quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A justiça depende do clima onde ela nasce

Aleatoriamente, ao chegar cedo em meu escritório, abro o livro Advogados e Juízes na Literatura e na Sabedoria Popular, e leio uma frase de Casamayor, escritor francês, que me prende a atenção: "A justiça depende do clima onde ela nasce".

E fiquei examinando...

De uma vara criminal para outra a sorte de um indivíduo pode mudar radicalmente. Numa, pode receber pena pequena ou mesmo ser absolvido, noutra pode receber pena exagerada.

Têm varas criminais que quando você entra já sente o clima pesado, ríspido, animoso, com nuvens carregadas sobrevoando o ambiente, geralmente sendo o reflexo daquele que bate o martelo.

Já em outras varas, o céu encontra-se mais aberto, as brisas sopram suaves, espalhando em todos um clima de maior tranquilidade, sinalizando que ali existe um juiz mais equilibrado.

Fiz essa reflexão. E liguei a frase também ao livro que estou lendo A Prova é a Testemunha, que narra o julgamento do casal Nardoni. Apenas um trecho do clima do julgamento.

"Podval é recebido com vaias, tendo inclusive recebido um chute de um dos manifestantes. É um equívoco imperdoável entender que o advogado concorda com a prática de qualquer crime apenas por estar exercendo seu papel de representar a defesa do acusado, que tem garantia constitucional".

Em outro trecho diz a autora Ilana Casoy:

"É incrível como a população confunde o papel do advogado e o ataca como se ele tivesse cometido o crime em questão. Será mesmo que a sociedade ficaria satisfeita com uma condenação sumária dos réus, que não teriam direito de defesa em um Tribunal do Júri? Gostaríamos de ter pessoas condenadas apenas pela opinião pública, sem nehuma garantia legal, sem que o crime fosse avaliado com isenção de ânimos, pelas provas dos processos? Seria um retrocesso gigantesco nos direitos de liberdade".

A justiça depende do clima - não só do externo - onde ela nasce.

4 comentários:

Anônimo disse...

Dr Sanderson,
Bom dia, gostaria de expor que as mensagens que o senhor nos honra em escrever aqui nesse espaço, é de suma importância para minha pessoa, pois permite que eu pense um pouco na minha forma de pensar e agir. agradeço vossa disposição e peço que não pare.
Ass. Nambuco

Charles Batista Brasil disse...

ótima mensagem!
um dia desejo ser um criminalista e estou estudando para isso!
forte abraço.

Anônimo disse...

As virtudes que mais se homenageiam nos magistrados — a imparcialidade, a resistência a todas as seduções do sentimento e aquela serena indiferença, quase sacerdotal, que purifica e recompõe os mais torpes casos da vida sob a rígida fórmula da lei — não brilhariam como brilham se, ao lado delas, dando-lhes maior relevo, não se pudessem afirmar, em contraste, as virtudes opostas dos advogados, que são a paixão da generosa luta pelo justo, a rebelião contra toda prepotência e a tendência, inversa à dos juízes, de amolecer sob a chama do sentimento o duro metal das leis, para melhor moldá-las à viva realidade humana. (CALAMANDREI,PIERO)

Anônimo disse...

Dr.Sanderson,

Excelente chamamento à reflexão. O advogado é tão imprescindível à sociedade, que a Constituição Federal no seu art.133 reconhece a sua importância, uma vez que o mesmo é peça fundamental à administração da justiça.Paz e luz.Forte abraço e fique com Deus.

Célia Soares