva parece ser um privilégio dos criminalistas.

Escreveu brilhantes livros ensinando o advogado a falar melhor e a atuar com mais poder, com mais potência, com mais superioridade, dentre eles: O Advogado em Ação, Como se Faz um Defesa Criminal, Advocacia Criminal em Segunda Instância, O Advogado e a Defesa Oral, O Advogado no Tribunal do Júri, A Defesa dos Empresários nos Crimes Econômicos, O Advogado diante dos Crimes Sexuais, Crimes contra o Patrimônio, entre outras obras.

Hoje esses livros são raros, comprei-os quase todos em sebos de São Paulo. Lembro-me, ainda estudante, da avidez com que lia O advogado e o Tribunal do Júri e O Advogado e a Defesa Oral.

No Capítulo I - Como Vencer na Advocacia - do seu livro Advocacia Criminal na Segunda Instância está escrito: "Ouça a voz da experiência, siga estes conselhos, e parta para o triunfo da profissão".

Não duvidei em nenhum momento que existia uma mina nas obras desse grande expoente da advocacia criminal, e venho procurando aprender a cada dia mais com os ricos conhecidos que ele nos legou. Ele costumava dizer: "Se eu venci você pode vencer também".

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Os julgamentos do imperador

Conta-se que o imperador romano César Augusto, em mais um dia de rotina, julgava os casos que lhe chegavam as mãos, e colericamente ia condenando a todos, ninguém escapava, ninguém era inocente.

Um amigo do imperador, chamado Mecenas, ao passar pela porta do tribunal percebeu o que acontecia, e bradou:

- Surge tandem, carnifex! Acorda, carrasco!

O imperador caiu em si, e examinou-se, e suspendeu os julgamentos, e só voltou ao tribunal quando estava com o espírito sereno.

Ao retornar pôde ver muitas injustiças que tinha cometido julgando as pessoas com raiva, e reformou grande quantidade de seus julgados.

Uma história eloquente que dispensa divagações.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Liderando a si mesmo

Dias desses fui atrás de um livro para dar de presente a um amigo meu. Achei interessante o livro Seja Líder de Si Mesmo, de autoria do conhecido escritor brasileiro Augusto Cury. E findei comprando dois exemplares.

A mensagem do livro é bem contemporânea: governar nossos pensamentos, administrar nossas emoções, descobri nosso mundo interior, sermos atores principais no palco da nossa história.

Diz o escritor: "Seu maior desafio é cuidar e liderar seu próprio ser. O território dos pensamentos e da emoção é seu tesouro. Se quiser viver dias felizes, cuide dele mais do que de seus bens".

Uma constatação muito digna de nota é quando Augusto Cury fala que" fomos treinados para atuar no mundo exterior e não no mundo interior". Quantas pessoas buscando sucesso na vida e esquecendo do próprio sucesso que é saber viver em equilíbrio emocional!

Vivemos numa era onde a capacidade de liderar a si mesmo será um pressuposto fundamental para se ter sucesso na vida profissional. Acordemos!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A reserva analítica do líder

Entendo por reserva analítica a capacidade da pessoa de examinar bem as coisas: uma informação, um acontecimento, uma atitude, uma opinião ou similares.

Antes de emitir uma decisão o líder deve analisar as coisas com absoluta honestidade a si mesmo. O líder que coloca seus interesses acima da ética e do bem público líder não é.

Trago como bom exemplo a figura de Alexandre, O Grande, que diante de uma acusação tapava um dos ouvidos explicando que assim procedia para ouvir o outro lado da questão. Isso resume o que quero dizer com reserva analítica.

Um líder com reserva analítica é respeitado pelas pessoas; espalha em seu derredor um clima de segurança e justiça. E essa vem sendo a tendência da humanidade: a escolha de líderes justos, capazes de contribuir com o amadurecimento da civilização.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Gotas de luz do Livro de Mirdad

O Livro de Mirdad, escrito por Mikhail Naimy, é um clássico da literatura espiritual. Osho o considerava uma obra sagrada.

Compilei algumas belas frases, depois de tê-lo lido com emoção. Sempre que precisar revisitarei esta página feita de gotas de luz.

"Se orais por algo, orai em primeiro e último lugar pedindo compreensão."

"Tudo é fonte de sabedoria para o sábio".

"Deus é luz, e só a luz pode conhecer a luz".

"Fazei de cada palavra uma oração".

"O homem é preso por tudo aquilo que se apega".

"Não há em minha boca julgamento, mas compreensão".

"Cada dia é dia de juízo. A conta corrente de cada criatura entra em balanço a cada abrir e fechar de olhos. Nada fica escondido. Nada deixa de ser pesado."

"Cada julgamento que se faz é uma carga que se adquiri".

"Viveis para que aprendais a amar; amais para que aprendais a viver".

"Só um olho faltoso está sempre preocupado em encontrar faltas".

"Aquele que conhece a paz jamais pode ser ofendido ou ofender".

"Assim como silenciais vossas vergonhas, silenciais vossas glórias".

"Em vós está o poder de atrair; em vós está o poder de repelir".

"Na vastidão de vosso coração se encontra a chave de todas as portas".

"Quem não pode encontrar um templo em seu coração, jamais encontrará seu coração num templo".

"Tu és a imagem de Deus, e a imagem de Deus não pode se curvar diante de sombra alguma".

"Não há nada acidental".

"Quereis governar os homens? Aprendei a governar a vós mesmos".

"O céu é um estado do ser".

"Todas as coisas são possíveis na eternidade".

"Aquilo que é imposto a força, mais cedo ou mais tarde será deposto pela força".

"Toda pedra de tropeço é um aviso. Lede cuidadosamente o aviso e a pedra de tropeço se tornará um farol".

"Pobre é aquele que usa mal o que tem".

"Cada um de vós é um dilúvio, uma arca e um comandante".

"Na sagrada compreensão, toda dualidade é unificada em Deus".

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Advogados e Estudantes protocolam pedido por “Diretas Já”

Um grupo de advogados e acadêmicos de direito, nesta segunda-feira, às 11 horas, na sala da OAB/AC, no Fórum Barão do Rio Branco, protocolam pedido por Diretas Já para a escolha da lista sêxtupla do quinto constitucional, que preencherá a vaga deixada pela Desembargadora Izaura Maia, que pediu aposentadoria na semana que passou.

O requerimento conta com a assinatura de mais cem advogados e quase mil estudantes de direito das faculdades locais, que defendem a escolha direta dos nomes para compor a lista sêxtupla, forma mais democrática de participação dos advogados no processo.

As eleições diretas não contam com a simpatia do presidente da OAB/AC, Florindo Poersch, que já se manifestou dizendo “não haver a menor chance de eleições diretas para a escolha da lista sêxtupla”. No entanto, diante da grande força que o movimento pelas Diretas Já vem ganhando será difícil para o presidente da OAB/AC manter sua posição de intransigência e aversão pelo processo democrático.

sábado, 21 de maio de 2011

Amor pela advocacia

O texto abaixo é de um jovem estudante do município do Jordão, que sonha em ser advogado, e que tem participação ativa aqui neste blog. Escreve muito bem e possui uma admirável sede de conhecimento. Escreveu uma declaração de amor pela advocacia.

"Se um dia Deus tornar concreto a abstração deste pobre sonhador, e permitir que me deleite no mundo jurídico chegando por fim a exercer a arte da advocacia; e se esse mesmo Deus, tão singular e ao mesmo tempo tão plural, senhor de tudo que é bom, obsequiar-me à graça da longevidade, esta que é a fortuna dos homens bons de coração, eu quero, mesmo que minhas pernas não sustentem mais esse corpo cansado resultante de exaustivos trabalhos; mesmo que as mais simples expressões gestuais se tornem quase intransponíveis; mesmo que a leitura de um simples processo se torne uma tarefa intricada por ocasião de minha visão cansada, fruto de uma vida de leituras em demasia; mesmo que minha voz esteja pedindo descanso por ter sido tantas vezes a chave para a porta dos cárceres dos injustiçados; mesmo que minhas mãos tremam ao segurar uma simples folha de papel denunciando que aquela atividade está prestes a ser cessada pelo único ato que iguala todos os homens, a morte; ainda sim eu quero está advogando, pois um homem não morre quando o corpo é sepultado e o coração deixa de dedicar-se aquele que é o latejo da vida. Um homem morre quando deixa de fazer aquilo que lhe dar um sentido de vida plena".

Hugo Brito

Jordão-Ac, 19/05/2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Dia 19 de maio: Dia de Santo Ivo, Dia dos Defensores Públicos!

Santo Ivo nasceu em 17 de outubro de 1253, na França. Era de família pobre e virtuosa. Aluno inteligente e aplicado, exerceu a advocacia até a morte, em 19 de maio de 1303.

Teve como professores São tomas de Aquino e São Boaventura, dois grandes doutores da Igreja, famosos oradores.

Também foi padre e juiz, mas um biógrafo escreveu dele: "Todos os demais títulos de Santo Ivo empalidecem diante de seu renome como advogado íntegro e escrupuloso."

Ao ser admitido na ordem dos advogados falou: "Juro pela pureza de minhas intenções que quero ser a fortaleza dos fracos, dos humildes, dos pobres e dos necessitados". Santo Ivo granjeou a estima de todos, pois ele próprio ia buscar nos castelos o cavalo, o carneiro roubado dos pobres sob o pretexto de impostos não pagos. Era chamado advogado dos pobres.

Os defensores públicos comemoram seu dia hoje, em lembrança a Santo Ivo, o criador da assistência judiciária gratuita. Santo Ivo se tornou um grande apóstolo da advocacia popular.

Fala-se que Santo Ivo foi o primeiro advogado a entrar no Céu. Ao chegar nas portas do Paraíso, São Pedro o impediu de entrar, alegando que ali não tinha nenhum advogado, pois todos estavam no inferno.

Santo Ivo perguntou a São Pedro se existia algum contrato entre ele e Deus o tornando porteiro do Céu. São Pedro disse que não, pois não necessitava. Santo Ivo disse-lhe que era importante constituir um advogado, pois caso Deus o despedisse, ele não teria direito a nada.

São Pedro ficou com muito medo de perder o emprego, e perguntou se Santo Ivo podia ser seu advogado, caso isso acontecesse. Santo Ivo disse que sim, mas só se entrasse no Paraíso. E foi assim que o primeiro advogado conseguiu entrar no Reino de Deus.

No túmulo de Santo Ivo está escrito: "Eis um advogado honesto, isso não é uma coisa extraordinária?"

Santo Ivo escreveu o decálogo do advogado, e no primeiro mandamento está escrito: "o advogado deve pedir a ajuda de Deus nas suas demandas, pois Deus é o primeiro protetor da justiça."

Santo Ivo, Padroeiro dos Advogados. Que bom termos um santo que do céu vela por nós. Parabéns amigos defensores públicos, por esse dia especial!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Minha vida, minhas batalhas!

Uma das frases que tem norteado a minha vida profissional foi tirada do livro Advogado de Defesa, escrito por Irving Stone, sobre a vida do célebre criminalista americano Clarence Darrow.

Diante do júri disse Darrow, cercado por uma atmosfera hostil, de autoridades incomodadas com sua atuação:

"Vivi a minha vida, e lutei minhas batalhas, não contra os fracos e os pobres - isto qualquer um pode fazer - vivi minha vida e lutei minhas batalhas contra a força, contra a injustiça, contra a opressão".

E ainda estudante, andava eu garboso com a biografia do grande advogado debaixo do braço, dizendo para mim mesmo, como se guardasse um segredo. "É desses que quero ser".

quinta-feira, 12 de maio de 2011

O Sócrates e o Anti- Sócrates dentro de nós

Disse certa vez o filósofo Sócrates: "Quando eu era jovem sabia tanto! Hoje que já sou velho nada sei".

A maturidade, para aqueles que buscam o verdadeiro conhecimento, leva a esse estado de espírito socrático, onde a humildade diante da amplidão do universo torna-se a real sabedoria.

Se fosse há alguns anos, não me sentiria um ignorante em relação a muitas coisas da vida. Tem outras coisas que ainda sou como jovem, "sei demais".

Há uma certa segurança ilusória nesse "saber demais". O "nada sei" socrático é luminoso, é um castelo de ampla fortaleza espiritual.

Agora mesmo, enquanto escrevo, vivo um drama, penso que sei demais em relação a um determinado assunto, ao mesmo tempo que me questiono a respeito dessas certezas.

Existe um Sócrates e um Anti-Sócrates dentro de cada um de nós!

terça-feira, 10 de maio de 2011

ELEIÇÕES DIRETAS JÁ NA OAB/AC

Por Roberto Duarte Júnior, advogado militante.

No site AC24horas, em matéria assinada pelo jornalista Ray Melo, o Presidente da OAB, seccional Acre, contestou as afirmações do Defensor Público Valdir Perazzo, no que diz respeito à escolha da lista sêxtupla para preenchimento do quinto constitucional do TJ/AC. E afirmou ainda que não existe a menor chance de eleição direta.

"Não existe a menos chance de uma eleição direta. Minha opinião é o contrário do que ele [Perazzo] pensa. Se você submeter à escolha a uma eleição, vai aumentar as chances de quem tem dinheiro para gastar. Os candidatos vão colocar dinheiro na disputa, aí sim, vai acontecer a politização entrando os interesses partidários, numa questão de direito”, diz Poersch.

O Presidente se posiciona contra o princípio constitucional da eleição direta pelos próprios membros da advocacia, como se estes não tivessem capacidade de escolha, e todos fossem vulneráveis ao Poder Econômico.

Relembre-se que o Advogado Florindo foi eleito pelo mesmo processo democrático que ele critica e se nega a propagar, afirmando ter vantagem aquele que tem mais dinheiro...
Em síntese, afirma que não devem existir eleições diretas porque advogado não tem capacidade para votar.

A afirmação do Presidente da OAB/AC é uma ofensa moral aos advogados a quem pretende representar e uma falta de compromisso com a própria missão da OAB, que é a de lutar pelo Estado Democrático de Direito, através da pedagogia do voto.

Os argumentos do Presidente, fundamentando sua visão de que não devem existir eleições para formação da lista sêxtupla, é a manifestação mais eloqüente de seu espírito antidemocrático na condução da direção da OAB/AC. Salienta-se que fez as afirmações sem ao menos ouvir o que pensam os Advogados e principalmente o Conselho Seccional da OAB/AC sobre o tema.

Em prevalecendo os seus argumentos, por conseguinte, não deveria existir eleições no Brasil.
Seus argumentos revelam ainda ser ele um leigo sobre a História da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ignorando que a Entidade sempre esteve à frente das grandes causas do povo brasileiro.

Dentre as muitas causas que a OAB defendeu ao longo da História Republicana, a mais alegre, a mais festiva e a que provocou o mais acendrado espírito de civismo na juventude brasileira, foi justamente a campanha das “Diretas Já!”

A título de esclarecimento, afirmo que não existe nenhum impedimento legal para se operar as eleições diretas na OAB/AC, corroborando a isto, informo que outras seccionais já aderiram está forma de escolha mais democrática.

Posicionando-se contrário ao princípio republicano da eleição e, por conseguinte, do método democrático através do voto, segundo a concepção iluminista que promana da Revolução Francesa (um homem, um voto), Florindo Poersch revela toda a sua inapetência para dirigir a Entidade na qual quer se perpetuar, evitando a regra salutar da democracia consistente na transitoriedade dos mandatos.

Admiro e principalmente confio no senso de DEMOCRACIA que cada um dos Nobres Conselheiros Seccionais possuem, tenho certeza absoluta que escolheram o modo mais democrático de se eleger a lista sêxtupla do quinto constitucional, e fundamentalmente saibam que suas decisões serão respeitas por mim e por todos os Advogados.

VIVA A DEMOCRÁCIA, VIVA O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO E PRINCIPALMENTE UM VIVA PARA ADVOCACIA.

OAB/AC - DIRETAS JÁ!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Da convivência entre delegados e advogados no Acre

A história nos mostra que a relação entre advogados e delegados foi constantemente marcada pelo conflito.

De um lado, os delegados, no combate ao crime; do outro, os advogados, na defesa dos direitos constitucionais do cidadão. Há colidências de direitos ou imaturidade na convivência?

Se cada parte cumprir seu dever com ética, como poderá haver conflito? A tensão existe por causa do abuso de autoridade.

Quem tem um pouco de sensibilidade sabe que a egrégora de uma delegacia é das mais pesadas, fazendo muitas vezes que profissionais honestos e calmos se resvalem para o campo do arbítrio.

Nos últimos meses, aqui no Acre, essa tensão entre advogados e delegados chegou ao ápice. Ficou evidenciada a afronta as prerrogativas da advocacia, tendo sido eu mesmo um dos mais atingidos no exercício de minha profissão.

Diante dos fatos pugnei, combati, enfrentei a ilegalidade, em conjunto com outros aguerridos advogados, inclusive com a atuação viva da OAB/AC, que não titubeou e que vem cumprindo, como pode, seu papel na defesa das prerrogativas profissionais.

Mas mesmo combatendo, sempre manifestei publicamente meu desejo de paz entre os homens, de reconciliação, de harmonia institucional. E foi com esse espírito voltado para a convivência pacífica que uma nota foi alinhavada em conjunto entre delegados e advogados em favor da sociedade.

Isso não que dizer pusilanimidade, cumplicidade. Tenho a advocacia no sangue, e se for preciso o combate, na linha de frente estarei. O Estatuto da Advocacia consagra a reconciliação como um valor ético a ser vivido pelo advogado. Confesso que a minha vontade mais sombria foi de levar essa briga até as últimas consequências, com o salve-se-quem-puder, mas seria infantilismo, imaturidade, despreparo emocional, inconsciência.

É bom que cada advogado continue registrando na OAB/AC, caso seja necessário, as violações que acontecem nos departamentos policiais para sabermos se a nota que assinamos realmente está sendo cumprida com seriedade.

Eis o teor da nota:

NOTA CONJUNTA: ADVOGADOS E DELEGADOS

No Estado de Direito Democrático, as instituições devem funcionar nos escopos de sempre servir ao bem comum.

A Advocacia é indispensável à administração da justiça, e sua existência e previsão têm sede constitucional no art. 133, da Carta Magna.

A atividade policial também é indispensável para que haja Segurança Pública. Não sem razão que as atividades policiais, para manutenção da ordem pública estão previstas no Capitulo da Segurança Pública do Código dos Códigos.

Temos assistidos nos últimos dias, especialmente pelos meios de comunicação, reiteradas manifestações de hostilidades entre os integrantes da classe dos Advogados e Autoridades Policiais, que a nada conduzem...

A desinteligência que hoje permeia essas importantíssimas instituições indispensáveis a preservação da ordem jurídica, leva intranqüilidade a população e compromete a prestação dos seus necessários serviços.

Nós subscritores da presente nota, Advogados atuantes e Delegados, entendemos indispensável que essas respeitáveis instituições, para o bem comum e tranqüilidade do Estado, voltem a sentar-se a mesa para um dialogo de instituições, de forma tranquila e harmoniosa como sempre o fizeram no Estado do Acre.

Portanto, imbuídos do espírito de pacificação – bem aventurados os que promovem a paz – pugnamos no sentido de que as instituições envolvidas dêem inicio a um processo de diálogo, o que deve ser feito realizando conjuntamente, eventos de interesse jurídico comum, com trocas de ideias e informações profissionais.

Assinam a presente:

Advogados e Defensores Públicos: Roberto Duarte Júnior, Silvano Santiago, Valdir Perazzo Leite, Ruy Alberto Duarte, José Carlos Rodrigues dos Santos, Roberto Duarte, Sanderson Moura, Luccas Vianna, João Arthur Silveira, Francisco Valadares Neto.

Delegados: Adriano de Morais Araújo, Denise Pinho de Assis Pereira, Elenice Frez Carvalho, José Anibal Tinoco Filho, Karlesso Nespoli Rodrigues, Leonardo Santa Bárbara, Mardilson Vitorino de Siqueira, Pedro Henrique R. Teixeira Campos, Pedro Paulo Silva Buzolin, Rodrigo Noll Comarú.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Diretas já para a escolha da lista sêxtupla!

*Valdir Perazzo é Defensor Público

A Constituição Federal, em seu artigo 94 e seu parágrafo único, prevê o procedimento para escolha do advogado que integrará os Tribunais de Justiça dos Estados.

Com a aposentadoria da Desembargadora Isaura Maia, indicada pelo quinto constitucional, deu-se início o procedimento para escolha do advogado que deve ocupar o nobilíssimo cargo vacante.

A Carta Magna estabelece que o postulante (advogado) deve ter notório saber jurídico e reputação ilibada.

Escolhida a lista sêxtupla, esta é enviada ao Tribunal de Justiça para formação da lista tríplice a ser encaminhada ao Chefe do Poder Executivo que fará a escolha do novo Desembargador.

Pois bem. A escolha do Quinto Constitucional não tem contemplado os atributos previstos na Carta Magna, porque o procedimento dar-se por interesses políticos, em um colégio pequeno (Conselho Seccional da OAB), sujeito à manobras e interesses não Republicanos.

Nós, que fazemos oposição a atual Diretoria da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção do Acre, advogamos a tese, procedente, da necessidade de democratização da escolha, ampliando-se o Colégio que o faz.

Propusemos, no período eleitoral das eleições de 2009, como um dos pontos programáticos da chapa “Prerrogativas do Advogado”, o princípio democrático da eleição direta para formação da lista sêxtupla.

Nada de conchavos!

Todos os advogados do Estado do Acre devem, com seu voto, participar do processo, escolhendo o nome que mais bem represente à categoria.

Em regra, os escolhidos nesse processo pouco representativo e antidemocrático, dão são seus votos – no Tribunal - sem nenhum compromisso com a classe de que são originários.

Acham que caíram do CÉU. Nenhuma preocupação com o fortalecimento da advocacia, e conseqüentemente do advogado, como função essencial à prestação jurisdicional.

Não basta um país ter instituições jurídicas para se dizer que é democrático.

O jus filósofo Norberto Bobbio, em “O Futuro da Democracia: Uma Defesa das Regras do Jogo”, afirma que: “Percebe-se que uma coisa é a democratização do estado (ocorrida com a instituição dos parlamentos), outra coisa é a democratização da sociedade, donde se conclui que pode muito bem existir um estado democrático numa sociedade em que a maior parte de suas instituições não são governadas democraticamente”.

Esse é o grande paradoxo da OAB/AC. Tem como missão institucional a defesa da DEMOCRACIA, mas não a pratica internamente.

“Diretas Já” para escolha da lista sêxtupla!

Expandindo a inteligência interpessoal

Frases do livro Aprenda a se Comunicar com Habilidade e Clareza, de Ani Arredondo:

"As pessoas que mais nos impressionam e que mais exercem influência positiva sobre os outros tem uma qualidade em comum: são excelentes comunicadores".

"Para atingir um nível de excelência como líder é imprescindível saber lidar com os outros".

"Se lidera pelo exemplo".

" A percepção do fato é mais importante que o próprio fato".

"As generalizações costumam refletir uma certa preguiça de pensar".

"Você não obtém respeito pela simples razão de ser um líder. Você precisa conquistá-lo".

Livros a respeito de oratória são instrumentos importantes para expandir nossa inteligência interpessoal, facilitando nossa convivência nesse complexo mundo das relações sociais e abrindo as portas do sucesso e do entendimento entre os homens.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Tem diferença entre ouvir e escutar, ver e olhar?

Uns acham que ouvir é mecânico, fisiológico; e escutar é psicológico, exige atenção, é um ato de vontade.

Já outros acham que é exatamente o contrário: escutar é mecânico, fisiológico; e ouvir é que é um ato de atenção e de vontade, psicológico.

Às vezes ouvimos mas não escutamos, ou melhor, às vezes escutamos mas não ouvimos. Ninguém se entende!

Verdadeira pantomina, essa que diz que existe diferença entre ouvir e escutar, entre ver e olhar.

Na verdade, ouvir e escutar é a mesma coisa. É também a mesma coisa ver e olhar.

Agora... Se escuta ou se ouve com atenção ou com desatenção. Se vê ou se olha com atenção ou com desatenção. Essa é a grande diferença e as coisas se tornam mais simples.

terça-feira, 3 de maio de 2011

A esperteza e a inteligência

Quanto menos inteligente é uma pessoa, mais ela usa o recurso da esperteza para se dar bem na vida. Diz Osho que "a esperteza é uma pobre substituta da inteligência".

O homem verdadeiramente inteligente não precisa da esperteza, da malandragem, da desonestidade como companhias. Sua luz é outra.

Num homem inteligente afloram qualidades como a confiança que desperta nas pessoas, afloram qualidades como a autenticidade, o respeito, a responsabilidade, o bom senso.

Esperteza no comércio, na política, no tribunal, na igreja, no trabalho. E muitos ainda acham que são inteligentes!

É forte aquela imagem de Diógenes com um lampião na mão em plena luz dia - uma das histórias que eu mais gosto, pelo seu rico simbolismo. Quando indagado do que procurava respondia:

- Procuro homens verdadeiros!

Homens de valor, homens de inteligência, homens honestos, homens que se estudam, que se buscam, que procuram a grande ciência que têm dentro de si mesmos. Há muita diferença entre inteligência e esperteza!