quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A sede de ser advogado

Quando se tem sede de conhecimento é difícil viver no momento, no aqui e no agora, mas é no presente, neste instante, que a sede é saciada. Mas encontrar essa sagrada fonte pode ser uma tarefa para muitas vidas, e para poucos, os corajosos.

Tenho uma profunda reverência quando vejo um homem angustiado em busca de conhecimento.

Tem época que estou no ápice desta busca. É dolorido, febril, mas é divinal.

Por esses tempos tenho me dedicado com toda força no estudo da advocacia, e é impressionante como essa sincronicidade faz com que apareçam livros, pessoas, situações, que lhe desafiam a crescer. E é aí que você decide continuar ou não, porque para ir saciando sua sede o caminho é pelo deserto.

Dentro desta sede de conhecimento está a vocação. Sinto-me feliz quando vejo um jovem, com todo ímpeto de sua alma, sonhando em ser advogado; e me sinto mais feliz ainda quando posso auxiliá-lo, porque sei que a advocacia, quando bem vivida, pode proporcionar ao espírito do homem um voo até as estrelas. Só sei, mas não cheguei lá ainda.

Estou lendo um livro que bem retrata tudo o que estou dizendo, Theodore Boone: aprendiz de advogado, de autoria de John Grisham, um dos maiores escritores de romances de tribunal da atualidade. O livro narra a idealista busca de um jovem de 13 anos para ser advogado, que já nessa idade conhecia mais as leis, os tribunais, as estratégias de defesa do que muitos causídicos antigos.

Reproduzo alguns trechos da obra:

"Theo adorava o ar imponente dos tribunais, amava as audiências, onde os advogados combatiam como gladiadores, e os juízes governavam como reis.

Theo ainda estava indeciso quanto ao seu futuro. Um dia sonhava em ser advogado de tribunal, alguém que cuidava dos casos mais importantes e nunca perdia uma causa diante do júri. No dia seguinte, sonhava em ser um grande juiz, renomado por seu saber e senso de justiça. Ele ora escolhia um, ora outro, mudando de ideia a cada dia.

A maioria dos colegas de Theo sonhava em conseguir entradas para um grande jogo ou show. Theodore Boone vivia para os grandes julgamentos".

Estão aí as minhas reflexões, as minhas angustias, as minhas buscas, as minhas dicas. Sem essa sede as portas não se abrem para o grandioso mundo da advocacia.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A filosofia da natureza das coisas

Buda deixou aos seus discípulos uma maneira de viver que ficou conhecida como a filosofia da natureza das coisas.

Chove porque chove. Existe a noite porque é assim mesmo. O sol nasce todos os dias e não tem um por quê.

Em vez de perguntas... celebração, compreensão, espontaneidade. Viver levemente.

Buda deixou para o mundo uma famosa frase, que bem expressa sua ciência do bem viver:

"A vida é um mistério a ser vivido e não um problema a ser resolvido".

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A lei mais bonita

Tem uma lei que eu acho a mais bonita das leis brasileiras. Eu gostaria de ter sido um dos construtores dela! É o Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil, a Lei 8.906/94.

São palavras cristalinas para o exercício puro de nossa profissão, pérolas que devemos cuidar.

Olhe só!

"Não há hierarquia nem subordinação entre advogados, magistrados e membros do Ministério Público, devendo todos tratar-se com consideração e respeito recíprocos".

"O advogado deve proceder de forma que o torne merecedor de respeito e que contribua para o prestígio da classe e da advocacia".

"O advogado, no exercício de sua profissão deve manter independência em qualquer circunstância".

"Nenhum receio de desagradar a magistrado ou a qualquer autoridade, nem de incorrer em impopularidade, deve deter o advogado no exercício da profissão".

"O advogado é indispensável a administração a justiça, é defensor do estado democrático de direito, da cidadania, da moralidade pública, da Justiça e da paz social, subordinando a atividade do seu Ministério Privado à elevada função pública que exerce".

Honrar, cultivar, fazer aplicar essa lei, a lei mais bonita, é a missão sagrada dos que amam a advocacia, dos que almejam os voos altos de nosso ofício, dos que anseiam viver a profissão com mais consciência, com mais beleza.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O advogado, a raiva e a luz

Por esses dias li uma frase que dizia que "quando você está com raiva perde a luz interior".

É por isso que ficamos mergulhados nas trevas. Neste estado de escuridão se diz o que não deveria ter dito, se pensa o que não deveria ter pensado, se sente o que não deveria ter sentido e se faz o que não deveria ter feito.

Quando a raiva passa, e a luz de dentro começa a mostrar seus sinais, aí passamos a sofrer as consequências, o arrependimento, a dor, a punição, a culpa.

A raiva é algo que sentimos quase que diariamente, e por isso é que devemos saber lidar com ela.

Tenho feito um teste comigo mesmo, e tem me auxiliado muito. Quando sinto raiva, começo a dialogar internamente, e isso me dá consciência do que estou passando.

"Sei que esse estado é um estado de escuridão. Existe um estado de espírito superior a este. Essa raiva é passageira, e tudo que eu fizer nessa situação não espelhará a verdade, será uma mentira, será feio, será danoso para mim e para o mundo".

Isso diminui sensivelmente a raiva, e muitas vez até a faz passar.

Nós, advogados, sabemos o quanto de raiva sentimos por dia, na nossa luta pelo direito. São oportunidades que temos de crescer em domínio próprio. Cada raiva que conseguimos dominar é uma centelha de luz que jorramos dentro de nós.

E com luz, e com calma, nossa voz se torna mais bela, potente; nossos pensamentos mais leves, intuitivos; nossa presença mais doce e carismática e pacífica; nossa profissão mais equilibrada, mais exitosa, mais agradável, mais graduada.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Vitória da advocacia!

Um ato bonito, forte, impactante, da advocacia acreana, com mais de quarenta advogados, unidos em favor de uma causa moral e jurídica, a derrubada da pensão de ex-governadores do Acre.

Na nota lida durante a manifestação, o registro do protesto, e os aplausos calorosos dos presentes:

"Nós, advogados subscritores, manifestamos nosso apoio e reconhecimento a iniciativa do Conselho Federal da OAB de propor ao Judiciário a extinção de um espúrio benefício que afronta o sentimento de justiça da sociedade acreana".

Estou lendo o livro Os Advogados e a Ditadura Militar, organizado por jovens historiadores, que resgataram a luta heroica da advocacia brasileira em prol da democracia e da ordem jurídica.

Em homenagem ao nosso vitorioso movimento cito uma frase do livro, de autoria do grande advogado Heleno Cláudio Fragoso:

"É importante insistir na responsabilidade dos advogados, como homens da lei e do direito, cujo compromisso é a permanente realização da Justiça. Os advogados têm de estar na linha de frente da defesa dos direitos humanos e das liberdades fundamentais. É esta autêntica responsabilidade histórica que nos cumpre assumir."

E assim fizemos, em nome de uma advocacia forte, consciente e independente!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Parabéns OAB Nacional!

Após anos de silêncio da presidência da seccional da OAB do Acre, foi ajuizada no STF, no dia 7 de fevereiro, pelo Presidente do Conselho Federal da Ordem, Dr. Ophir Cavalcante, ação de inconstitucionalidade contra a vergonhosa pensão para ex-governadores.

Na referida ação... a ausência da assinatura do advogado Florindo Poersch... presidente da OAB do Acre...! Por quê?

Dia 8, às 11h, na sala da OAB, no Fórum Barão do Rio Branco, advogados acreanos assinarão, sem se esconder, sem tergiversar, nota de apoio e reconhecimento a digna atitude do Presidente da OAB Nacional, mostrando que no Acre, os advogados preferem seguir o caminho da ordem e da independência, e não o caminho do amordaçamento institucional.

Pela Ordem!

Amanhã, dia 8 de fevereiro, às 11 horas, um grupo de advogados se reunirá na sala da OAB/AC, no Fórum Barão do Rio Branco, com o objetivo de protocolizar junto ao Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, dr. Ophir Cavalcanti e junto ao Procurador Geral de Justiça, dr. Roberto Gurgel representação contra a vergonhosa aposentaria de ex-governadores do Acre.

Há muito tempo tal atitude já deveria ter sido tomada pelo Presidente da OAB/AC, e diante desta omissão resolvemos agir, pela ordem!

Pela nossa Ordem!

Pela ordem jurídica!

Pela ordem moral!

Por uma advocacia forte e consciente!

Essas pensões são ainda resquícios de coronelismo de barranco, que mostra um Acre que precisa avançar muito institucionalmente, amadurecer suas instituições, consolidá-las, para que não sejam manejadas pelo capricho de políticos centrados apenas em interesses pessoais.

A causa é boa, justa, ética, e todos estão convidados para participar deste ato!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Memória do Tribunal Regional Eleitoral do Acre

Estive ontem na cerimônia de lançamento do Museu, das revistas e do vídeo atinentes a história do Tribunal Regional Eleitoral do Acre.

Evento bem prestigiado pela comunidade jurídica, política, jornalística e cultural.

Todo trabalho realizado de resgate desta história - que se confunde com a própria história do Acre - foi feito com zelo, dedicação, esforço e muita competência.

Iniciativas como estas são de relevante interesse público e merecem toda a nossa atenção, servindo de exemplo para outras intituições.

Como advogado e historiador, senti-me muito feliz em ver a História em compasso com o Direito.

No final do evento, o desembargador Arquelau de Castro Melo, responsável pelo trabalho realizado, deixou registrada uma frase de Sêneca, filósofo e juiz romano, que já tive a oportunidade de falar algumas vez aqui neste blog e de citá-lo em júris, porque sou um admirador deste homem da antiguidade clássica:

"A nossa vida é breve, mas a história é eterna".

Assim se foi a dona Clícia, na brevidade do anos que passam, antiga servidora da Justiça Eleitoral, homenageada na ocasião por meio de sua filha e nossa amiga Jackie Pinheiro, que muito emocionada escutou ecoando do fundo de seus sentimentos a frase a vida é breve mas a saudade é eterna.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

"Você é mais transparente do que pode imaginar"

Li a frase acima no livro A Arte da Persuasão: potencialize sua comunicação com o domínio da linguagem corporal, de Tonya Reiman.

Nossos gestos, nossa voz, nosso andar, nosso vestir, nosso olhar, nosso semblante, nossos movimentos inconscientes nos deixam transparentes, nus, revelam quem somos, mesmo que tentemos esconder.

Dizer mais é dizer desnecessariamente.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Pequeno ensaio sobre a discrição

Admiro alguns tipos de pessoas, mas tenho um carinho especial pelas pessoas discretas. Na verdade as pessoas discretas me atraem.

O homem discreto revela um elevado grau de maturidade do espírito.

Ser discreto é ser reservado, principalmente com o que diz respeito ao outro, o lugar do outro, o espaço do outro, os assuntos do outro, a vida do outro.

Essas considerações não são destinadas a ninguém em particular, apenas quero fazer apologia de uma qualidade que eu acho maravilhosa numa pessoa: a discrição. Hoje amanheci com essa vontade, de colocar a discrição no topo do podium.

Vejo na pessoa discreta uma pessoa inteligente, acima de tudo socialmente inteligente, capaz de despertar em seus pares uma profunda consideração.

O homem indiscreto é um homem espaçoso demais, que viola a intimidade, a privacidade, que choca pela sua pouca consciência de seu devido lugar.

Constrangimento... talvez seja esse o maior mal que um homem indiscreto pode causar em uma pessoa. E do constrangimento surge a raiva, a impaciência, o incômodo, o desassossego.

O homem indiscreto revela sua pouca afeição pelo mundo do autoconhecimento, porque olvidando-se a cuidar de si se intromete na vida alheia, mesmo que seja apenas com um olhar curioso, um ouvido curioso, uma presença curiosa.

Nessa nossa jornada existencial como é importante que tenhamos como parceiros de viagem pessoas que cultivam o sagrado valor da discrição!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O jugo de Jesus

Recebi email de Osmir Nascimento, acadêmico de direito que é assíduo leitor deste blog, com vídeo de reflexões cristãs feitas pelo Pastor Ed René Lavitz.

Nesse vídeo o pastor fala do jugo.

Na época de Jesus existiam os doutores da lei, com suas doutrinas, interpretações, julgamentos, dogmas. Tudo isso constituía o jugo dos doutores da lei.

Por isso se dizia que determinados discípulos estavam sob o jugo do doutor da lei fulano de tal.

O jugo destes doutores da lei era rígido, pesado, colocavam nas costas dos outros fardos difíceis de serem carregados.

E Jesus vendo aquele sofrimento das pessoas dizia:

"Vinde a mim todos os que estão aflitos e sobrecarregados, porque meu jugo é suave e meu fardo é leve".

Na sala de meu escritório há um quadro que reflete esse conceito de justiça.

Um golfinho - símbolo do advogado criminalista - segura no bico uma balança, que num dos pratos tem uma rosa e no outro um vade mecum; a rosa faz a balança pender para o seu lado, fazendo ecoar na alma de quem vê o consolo da justiça verdadeira.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Somos filhos das nossas escolhas

Viver é escolher a cada momento.

Já tinha ouvido antes a frase que diz que somos aquilo que escolhemos. Parece-me que é de autoria de Buda, ou de Waldo Emerson. Mas não importa muito, porque frases como essas não têm autoria. Elas circulam pelo mundo do pensamento em busca de serem ditas, porque são reflexos de verdades universais.

E hoje acordei com essa frase na cabeça, e não sei ainda muito o porquê. Talvez apenas para escrever esse texto. Se prestarmos bem atenção, se meditarmos bem sobre o assunto chegaremos a conclusão que somos aquilo que escolhemos.

Escolhemos pensar em determinado assunto, e muitas vezes nem damos conta disso. A escolha foi inconsciente, sutil, pela atração.

Escolhemos falar isso ou aquilo. Em fazermos ou não fazermos. Em sentirmos ou não sentirmos. Escolhemos o tempo todo, conscientes ou não.

E é por isso que nós somos do jeito que somos, a responsabilidade é nossa mesmo, de mais ninguém. Somos filhos das nossas escolhas.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

20 regras para bem viver

O texto abaixo, intitulado É Necessário Mudar, não é de qualquer um, é de Gurdjieff, filósofo grego, que tenho admirado pela profundidade espiritual de sua mensagem.

Já refleti várias vezes sobre essas regras e tenho visto a importância delas para se viver uma vida com mais qualidade, pessoal e profissionalmente.

Diz o texto:

1) Faça pausas de dez minutos a cada duas horas de trabalho, no máximo. Repita essas pausas na vida diária e pense em você, analisando suas atitudes.

2) Aprenda a dizer não sem se sentir culpado ou achar que magoou. Querer agradar a todos é um desgaste enorme.

3) Planeje seu dia, sim, mas deixe sempre um bom espaço para o improviso, consciente de que nem tudo depende de você.

4) Concentre-se em apenas uma tarefa de cada vez. Por mais ágeis que sejam os seus quadros mentais, você se exaure.

5) Esqueça, de uma vez por todas, que você é imprescindível. No trabalho, em casa, no grupo habitual. Por mais que isso lhe desagrade, tudo anda sem a sua atuação, a não ser você mesmo.

6) Abra mão de ser o responsável pelo prazer de todos. Não é você a fonte dos desejos, o eterno mestre de cerimônias.

7) Peça ajuda sempre que necessário, tendo o bom senso de pedir às pessoas certas.

8 ) Diferencie problemas reais de problemas imaginários e elimine-os, porque são pura perda de tempo e ocupam um espaço mental precioso para coisas mais importantes.

9) Tente descobrir o prazer de fatos cotidianos como dormir, comer e tomar banho, sem também achar que é o máximo a se conseguir na vida.

10) Evite se envolver na ansiedade e tensão alheias. Espere um pouco e depois retome o diálogo, a ação.

11) Família não é você e sim está junto de você, compõe o seu mundo, mas não é a sua própria identidade.

12) Entenda que princípios e convicções fechadas podem ser um grande peso, a trava do movimento e da busca.

13) É preciso ter sempre alguém em que se possa confiar e falar abertamente ao menos num raio de cem quilômetros. Não adianta estar mais longe.

14) Saiba a hora certa de sair de cena, de retirar-se do palco, de deixar a roda. Nunca perca o sentido da importância sutil de uma saída discreta.

15) Não queira saber se falaram mal de você e nem se atormente com esse lixo mental; escute o que falaram bem, com reserva analítica, sem qualquer convencimento.

16) Competir no lazer, no trabalho, na vida a dois, é ótimo para quem quer ficar esgotado e perder o melhor.

17) A rigidez é boa na pedra, não no homem. A ele cabe firmeza, o que é muito diferente.

18) Uma hora de intenso prazer substitui com folga 3 horas de sono perdido. O prazer recompõe mais que o sono. Logo, não perca uma oportunidade de divertir-se.

19) Não abandone suas três grandes e inabaláveis amigas: a intuição, a inocência e a fé.

20) Entenda de uma vez por todas, definitiva e conclusivamente: você é aquilo faz.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A liberdade espiritual

"A fé consciente é liberdade.

A fé emocional é escravidão.

A fé mecânica é estupidez".

Gurdijieff

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O vírus da litigância e a postura do advogado

O vírus da litigância é o vírus da briga, da desarmonia, da encrenca judicial.

Tudo o vírus da litigância que levar para justiça. "Vou te colocar na justiça", "Vou procurar meus direitos", "O fulano me disse que se eu levar para justiça eu ganho", "Procura um advogado que tu ganha isso", "Vou te processar".

É cada demanda em busca de dinheiro fácil...! É cada demanda em busca de vingança...! É cada demanda por coisinhas, que só vendo para acreditar e entender o que é o vírus da litigância. Se eu fosse narrar os casos que sempre escuto daria para escrever um livro, e quem sabe...!

Não estou aqui dizendo que as pessoas não devam procurar seus direitos, e eleger a justiça como o meio mais correto de resolver as coisas. Não estou dizendo que o problema dos outros não tem importância.

Estou falando do vírus da litigância, que é uma doença das paixões humanas, de querer usar a justiça como instrumento para viabilizar a ganância, a mentira, a torpeza, a vingança, ou outros interesses escusos e ilegais.

O Divino Mestre Jesus já dizia, ao anunciar sua Boa-Nova, que "antes de chegar as portas do Tribunal se reconcilia-te com teu irmão".

O Estatuto da Advocacia é bem claro no combate ao vírus da litigância, e é triste ver demandistas de toda ordem empanturrando o Poder Judiciário com ações juridicamente inviáveis.

Diz o Código de Ética e Disciplina da OAB, no artigo 2º, Parágrafo Único, inciso VI que "é dever do advogado estimular a conciliação entre os litigantes, prevenindo, sempre que possível, a instauração de litígios".

O advogado existe para promover o justo, o verdadeiro, o bom; o advogado não existe para ser uma arma nas mãos dos briguentos, dos nós-cegos, dos inconscientes, dos que querem oprimir os outros com processos e mais processos disseminando o desgosto e a descrença na justiça.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A justiça depende do clima onde ela nasce

Aleatoriamente, ao chegar cedo em meu escritório, abro o livro Advogados e Juízes na Literatura e na Sabedoria Popular, e leio uma frase de Casamayor, escritor francês, que me prende a atenção: "A justiça depende do clima onde ela nasce".

E fiquei examinando...

De uma vara criminal para outra a sorte de um indivíduo pode mudar radicalmente. Numa, pode receber pena pequena ou mesmo ser absolvido, noutra pode receber pena exagerada.

Têm varas criminais que quando você entra já sente o clima pesado, ríspido, animoso, com nuvens carregadas sobrevoando o ambiente, geralmente sendo o reflexo daquele que bate o martelo.

Já em outras varas, o céu encontra-se mais aberto, as brisas sopram suaves, espalhando em todos um clima de maior tranquilidade, sinalizando que ali existe um juiz mais equilibrado.

Fiz essa reflexão. E liguei a frase também ao livro que estou lendo A Prova é a Testemunha, que narra o julgamento do casal Nardoni. Apenas um trecho do clima do julgamento.

"Podval é recebido com vaias, tendo inclusive recebido um chute de um dos manifestantes. É um equívoco imperdoável entender que o advogado concorda com a prática de qualquer crime apenas por estar exercendo seu papel de representar a defesa do acusado, que tem garantia constitucional".

Em outro trecho diz a autora Ilana Casoy:

"É incrível como a população confunde o papel do advogado e o ataca como se ele tivesse cometido o crime em questão. Será mesmo que a sociedade ficaria satisfeita com uma condenação sumária dos réus, que não teriam direito de defesa em um Tribunal do Júri? Gostaríamos de ter pessoas condenadas apenas pela opinião pública, sem nehuma garantia legal, sem que o crime fosse avaliado com isenção de ânimos, pelas provas dos processos? Seria um retrocesso gigantesco nos direitos de liberdade".

A justiça depende do clima - não só do externo - onde ela nasce.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Lembrança e gratidão

Em 19 de janeiro de 1990, o Grande Mestre das altas paragens se dissolve na existência, tornando-se uno com ela.

Sua música continua sendo um refrigério para as almas daqueles que compreendem sua mensagem.

Em sua lápide se pode ler:

"Osho nunca nasceu, nunca morreu, apenas visitou este planeta Terra entre 11 de dezembro de 1931 a 19 de janeiro 1990."

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Para desabrochar a sensibilidade

Ainda há pouco estava lendo o livro Advogados e Juízes na Literatura e na Sabedoria Popular, onde o autor da obra, Alberto Sousa Lamy, faz referência ao Dr. Ezequiel Prado, personagem do romance Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado.

O doutor Ezequiel Prado era advogado famoso em Ilhéus, que "quanto mais bebia melhor falava".

Achei isso engraçado porque lembrei-me dos bêbados falantes e de uma experiência que tive já faz algum tempo.

Muitas pessoas, antes de falar, ingerem algum tipo de bebida alcóolica na ilusão de que se expressarão melhor.

Lembro-me de um júri que fiz em parceria com um colega que não era do Acre.

O júri tinha sido suspenso para o almoço. Saímos e fomos almoçar em um conhecido restaurante de Rio Branco.

Chegando lá nos servimos, e logo chegou o garçom nos perguntando se queríamos algo para beber. Respondi que queria um suco de manga. Meu colega falou que depois do almoço a defesa iria ter a palavra, e que por isso ia pedir uísque bem caprichado.

Eu e o doutor Valdir Perazzo, apalesmados com a situação, nos entreolhamos, como a dizer: "Como é que pode, rapaz!". O causídico percebeu nosso desconforto, e logo justificou, em tonalidade poética:

"É para desabrochar a sensibilidade".

Pelo jeito, têm muitos discípulos, o doutor Ezequiel Prado, famoso advogado em Ilhéus, que como ele mesmo achava "quanto mais bebia melhor falava".

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A pena e a língua do advogado

Dizia um escritor português chamado José Joaquim Rodrigues de Bastos, a respeito da atitude que um advogado deve ter quando a verdade não estiver do seu lado:

"A pena deve cair-lhe da mão, e a sua língua deve emudecer, quando ele vir que a justiça e a razão não estão do seu lado".

Isso é profundo! De que adianta esbravejar, gritar, teatralizar, quando não somos movidos pelo fogo abrasador da verdade? A quem pensamos enganar?

Isso é profundo! De que adianta aceitar o patrocínio de uma causa quando sabemos que ela é manifestamente ilícita, injusta, mentirosa? Os honorários ganhos desta forma podem trazer uma satisfação real?

Honorários vem da palavra honra. Advocacia sem honra é um castelo construído sobre a areia.

A lição da frase é profunda. Ela também quer dizer:

"Advogado! Jamais deixe a pena cair, jamais deixe a língua emudecer, quando a justiça e a razão estiverem do seu lado".

E tudo isso, só serve para o advogado?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A inteligência é imparcial

"A inteligência é imparcial". Esta é uma frase do livro Luz do Caminho, de autoria da mística Mabel Collins.

Vejo também dessa maneira. Quanto mais uma pessoa é inteligente mais seu proceder, seu dizer, seu pensar, se aproxima da imparcialidade.

O homem inteligente procurar a verdade na imparcialidade. Por isso reflete, examina, mergulha na realidade das coisas. Tem um carisma todo especial, jorrando de si perfumes de confiança, de credibilidade, de autoridade.

É algo divino a presença de uma inteligência imparcial.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Deus é vosso destino

Estava lendo o Alcorão, extasiado em suas mensagens.

Gosto da história do nascimento desta Escritura Sagrada.

Um anjo apareceu para Maomé - o digno de louvor -, e disse: - Recita!

E Maomé declamou o Alcorão. Deus se derramou em Maomé. Deus abriu as portas dos encantos da eloquência e da sabedoria para Maomé. Maomé se realizou em Deus, alcançou o seu destino. A gota do oceano se transformou no próprio oceano.

Só nos realizaremos plenamente quando nos tornarmos uno com Deus, como Maomé, cantando nosso próprio Alcorão.

Na ânsia de ser feliz, a busca é pela fama, pelo dinheiro, pelo poder, pela estética do corpo, pelo sexo, e quando se conquista tudo isso, o homem ainda continua na miséria, no desamparo, na tristeza, no vazio negativo, na amargura.

É isso que quer dizer o Alcorão quando ensina que "Deus é vosso destino". E nesse destino há a felicidade verdadeira, a celebração eterna, o aleluia, o Paraíso, que muitos buscam com a sinceridade do coração.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O lado sombrio de cada um

"Não há ninguém no mundo que não tenha um lado sombrio".

Essa frase é de Deepak Chopra, tirada do livo O Efeito Sombra: encontre o poder escondido na sua verdade, escrito em parceria com Debbie Ford e Marianne Williamson.

Um livro imprescindível para aqueles que seguem a máxima socrática do conhece-te a ti mesmo.

Em síntese, dizem os autores que nos tornamos temerosos quanto ao que podemos encontrar se olharmos dentro de nós mesmos; portanto, em vez disso, escondemos a cabeça e nos recusamos a enfrentar o lado sombrio.

Correr da sombra apenas aumenta o poder dela. Negá-la apenas conduz a mais dor, sofrimento, tristeza e sujeição. Se falharmos em assumir a responsabilidade de extrair a sabedoria que está oculta no fundo de nossa consciência, a treva assume o comando e, em vez de sermos capazes de assumir o controle, a escuridão acaba nos controlando, provocando o efeito sombra.

Até que aceitemos tudo o que somos, o efeito sombra terá poder para retardar nossa felicidade. Se passar sem reconhecimento, a sombra nos impede de sermos plenos, de alcançarmos nossos melhores planos, e nos faz viver uma vida pela metade.

Quando não nos escondemos mais de nossa sombra o oposto do que tememos é, de fato, o que acontece. Em vez de vergonha, sentimos é leveza. Em vez de constrangimento, ganhamos coragem. Em vez de limitação, experimentamos a liberdade, a oportunidade, o crescimento.

Longe de assustador, abraçar nossa sombra nos concede uma plenitude, permite que sejamos reais, reassumindo nosso poder, libertando nossas potencialidades e realizando nossos sonhos.

O advogado tem seu lado sombrio. O cliente tem seu lado sombrio. O juiz, o promotor, o delegado, têm seus lados sombrios. Quem atua na área criminal mais do que ninguém conhece o lado mais escuro da alma humana.

"Não somos melhores - dizem os autores - nem piores que ninguém, não importa cor, experiência, orientação sexual, aparência ou passado. Não há ninguém no mundo que não tenha um lado sombrio".

É evidente a importância da leitura do livro para o nosso crescimento pessoal e profissional porque nos auxilia a encontrar o poder escondido do Eu Euperior no lado obscuro de cada eu inferior.

domingo, 9 de janeiro de 2011

O parto da luz

Hoje, mais cedo acordei, de madrugada ainda, para ver da luz, o parto.

Cachorros latindo, galos cantando, pássaros gorjeando.

No horizonte, de dourado vestida, a aurora.

A natureza despertando com a presença do Astro-Rei.

Essa beleza da vida, que é o amanhecer, pude sentir também dentro de mim.

Ao longe canta um bem-te-vi, expressando toda a alegria desta apoteose.

E em silêncio, e em respeito, e em veneração, e em regozijo, vejo o quanto sou pequeno diante de tanta poesia.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Leituras diurnas e leituras noturnas

Um grande psicólogo chamado Emílio Mira y Lopes, autor do livro Os Quatro Gigantes da Alma, dizia que "o homem possui duas almas, uma diurna e a outra noturna".

A alma diurna é mais ativa, racional, envolvida na luta do cotidiano, na busca do sucesso, da realização, da sobrevivência.

Já a alma noturna é mais passiva, poética, emocional, reflexiva, espiritual, recolhida, recatada.

Minhas leituras seguem naturalmente o curso dessa diáletica do ser.

Durante o dia, minha alma é mais ocidental, sou mais propenso à leitura sobre Direito, História, Oratória, Liderança, Autoestima, etc. Já durante a noite, desperta mais minha dimensão oriental, busco ler algo que alimenta o espírito, sendo os livros de Osho minhas leituras prediletas.

Ontem senti bem isso. Lia o excelente livro Quanto Menos, Melhor, mas me sentia incomodado, meu lado yin pedia uma leitura para o espírito, para o coração, para o estado noturno do meu eu.

Peguei o livro A Flauta nos Lábios de Deus, de Osho, e continuei a leitura...

E disse Jesus: "E caiu a chuva, e transbordaram os rios, e sopraram os ventos, e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha".

E comenta Osho: "Esta é uma lei básica da vida: se você tenta alcançar algo mais alto, precisará ser testado, precisará passar por muitos testes, por muitos critérios. Esses testes parecem ventos que o atacam com agressividade; mas são bons porque só eles o deixarão forte, cristalizado, só eles lhe mostrarão se você construiu sua casa sobre a rocha ou sobre a areia".

domingo, 2 de janeiro de 2011

Disposição em aprender

Diz Osho que "um homem disposto a aprender pode aprender em qualquer lugar".

Aprende com os animais, aprende com os pequenos acontecimentos do dia, de repente aprende, se quiser. A todo momento Deus está disponível para nos ensinar, para nos ilustrar, para nos esclarecer, de mil formas diferentes, nesta deslumbrante escola que é a vida.

Aquele que não está disposto a aprender, não aprende nem mesmo com os melhores professores, com os mais sábios dos homens.

Aprender exige vontade de aprender, disposição em aprender, querer aprender. Muitos vivem estacionados no caminho, cometendo os mesmos erros, viciados nas mesmas ilusões.

Despertar o interesse em aprender a cada dia, com a coisas que nos acontecem, com as coisas que vemos, sentimos, ouvimos, presenciamos, é uma das grandes dádivas que um homem pode merecer.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Ser mais simples

É o que quero para o ano de 2011. Ser uma pessoa mais simples.

Ser mais simples nos meus pensamentos, no meu modo de ser, nas minhas palavras, faladas e escritas.

Ser mais simples com minhas amizades, ser mais simples nos meus projetos.

Ser mais simples nas minhas atuações profissionais, na minha busca espiritual.

Ser mais simples. Quero ver as coisas pelo olhar da simplicidade.

Na simplicidade há mais beleza, na simplicidade há mais realidade, na simplicidade há mais verdade, na simplicidade há mais crescimento, há mais prosperidade, há mais consciência, há mais sintonia com Deus, com a vida, com a natureza.

Simplicidade é riqueza, simplicidade é benção, simplicidade é alegria, simplicidade é leveza.

Tudo o que é complexo, emaranhado, atrapalhado, assoberbado, atarefado, estressante, tumultuado, perturbado, embolado, rebuscado, quero distância de mim.

Mas como muitas dessas coisas estão sujeitas a aparecerem no meio do caminho, quero ter a capacidade, o toque mágico de Midas, a fórmula milagrosa dos alquimista, para transformá-las em coisas boas, positivas, simples.

Quero eleger o ano de 2011 como o ano das coisas simples, e, portanto, elevadas. Feliz Ano novo!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A mais bem paga inteligência da sociedade

Por esses dias li um livro intitulado O Poder do Charme, de Brian Tracy e Ron Arden. Não é um livro que ensina a galantear ninguém, embora possa também ser aplicado na arte da sedução amorosa.

Os autores abordam o charme das pessoas que sabem se relacionar com os outros, que sabem se expressar com desenvoltura, que possuem a autêntica sociabilidade.

Uma frase do livro me despertou para um reflexão mais profunda:

"A inteligência social é a mais respeitada e bem paga inteligência da sociedade".

Para ser um bom comunicador, um bom líder, um bom amigo, a inteligência social é fator indispensável.

Pessoas de bom trato e de bom tato, de boa convivência, que sabem ouvir, que sabem valorizar os outros, gentis, flexíveis, são sempre pessoas mais bem-sucedidas do que aquelas que só sabem usar o "eu", que só pensam no seu próprio umbigo, que não estão nem aí para seu interlocutor.

O indiscreto, o fofoqueiro, o intrometido, o sabe-tudo, o centro-das-atenções, o exibido, o falastrão, o ignorante, o afetado, o não-me-toque, o que critica tudo, o tapado, o fanático, são exatamente o oposto do homem socialmente inteligente, hábil, diplomático, charmoso.

O advogado, o jornalista, o professor, o político, o médico, o empresário, e todos os profissionais que desenvolvem melhor a comunicação interpessoal, de forma sadia, são sempre pessoas mais cheias do poder do charme, carismáticas, encantadoras, magnéticas, e por serem assim, a sociedade sente a necessidade da presença deles, prestigiando-os com melhores salários e merecidos reconhecimentos.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Louvada seja a Santa Luz de Jesus!

Quisera eu escrever a mais bela mensagem de Natal.

Quisera eu falar do Natal de maneira invulgar.

Quisera eu tocar os sentimentos dos homens e dizer um Feliz Natal de maneira mágica, alquímica.

Mas tudo isso sei que posso fazer em silêncio, em meditação.

Tem lua no céu, a minguante, por sobre o mar.

É hora do mergulho interior.

Vejo também estrelas.

E sei que todos fomos feitos para brilhar.

Louvada seja a Santa Luz de Jesus!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O merecimento, o bom e o ruim

Refletindo sobre os fatos da vida, num dos livros de Osho, li a seguinte frase:

"A natureza nunca é injusta com ninguém. Tudo o que uma pessoa merece ela recebe. A natureza sempre dá aquilo que você merece, aquilo que está preparado e pronto para receber. Se você está feliz, você merece está feliz. Se você está amargurado, você merece está amargurado".

Quando, pelo merecimento, recebemos coisas boas, não existe dificuldade em compreender a frase acima. Se sou vitorioso, tenho sucesso, tenho dinheiro, tenho uma linda casa, ganhei na loteria, tenho uma linda mulher, etc, é porque mereço.

Mas quando, também pelo merecimento, temos que sofrer os revezes da caminhada, dos grandes aos pequenos, achamos que isso é uma injustiça, que estamos sendo vítimas do acaso, dos acidentes, do destino, da inveja dos outros, das macumbas, e de outras coisas mais.

Até chegamos a compreender o merecimento ruim, mas quando é com os outros; quando é na nossa pele, procuramos subterfúgios, racionalizações, justificativas, desculpas.

Acredito eu que tudo está conforme o merecimento, mas não tenho ainda a elevação de consciência necessária para ver com total clareza. Mas quero seguir nesse caminho para ampliar minha ha compreensão da existência.

Por trás de todo o merecimento que aparentemente não é bom, há sempre um lado positivo, uma lição a aprender, uma oportunidade de crescimento. Os homens bem-sucedidos são aqueles que procuraram superar todas as dificuldades, todos os obstáculos, ao invés de ficar se vitimizando, chorando, se lamentando, sem forças para agir, apático, na beira do caminho.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Minhas leituras no recesso forense

Hoje se encerram as atividades forenses normais do Poder Judiciário, com retorno previsto para o dia 6 de janeiro de 2011.

Para esse recesso, além de outras coisa legais, escolhi cinco livros para eu ler, sendo eles:

1. A Prova é a Testemunha. O livro conta a história dos cinco dias de julgamento do Casal Nardoni pelo júri popular. Bom para quem quer se tornar um melhor profissional do júri. De autoria de Ilana Casoy.

2.Comunicação Eficaz: os labirintos da comunicação humana. Escrito por Xavier Guix. O autor aborda aquilo que atrapalha, que descomunica, apontando caminhos para a real comunicação entre as pessoas.

3. The Power. O Poder é o nome do novo livro de Ronda Byrne, a mesma autora de The Secret, O Segredo. É um livro cheio de ricas mensagens. Temos o poder, por sermos filhos de Deus, de vivermos melhor, mais felizes, mais realizados.

4. A Flauta nos Lábios de Deus: o significado oculto dos Evangelhos. Mestre Osho comenta as mensagens de Jesus. São lindas canções, são lindas poesias. Um encontro de grandes sábios.

5. O Recurso. Livro de John Grisham, famoso escritor de romances de tribunal. Poder, corrupção, luxúria, é uma abordagem crítica do sistema judiciário americano, a partir de um caso cível julgado pelo júri popular.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O pão nosso

Chego no escritório.

Agenda aberta.

Alguns afazeres.

No alto da página, uma frase, de Esopo, o sábio fabulista:

"Um pedaço de pão comido em paz é melhor do que um banquete comido com ansiedade".

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O alimento da alma

Como as coisas estão interligadas, por mais simples que sejam!

Ontem, li uma frase de John Maxwell, autor de vários livros sobre liderança, que me chamou a atenção, tendo dito para mim mesmo: "vou escrever amanhã a respeito disso".

Ao lado da seguinte frase anotei, "blog":

"Poucas coisas são piores que alguém que não sabe o que está falando, que inventa enquanto fala e que finge que tem conhecimento sobre algo quando na verdade, não tem a menor noção".

Essa frase me chamou a atenção devido ao fato de convivermos com muitas dessas opiniões quando se trata de processos criminais. E você que está lendo sabe que em outras situações também, tem gente que se intromete nas coisas sem conhecer nada.

Pois bem, no final da tarde fui a livraria Nobel em busca do livro 501 Grandes Escritores, e quando abro o livro, estou diante de Platão, que pergunta a Sócrates:

-Sócrates, qual o alimento para alma?

O sábio responde:

- O conhecimento.

E logo liguei uma coisa com a outra. Do jeito que a barriga fica vazia de comida, a mente fica vazia de conhecimento, e para compensar esse nada interior, a pessoa fala sem parar, sem examinar, sem sabe o que diz, dando opinião naquilo que não conhece, falando sem base alguma, jogando palavras ao vento desesperadamente como uma forma de esconder sua própria ignorância, que só ele não vê.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Cura-te a Ti Mesmo

Viveu no século XX, um notável médico inglês chamado Edward Bach, que segundo ele mesmo teve como principal missão nesta vida descobrir e trazer ao conhecimento da humanidade a propriedade curativa da essência das flores, que ficou, essa nova medicina, conhecida como os Florais de Bach.

Os florais agem na parte mais sutil do homem, nas emoções, nos seus sentimentos, nos seus estados mentais e espirituais.

Por esses dias li o livro Cura-te a Ti Mesmo, onde o famoso médico da alma explica as causas reais das doenças e aponta os meios de curá-las.

Pincelei algumas frases:

"Procura dentro de ti a origem de teus males, e lá encontrarás também a cura".

"O sofrimento é uma lição que de outro modo não aprenderíamos".

"A doença existe para o nosso próprio bem".

"A doença é evitável".

"A personalidade tem que ser governada pelo Eu Superior".

"A parte afetada do corpo não é obra do acaso".

"A prevenção e a cura acontece quando localizamos o erro dentro de nós mesmos".

"A personalidade sem conflitos é imune as enfermidades".

"O remédio encontra-se em nós mesmos".

"A medicina do futuro olhará para as causas da doença, não só para os efeitos".

No finalzinho do livro uma bela lição, que serve também para nós, advogados.

"O tédio é responsável pelo um número grande de doenças. E para combatê-lo devemos despertar em nós um gosto pela vida, um ativo e vívido interesse em tudo que nos rodeia, estudar a vida durante o dia inteiro, e aprender com os nossos semelhantes e com os fatos da vida, a arte de obter conhecimentos e experiências, saboreando com entusiasmo cada momento que nos é dado como dávida do criador".

"Devemos ser firmes na determinação de vencer, resolutos na vontade de conquistar o topo da montanha; não nos detenhamos pensando nos tropeços do caminhar. Nenhuma grande ascensão se deu sem falhas e quedas, e elas devem ser consideradas como experiências que nos ajudarão a tropeçar menos no futuro".

É um livro pequeno, mas rico, clássico, verdadeiro, profundo, que vale a pena ser lido em favor de nossa prosperidade.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Como aprendemos, como sofremos, como vivemos

Lendo o raro livro Advogados: Como Aprendemos, Como Sofremos, Como Vivemos, de Carvalho Neto, encontrei uma importante frase de Lincol, advogado e 16º presidente dos EUA:

"Eu só me sinto bem depois de examinar uma ideia de leste a oeste e de norte a sul".

Quem dera se já nascêssemos com esse entendimento. Tantas frustrações, tantas dores, tantos choros, tantos arrependimentos poderíamos evitar.

Mas não nascemos sabendo. O estudo, a experiência, a vida vai nos ensinando. O importante é termos o interesse de aprender.

Com toda certeza Lincol teve que passar por alguns apuros antes de chegar a conclusão que é preciso examinar bem uma situação antes de decidir.

Para examinar bem é preciso honestidade conosco mesmos. Muitas vezes quando um lado de uma questão é bom para nós, esquecemos de ver as outras partes, o todo, o conjunto, as consequências.

Mas é assim como aprendemos, como sofremos, como vivemos.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Exercícios de percepção

Muito se ouve falar que a vida é uma escola. E estou de pleno acordo, a mais bela de todas as escolas.

Nessa escola uns prestam mais atenção do que outros. A todo tempo, se quisermos, temos algo a aprender.

Ouvindo os outros, examinando o fluir da natureza, concentrando-se em si mesmo, lendo um livro, atravessando uma dificuldade, observando, observando, observando.

Tudo isso chamamos de exercícios de percepção.

Quando estamos desatentos do mundo, o de fora e o de dentro, vivemos mergulhados na inconsciência de pensamentos negativos, de ilusões, de fantasias.

A atenção, a consciência, a percepção, o estado de vigilância, o estar alerta, todos aqui tomados como sinônimos, são as mais puras fontes de sabedoria que podemos imaginar.

Diariamente a Grande Mestra Vida nos enriquece de lições, e são aprendizes melhores aqueles que não perdem uma oportunidade para ampliar seus conhecimentos, valorizando bem o tempo que passa e fazendo com atenção os exercícios de aprendizagem.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O Poder da Gratidão

Ao chegar hoje cedo em meu escritório, dirigi-me até a biblioteca e fiquei a navegar meus olhos em busca de algum livro que me despertasse o interesse pela leitura.

O meu estado de espírito, um pouco triste, não condizia com nenhum livro que estava lendo. Essa é a razão pela qual leio vários livros por vez, pois quando me canso de um, vou para o outro, ou quando meu estado de espírito muda, muda meu interesse para outros assuntos.

De repente, minhas mãos se dirigem a um determinado livro, O Poder da Gratidão, de M. J. Ryan, escritora que aborda temas de forma bem espiritualizada.

Já tinha lido o livro até a metade e fiquei vendo os apontamentos que escrevi:

"Quando você agradece a mente cria mais condições para continuar agradecendo".

"É impossível o sentimento de gratidão coexistir com a raiva, o medo, ou a tristeza".

"Saboreie as pequenas coisas da vida".

"Pergunte-se sempre: do que posso me sentir grato neste instante?"

"O sentimento de gratidão cria uma energia exuberante ao seu redor".

"Quanto mais gratos somos, mas damos, e quanto mais damos, mais recebemos."

"A gratidão nos conecta com Deus".

Como uma chuva forte essas palavras foram caindo dentro de mim, levando a tristeza, me despertando pra vida, me relembrando tantas coisas que tenho de agradecer neste exato momento em que escrevo.

Acordei com saúde, tenho dedos que teclam, tenho mente que pensa, tenho o sol que clareia meus passos, tenho uma profissão que gosto, tenho amigos, tenho amores, tenho uma biblioteca que serve de instrumento para eu receber as mensagens de amor, de conforto, de consolação, que Deus tem para me dar.

Quanta coisa para agradecer! Quando se acorda nesse exato momento para o sentimento de gratidão, Deus jorra em nós a fortaleza, a esperança, a alegria, a sua infinita bondade. É quando podemos sentir todo o poder da gratidão.

Sou grato a ti também, Senhora Tristeza, pois fostes tu que me levastes a fazer essas reflexões. Da janela, olho pro alto, céu azul, luz do sol, que dia lindo! Obrigado meu Deus!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Dia da Justiça e Dia da Virgem da Conceição

Hoje comemoramos o dia da Deusa Justiça e o Dia da Virgem da Conceição.

Para uns a justiça é tardia, morosa, cega. Para outros, a justiça é excessiva, ou mesmo branda demais. Para outros tantos ela só existe para o rico, para o poderoso, para o influente.

De modo que não são muitas as pessoas que verdadeiramente acreditam na justiça, e por muitas razões.

Se Deus é justo, então porque vemos injustiça na justiça? Essa é uma pergunta que não é tão fácil de resolver.

Quando a injustiça acontece conosco a explicação que valia para o outro passa a não valer mais para nós.

O que tenho visto e percebido nesta minha profissão de advogado "é que Deus escreve certo por linhas tortas". Tortas aos olhos ainda inconsciente do nosso atual estado evolutivo. Como é complexo e misterioso o trabalho da Justiça !

E o que tem a ver o Dia da Justiça com o Dia da Virgem da Conçeicão?

Vejo nas duas uma mesma santidade. A Deusa Justiça é virgem, é pura, é limpa, é imaculada. Concebe o direito, concebe a verdade, concebe a paz de espírito, concebe a harmonia, concebe a ordem.

A Virgem da Conceição concebe O Caminho, A verdade, A vida, O Amor, O Bem, O Belo, O Justo.

A Virgem da Conceição é a Deusa Justiça, e a Deusa Justiça é a Virgem da Conceição. Nada neste mundo ocorre por acaso, nem mesmo a coincidência de meras datas.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Eu não me alegro com as desgraças dos outros

Eu não me alegro com as desgraças dos outros. Nem com as desgraças das vítimas nem com as desgraças de seus algozes.

Talvez as desgraças dos outros nos faça esquecer as nossas próprias misérias.

Quanto mais vibramos, quanto mais aplaudimos a queda do irmão, mais descemos os degraus da inconsciência, da desumanidade.

Ver as calamidades dos outros causa um certo prazer, uma certa ilusão de superioridade, uma certa sensação prazerosa de vingança.

Eu não me alegro com as desgraças dos outros.

Quando o revolucionário Marat subiu na tribuna da Revolução Francesa pedindo a cabeça de seus adversários, ouviu de Danton a corajosa reação:

"Dai um copo de sangue a esse canibal, ele tem sede".

Sede de ver os outros presos, desmoralizados, linchados, humilhados, caídos.

Não, eu não me alegro com as desgraças dos outros. Nem com as desgraças das vítimas nem com as desgraças de seus algozes.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Os problemas e a inteligência

Li, por esses tempos, uma frase que dizia: "Cada problema que você resolve lhe deixa mais inteligente".

Para se solucionar um problema é preciso pensar, raciocinar, é preciso decisão, é preciso iniciativa, é preciso mexer com o cérebro.

Cada problema vem como um professor para nos ensinar, para nos desenvolver, vem como uma oportunidade de crescimento, de elevação.

A lamentação, o choro, a indecisão, a aflição, engessa a nossa capacidade mental, nos empurra para baixo, nos joga para o abismo da apatia.

Admiro as pessoas que diante dos problemas, em vez da paralisia, tomam a iniciativa para resolvê-los. Fica evidente que essa é a linha que separa os vitoriosos dos perdedores.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Uma linda noite de vitória!

A cerimônia de lançamento do meu primeiro livro Advocacia e Oratória ou do Homem de Bem que Sabe Falar foi um acontecimento marcante, ímpar, agradável, alegre, inesquecível. A noite estava cheia de estrelas, no céu e lá. A noite estava colorida, bela, poética, radiante. A noite estava assim, tão indizível, tão inefável.

Gratidão e alegria foram os dois sentimentos que preencheram a minha alma. A presença de amigos, familiares, estudantes de direito, professores, militares, promotores, juízes, procuradores, delegados, jornalistas, empresários, políticos, religiosos, gente de todas as profissões lotaram com uma energia vibrante o aconchegante espaço do Memorial dos Autonomistas.

A todas as pessoas que comentaram este lançamento no blog com suas palavras de incentivo, a todas as pessoas que me ligaram me desejando sucesso, a todas as pessoas que me auxiliaram e estiveram presentes no evento, que construíram a obra juntos, que emanaram pensamentos positivos para que tudo desse certo, ofereço o meu coração cheio de gratidão.

Gostaria de citar o nome de todos. Ah! Como eu gostaria! Mas essa tarefa é impossível, estaria sujeito a esquecer o nome de alguns, e isso é um pecado grave. Neste momento quero que você sinta eu dizendo seu nome, e olhando no fundo dos seus olhos, continue falando: Grato por tudo, muito obrigado, meu grande amigo!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Lançamento de meu primeiro livro

A partir desta data usarei este espaço para a divulgação do lançamento de meu primeiro livro. E quero lhe convidar carinhosamente para esse evento. Amigos, familiares, seguidores deste blog, todas as pessoas que por aqui passarem, o convite está feito.

O livro aborda dois assuntos: advocacia e oratória. São 169 textos, de leitura fácil, dirigidos não só ao meio jurídico, mas a todos aqueles que se interessam pelo estudo da oratória ou que queiram ampliar seus conhecimentos a respeito do fantástico mundo do direito.

Perguntaram ao lendário Cícero, o grande mestre da advocacia, como ele definia o advogado.

Ele respondeu: "Vir bonus dicendi peritus". É o homem de bem que sabe falar. Esse é o subtítulo do livro.

Advocacia e Oratória ou do Homem de Bem que Sabe Falar, será lançado, conforme informações acima, dia 2 de dezembro, Dia do Advogado Criminalista, às 19h e 30min, no Memorial dos Autonomistas.

O livro, que contém mais de 30 ilustrações do grande chargista Enilson Amorim, foi produzido com recursos próprios, na gráfica NT-graf. - Indústria e Comércio Ltda, tudo dentro do ambiente da acrianidade, e sairá pelo preço de R$ 35,00.

Peço que confirme a sua presença no lançamento ligando para o número 3223 2324.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Pedradas e elogios

Durante a longa história da advocacia criminal, esta relevante profissão da consciência humana tem sido feita de pedradas e elogios.

O advogado criminalista deve ter o talento para transcender a fugacidade dessas manifestações. O advogado que se deixa amedrontar pelas pedradas que constantemente recebe não é digno deste nome. O advogado que se perde nos elogios que constantemente recebe fica refém deles, despreparado para receber uma crítica.

Mas tanto as pedradas como os elogios, se bem aproveitados e compreendidos, são os melhores mestres da advocacia criminal.

Com as pedradas vejo o tanto que eu preciso evoluir, mas também passo a conhecer melhor o outro, suas razões, explícitas ou ocultas, positivas ou negativas, que fizeram levar as mãos para cima e a impulsionaram para baixo acertando a pedrada bem em cheio.

Com os elogios posso perceber o quanto existe de falsidade no mundo, pois muitos deles são interesseiros, são pedradas mais sutis. Mas aprendo também que existem pessoas que tem a nobre capacidade de reconhecer as realizações dos outros.

Quanto mais se desenvolve no advogado essa compreensão da natureza humana, mais ele cresce em consciência, em liberdade, em vigor moral, abolindo-se da escravatura emocional das pedradas e dos elogios.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A mente vazia é a oficina de Deus

Desde há muito tempo ouço a frase que diz que "a mente vazia é a oficina do diabo".

Professores, padres, pastores, pais, repetem essa frase continuamente. Eu já a disse em muitas oportunidades.

Mas como tudo na vida pode ser visto de diversos ângulos, atualmente tenho outra abordagem a respeito do assunto, que nao é, diga-se, uma visão originalmente minha.

A mente vazia não é a oficina do diabo, a mente vazia é a oficina de Deus.

Será que a mente vazia, que se diz que é a oficina do diabo, está vazia mesmo? Pensamentos de crime, de vingança, de raiva, de ciúme, de inveja, de orgulho não estão a preencher o indíviduo, levando a prática de atos nocivos a si e a coletividade? Portanto, a mente não está vazia, está cheia de lixo, de pensamentos negativos.

Para o misticismo oriental, o homem passa a ser um instrumento de Deus, uma flauta tocada pelo criador quando for capaz de chegar ao estado meditativo verdadeiro.

Quando a mente ficar vazia de pensamentos, de desejos, de sonhos, ficar silenciosa, serena, um oceano de tranquilidade, é aí que Deus pode trabalhar em nós, como um artista que vai aperfeiçoando a sua obra com os toques de seu infinito amor.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Reflexões sobre o absurdo

"Geme a justiça, chora a natureza". Shakespeare

O absurdo. O absurdo é o maior adversário do advogado num processo criminal. Na vida do advogado e na vida da justiça o grande absurdo é o erro judiciário.

Você já se encontrou com o absurdo? Com algo que faça você dizer do fundo de sua alma, com toda a revolta do mundo, a expressão: "Isso é um absurdo" ?

Você já se viu diante de uma situação tão escabrosa, tão gigantescamente absurda, que preferiu ficar em silêncio, ou apenas dizer: "Que absurdo, meu Deus" ?

Então você já deve sentir o que eu estou querendo expressar nessas reflexões sobre o absurdo.

No dicionário Houais encontramos uma boa definição para o absurdo.

"O que é destituído de sentido, de racionalidade, aquilo que é contrário à sensatez, ao bom senso, à lógica, à verdade".

O absurdo é o triunfo, mesmo que momentâneo, da mentira, da fraude, do arbítrio, do erro, da irracionalidade.

Um absurdo colossal, dizia um pensador, pode tomar a forma de uma grande verdade. Só quem conhece esse tipo de absurdo é que sabe a sensação que ele causa em quem deve enfrentá-lo.

Li no início da minha carreira de criminalista um desabafo de um advogado que dizia: "Quando o absurdo toma conta de um fato o melhor é observar para ver onde ele desemboca".

Isso tem seu fundo de verdade. Valem as frases, "o mal por si só se destrói", "o tempo é o senhor de todas as coisas".

Conhecendo essas verdades, o advogado criminalista vai fazendo a sua parte, sabendo que o absurdo não se combate de uma vez, que o absurdo só pode ser destruído aos poucos, no varejo, exigindo do advogado o espírito de Dom Quixote, exigindo do advogado coragem, persistência, inteligência, respeito ao tempo certo da maturação das coisas.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A potencialização das capacidades pela paz interior

Hoje, no percurso de casa para o trabalho, veio-me a mente a reflexão de que quando estamos envolvidos por uma paz interior nossas capacidades se ampliam.

Quem canta, canta melhor.

Quem ensina, ensina melhor.

Quem dirige, dirige melhor.

Quem escreve, escreve melhor.

Quem fala, fala melhor.

Quem advoga, advoga melhor.

Quem julga, julga melhor.

Quem aconselha, aconselha melhor.

A paz interior deixa aflorar em nós a presença do divino. A paz interior amplia a nossa consciência, desanuvia-nos das restrições do medo, do ciúme, da raiva, das dúvidas, dos toques negativos.

Li certa feita uma frase que dizia, que "o homem é um Deus em potencial". É essa potência, é essa capacidade que ampliamos, que desenvolvemos, que regamos quando estamos com a paz dentro de nós.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Pessoas de atitude

Podemos definir atitude como a posição que a pessoa resolve adotar frente a determinada situação da vida. É uma maneira de ver, de encarar as coisas.

Diante de uma situação conflituosa, ter paciência ou afobação vai depender da atitude. Ganhar ou perder vai depender da atitude, da forma como se enfoca, da maneira como se percebe.

Daí porque a atitude positiva diante da vida leva algumas pessoas a terem mais felicidade do que outras, a terem mais sucesso do que outras, ao serem mais capazes do que outras.

Ter atitude é ter força interior, é ter firmeza de intenção, de propósitos, é ter iniciativa para resolver aquilo que clama por uma solução.

Pessoas de atitude são diferentes, emanam uma energia criativa em sua volta despertando a admiração e confiança de todos.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Nas iras da lei

Ele me liga de uma cidade do interior do Acre, desesperado, transtornado, tinha sido denunciado por um crime que não cometera.

-Doutor Sanderson Moura, quero que o senhor me defenda, fui acusado de um crime que não tenho nada haver!

- Qual crime?

- Deixa eu ler aqui pro senhor, só o finalzinho da denúncia: "Ante o exposto denuncio Fulano de Tal nas iras do artigo 121, § 2º, inciso I e IV do Código Penal".

E realmente estava assim escrito: nas iras...

Como pode haver justiça com ira, com ódio, com raiva, com vingança, com destempero?

Justiça é equilíbrio, justiça é medida, justiça é proporção, justiça é ordem!

Já dizia o criminalista Vinícius Bittencourt que "um homem armado com a lei penal, se for desonesto ou prepotente é mais perigoso que uma quadrilha de malfeitores".

Submetido a júri popular meu constituinte foi absolvido por 5x2, deixando os jurados a lição de que a lei não tem ira, de que a lei é impessoal, mas que depende de homens de consciências esclarecidas para serem bem aplicadas.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A advocacia é uma estrada de livros

Depois de ler o livro O Criminalista, de Vinícius Bittencourt, quero deixar gravadas algumas frases da obra para a reflexão dos interessados:

"Um homem armado com a lei penal, se for desonesto ou prepotente, é mais perigoso do que uma quadrilha de bandidos".

"Ninguém poder ser um grande criminalista sem ter cultura geral".

"A etiologia do crime se perde nos arcanos da alma humana".

"A carreira criminal junto com a diplomacia é a responsável pelos maiores tribunos que a Pátria logrou ter como filhos".

"Os transtornos mentais são comuns em homens de gênio".

"Ingressando na advocacia, você deve preparar-se para uma longa viagem pelo geografia del dolor".

"A quantidade de ruído suportável pelo homem é inversamente proporcional a sua inteligência".

"À medida que a gente se ilustra vai distendendo as cordas da sensibilidade".

"Sempre quis dar à palavra o poder da doutrinação filosófica, a harmonia poética, a penetração musical".

"Tudo o que acontece na vida, acontece necessariamente".

"Ninguém pode trair impunemente a si mesmo".

"Lembre-se: os cães ladram, e a caravana passa".

"A história da civilização, como disse Gibbon, é a crônica dos crimes, infortúnios e loucuras da humanidade".

"Insanidade e crime são fenômenos tão entrosados que sua linha divisória e imperceptível".

"As penitenciárias são monumentos a estupidez humana".

"Gênio é trabalho".

"A advocacia é uma estrada de livros, sem pousada e sem atalhos".

"O talento, a cultura, e a independência são inerentes ao ofício do criminalista".

"A lei, não precisa violentá-la, quem sabe interpretá-la".

"Os grandes discursos são sempre decorados".

"Vença a inibição".

"A denegação de justiça é a maior da calamidades".

"O júri se reúne para decidir quem atua melhor, se o advogado ou o promotor".

"O erro judiciário tem como causa, muitas vezes, a obsessão por uma tese".

"O niilismo nada constrói, só serve para justificar a incompetência e a ociosidade".

"O tribunal da consciência tem o hábito de reexaminar a prova".

"A prudência é a principal virtude do magistrado".

"Simples Cirineu, o criminalista apenas ajuda o acusado a carregar a sua cruz".

"Se tudo no mundo jurídico funcionasse com exatidão, o advogado seria inútil".

"Uma das grandes lições da vida é que, às vezes, os tolos estão certos".

"A advocacia seduz e apaixona".

"A opinião pública é uma meretriz, a posteridade é uma tolice".

"Aos jurados só interessa o fundo moral das questões".

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A inspiração dos raios do sol

Sou feliz em poder chegar no meu escritório ainda com os primeiros raios do sol penetrando pela janela, tocando suavemente minha cabeça, e inspirando-me a escrever.

Tenho um carinho especial por este blog, onde posso externar o meu interior. Alegra-me a quantidade de pessoas que por aqui passam, que leem e comentam minhas postagens, que seguem com atenção cada novo texto que surge. Sem esse feedback é difícil manter um blog atualizado, vivo, útil. Sou grato a todos.

Não escrevo por escrever, meu critério é o prazer e a utilidade que o texto pode proporcionar. Ele tem que nascer fluente, livre, verdadeiro, puro, sincero, da experiencia vivida, porque ao escrever tenho que ser o primeiro a procurar praticar o que escrevo.

Só inicio minhas atividades laborais depois de ter dado a luz ao que me propus escrever. Não estava programado para escrever isso que eu estou escrevendo agora, mas senti o toque para fazê-lo, e por isso faço.

Quero continuar tendo o prazer de escrever, quero continuar tendo o prazer de viver, o prazer de ser livre, quero continuar tendo o prazer de louvar e bendizer cada amanhecer, e nele ser inspirado por essa grande luz do criador, que banha a todos, santos e pecadores, com os seus raios abençoados.