quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

LUZ, PAZ E AMOR!

Desejo a todas as pessoas do mundo.

A você.

A minha família.

Aos meus amigos.

Aos meus inimigos.

Obrigado meu Grande Mestre, pela vida, pela saúde, por tudo de bom que tem acontecido em minha existência.

Obrigado meu Grande Mestre por eu ter superado muitas dificuldades, por ter sabido ser bom marinheiro nos momentos de mar revolto. Obrigado pelas lições que aprendi.

Luz, Paz e Amor!

Desejo a todos Feliz Natal e um Ano Novo cheios de bençãos !

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Profissão de fé do criminalista

O texto abaixo foi tirado do livro Da Tribuna de Defesa ou da Assistência de Acusação, de autoria do grande criminalista Paulo José da Costa Júnior, e se constitui em excelente material para examinarmos, neste final de ano, como foi que atuamos, e em que ponto podemos nos aperfeiçoar, para subirmos ainda mais nos degraus de nossa profissão.

Ser criminalista é devoção, arrebatamento, desprendimento.

Viver o drama do cliente como se fosse ele próprio.

Envolver-se na dor alheia e senti-la na própria carne.

Sofrer a privação da liberdade como se o próprio filho estivesse por entre as grades.

Angustiar-se com a angústia dos familiares. Suportá-la e compreendê-la.

Enxugar o pranto dos pais que choram. Consolar a dor do filho aflito. Aplacar a revolta do cônjuge irado contra a injustiça dos homens.

Não ter hora para o repouso quando a liberdade de alguém estiver ameaçada.

Enfrentar a arbitrariedade com firmeza e coragem. Lutar contra a violência e o desmando.

Não distinguir entre os pobres e ricos, poderosos e miseráveis. Defender a todos, com igual denodo. Ser mais passional que profissional.

Propugnar pela isonomia e combater os privilégios. Procurar atribuir a cada um o que é seu.

Aceitar a despeita do adversário derrotado e por isso inconformado.

Habituar-se a sorver o fel amargo da ingratidão do cliente. E receber, com resignação maculada pela mágoa, o punhal da traição do colega em quem confia.

Encarar o adversário com lealdade, mas sem temor de com ele porventura agastar-se. Acima de tudo está a defesa de um direito ofendido que precisa ser restaurado.

Não temer a conquista gratuita de inimigos, nem a antipatia dos que estiverem afetivamente ligados à vítima. A isto se sobrepõe a defesa do réu, por mais desgraçado que seja, que tem o direito inconteste de que alguma palavra seja dita em seu benefício.

Aliar, se possível, à experiência do velho a tenacidade do jovem.

Pugnar, sem trégua nem quartel, enquanto o direito não for reconquistado, enquanto a justiça não for reparada.

Ser criminalista, enfim, é dar tudo de si. Dedicação, sacrifício. Sem temor e sem nenhuma esperança de gratidão ou de recompensa.

A grande recompensa é a paz interior. A tranquilidade serena de consciência. A sensação confortadora do dever cumprido.

Os horrores e os riscos da delação premiada

A história que se segue será relatada em breve num tribunal de Justiça. Vale para reflexão.

Gabriel Pires, ex-diretor do Banestado, foi preso em 2004 pelo Juiz Sérgio Moro, da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba. Após quatro meses encarcerado em uma cela de 4 metros quadrados, em local sujo, inóspito e sem nenhuma dignidade humana, humilhado diante de sua família e da sociedade, foi convencido a realizar um acordo de cooperação com o Ministério Público Federal para delatar diversos companheiros de diretoria do banco e também de clientes.

Saiu da cadeia, autorizado pelo juiz com a missão de angariar o máximo de provas contra supostos outros criminosos. Disse o que sabia, o que não sabia e mais um pouco. Com base em suas declarações, a 2ª Vara Criminal Federal promoveu várias ações penais contra diversos integrantes do governo Jaime Lerner, além de inúmeros empresários, tudo seguindo informações colhidas com o delator que auxiliava os interesses da Justiça e do Juiz.

Recentemente, passados mais de 4 anos de sua prisão, Gabriel Pires revelou, ao prestar testemunho em uma ação penal contra um dos maiores empresários do Paraná, que nada do que havia dito com relação ao referido empresário era verdadeiro, que suas informações anteriores foram fruto de uma forte pressão psicológica promovida pelo inusitado e violento momento que passou na prisão, uma espécie de “Guantánamo Curtibano”. Em outras palavras: ele disse que o ambiente de terror imposto fez com que falasse até o que não sabia.

Para desespero do juiz federal, a testemunha desmentiu as afirmações anteriores, feitas sob pressão, segundo ela. Só para lembrar, a tortura psicológica era um dos meios utilizados pelos algozes da ditadura militar. Um levantamento sobre a delação premiada no Brasil indica que a 2ª Vara Federal de Curitiba está entre as duas que mais se utiliza deste modus operandi. Há gente muito conhecida dos paranaenses entre os que firmaram acordo. O empresário Tony Garcia e o doleiro Alberto Youssef são dois deles, assim como o desconhecido Sergio Renato Costa. Estão em liberdade e têm algo em comum: continuam ricos.

Por Ze Beto

Fonte: Conjur - Tortura psicológica faz parte da preparação da delação premiada

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A comunhão diabólica nas histórias do júri

Um Mestre da Vida dizia que a cachaça é a comunhão diabólica.

Dos 14 júris que fiz este ano a comunhão diabólica esteve presente na história de 11 julgamentos.

Desgraçando famílias, causando prantos, gemidos de dor. Tantos rios de lágrimas dos olhos de mães, pais e filhos!

Hoje faço meu último júri do ano.

Podia ser diferente? Mais uma vez a cachaça despertanto no homem seu lado mais irracional, mais primitivo, mais animal, mais diabólico. Vítimas ou réus?

E em meio a todas essas cenas complexas da vida na terra, advogados e promotores, buscam na análise dos fatos e do direito as melhores argumentações da mente humana para aplicar a devida justiça em cada caso concreto.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O maior advogado do mundo

No livro O Maior Vendendor do Mundo, de Og Mandino, podemos extrair muitos ensinamentos aplicáveis à advocacia. Adapto as lições ao nosso mundo jurídico, mas servem também para outras áreas da vida humana, basta saber aplicá-las, elas são de valor universal.

1º Pergaminho - Saudarei o dia com amor no coração. Amor pela justiça, amor pelo direito, amor pela verdade, amor pela paz, amor pelo próximo.

2º Pergaminho - Persistirei até alcançar o êxito. Não desisto, acredito no sucesso. Caio mas me levando, sofro mas aprendo as lições. Meu destino é vencer, e se persisto vencerei.

3º Pergaminho - Eu sou o maior milagre da natureza. Falo, penso, construo. Sou o produto de milhares de anos de evolução. Continuarei evoluindo, minha mente, meu corpo, meu espírito. Tenho potencial ilimitado.

4º Pergaminho - Viverei hoje como se fosse meu último dia. Vivo o agora, aproveito o momento. O amanhã está tão enterrado quanto o ontem. Sou afortunado por ter vida neste momento, ele é um presente, é um dádiva, aproveitarei com gratidão no coração. Esse é o tempo que realmente tenho, não o perderei com emoções doentias, procurarei ser feliz agora.

5º Pergaminho - Serei dono das minhas emoções. Se meu ânimo é forte, meu dia será um suceso. Quem é senhor dos seus ânimos é senhor do seu destino. A partir de hoje serei capaz de dominar qualquer estado de espírito com que desperte a cada dia. Serei dono de mim mesmo.

6º Pergaminho - Cultivarei a doçura do sorrir, este é o segredo da vida longa. Meu riso será sincero, será ouro ofertado ao meu próximo. Enquanto eu ri jamais serei pobre.

7º Pergaminho - Multiplicarei o meu valor. Amarei mais, serei mais justo, mais belo, mais terno, tudo o que eu tiver de bom, multiplicarei a cada dia. Tenho possibilidade de crescimento ilimitado, sou filho de um Deus sem fim.

8º Pergaminho - Sou homem de ação. Meus pensamentos, meus planos, meus sonhos nada valem se eu não agir, se eu não buscar, seu eu não trabalhar para concretizá-los.

9º Pergaminho - Buscarei sempre a orientação divina. A luz, o norte, para seguir no caminho certo.

Aplique essas lições e seja o maior vendedor do mundo, o maior orador do mundo, o maior advogado do mundo, o maior empreendedor do mundo, o maior pastor do mundo, o maior mestre do mundo. Em qualquer profissão essas lições podem servir como um caminho importante para se alcançar a vitória.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A experiência no jogo de xadrez e na advocacia

Encontrei no livro Moderno Dicionário de Xadrez, de Byrne J. Horton, uma belíssima análise do que seja a experiência e o seu valor, e que se aplica também na advocacia, e em qualquer outra profissão.

"Aprender fazendo. É a aquisição de conhecimentos de primeira mão e de habilidade na condução de partidas, pela prática contínua.

O xadrez aprende-se facilmente, mas é difícil de jogar inteligentemente.

Quando tiramos proveito da prática estamos acumulando experiência. Podemos obtê-la diretamente por nossos próprios esforços, ou interpostamente, aproveitando da experiência alheia.

A experiência direta, pessoal, pode ser um caminho tedidoso e desagradável de aprendizado; por meio de outros, entretanto, seja de professores ou livros o estudo pode ser realizado por métodos mais econômicos. Na análise final, os livros são professores silenciosos, eles apresentam as melhores experiências de gerações de especialista.

Toda essa experiência acumulada pelos outros serve de base teórica pra nossa própria experiência. Depois de tudo dito e feito, ainda é a experiência pessoal o árbitro final de toda a teoria".

De tudo isso podemos dizer: que aprendemos com a experiência, com a nossa e com a dos outros; que a teoria nasce da prática e a prática nasce da teoria; que advogar é fácil, o difícil é advogar inteligentemente, como o jogador da arte do xadrez; que a experiência é posto, tem valor, tem brilho, tem poder, e que é o pulo do gato, a distância, a diferença, o abismo, entre o mestre e o aprendiz.

Habilidade para engolir sapos

"Não basta conhecer as leis para ser bom advogado. É preciso conhecer bem tanto o acusado (seu caráter e antecedentes) quanto os jurados, suas peculiaridades profissionais, religiosas e sociais, observa-lhes as reações no julgamento, pois são fatores que influem no momento em que decidem o veredicto.

Além de conhecimentos jurídicos e psicológicos, um advogado precisa ter coragem e altivez, para não ser curvar diante do Tribunal, mas também habilidade para engolir sapos".

Este texto foi retirado do livro A Espada e a Balança, escrito por Jason Tércio, que conta a vida e a atuação de dois grandes criminalistas brasileiros, George Tavares e Evaristo de Moraes Filho.

Angel Osório afirmava que um dos mandamentos do advogado "é não querer ser maior do que o juiz, e nem consentir em ser menos".

Mas a habilidade para engolir sapos realmente é uma arte que devemos saber cultivar. Não por medo da autoridade, mas por estratégia bem medida em favor do seu constituinte. O advogado, pela sua sensibilidade, percebe o momento de engolir alguns sapos, e muitas vezes isso é compensador, traz bons resultados.

O que não é aceitável é a covardia, a tergiversação, o patrocínio infiel. O engolir sapos na advocacia é uma arte muito fina, e a violação dessa arte pode se constituir num verdadeiro xeque -mate em em sua atuação profissional.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Inspirações socráticas

Ao ler Górgias, um dos Diálogos de Platão, onde Sócrates argumenta em torno da justiça, do bem, do belo e da retórica, pincei algumas frases refinadas que nos servem de inspiração:

"Meu patriminônio é a verdade".

"A injustiça é a mais feia imperfeição da alma".

"O que é justo é belo".

"Feio é tudo o que é mal".

"Rende-te a razão".

"Quem castiga com a razão castiga com a justiça".

"A alma de um homem é melhorada quando ele sofre um castigo justo."

"A justiça é a mais bela das virtudes".

"Maior infelicidade que viver com um corpo doente é viver com uma alma que não está sã, mas corrupta, injusta, ímpia".

"Os que fogem do castigo só veem nele o que há de doloroso e não exergam o que ele tem de útil".

"O maior dos males é a injustiça".

"A falta do castigo faz perserverar o mal".

"Cometer uma injustiça é o segundo mal em grandeza; o primeiro e o maior de todos os males é praticar a injustiça sem ser castigado".

"O que importa, no final, é abster-se da prática da injustiça".

"A impunidade é um mal para o próprio transgressor".

"Os moderados são mais felizes que os intemperantes".

"É a ordem é a proporção que fazem com que uma casa seja boa".

"Em todas as circunstâncias o orador tem que ter olhos atentos para o bem".

"Para ser um bom orador é preciso ser justo".

"Nenhum homem de bem arrasta a um tribunal um inocente".

"É o melhor que me interessa e não o mais agradável".

"Não uso retória bajuladora".

"É digno de todos os elogios quem vive de acordo com a justiça quando dispõe de todos os meios para se praticar o mal".

"Não te acontecerá mal algum se fores realmente um homem de bem, dedicado a virtude".

"O melhor caminho a seguir é o exercício da justiça".

"Devemos por a retórica a serviço do bem".

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Da sacralidade ao canibalismo forense

Conta Pedro Paulo Filho no livro Advogados e Bacharéis: os doutores do povo que "a advocacia na Grécia tinha um caráter místico ao dispor que o recinto do Pretório e do Areópago eram lugares sagrados, prescrevendo que, antes das audiências, se espargisse água lustral, com o fim de advertir juízes e oradores de que só deveriam ali entrar em estado de pureza.

A sacralidade dos atos judiciais, proclamavam-na os gregos, ao celebrá-la no templo, era precedida da queima de incenso e da aspersão de água benta, em esconjuro à maldade dos homens e dos demônios".

Que bom se ainda fosse assim. Só para ilustrar... Por esses dias fazia um júri, quando ao final do resultado condenatório ouvi quando uma autoridade ministerial, que se diz tão pura e verdadeira, se jactava para seu interlocutor, que no outro lado da linha ouvia a seguinte expressão canibalesca:

"Cravei unhas e cravei dentes ".

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Cuidar da advocacia

Administrar a advocacia, era esse o título original deste texto, mas soou-me muito mercadológica, sendo que preferi usar a expressão cuidar da advocacia, mais transcendental.

Cuidar da advocacia é postar-se alerta a tudo o que acontece a sua volta.

Atender bem os clientes...

Acompanhar com zelo os processos...

Aperfeiçoar-se técnica e culturalmente...

Agir da maneira correta com todos...

Manter-se dentro dos padrões éticos exigidos pela tradição e pelas leis da advocacia...

Cuidar de sua própria imagem e de seu bom nome...

Ter seu escritório funcionando bem...

Relacionar-se com boas companhias...

Tudo isso - e muito mais - é saber administrar, cuidar da advocacia, profissão que exige uma boa dose de consciência nos atos que se pratica.

Com o tempo algumas questões passam a ser automaticamente administradas, cuidadas, outras não, é preciso o burilamento diário, a redobrada cautela, a aprendizagem constante, para que da advocacia se possa dizer o que já se disse de melhor, pela voz do filósofo Voltaire: " é a maior profissão do mundo".

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A Trilogia de Justiniano

"Além da cultura humanística, deve o advogado abalizar-se nas virtudes.

A trilogia de Justiniano, nas Institutas, ou os preceitos de Direito são: 'vivere honeste (viver honestamente); neminem laedere (não prejudicar a ninguém); suum cuique tribuere (dar a cada um o que é seu)'.

A grande força do advogado e dos cultores do direito é a força moral.

Para vencer na vida profissional, deve o advogado ser trabalhador, estudioso e honesto!

Não é utopia, mas a realização do verdadeiro ideal do Advogado: com pés firmes e corajosos, pisar a terra e, com as mãos, tentar alcançar as estrelas do céu".

Carlos Biasotti, no livro Tributo aos Criminalistas

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Uma lição da advocacia

"Esquece - A advocacia é uma luta de paixões. Se a cada batalha fores carregando tua alma de rancor, chegará o dia e que a vida será impossível para ti. Terminado o combate, esquece logo tanto a vitória quanto a derrota". Este é o 9º Mandamento do Advogado, elaborado por Eduardo Couture.

Enquanto o advogado não segui-lo, não compreendê-lo, não aceitá-lo, não pode ser considerado um bom combatente, um homem digno de subir nos montes mais altos depois de andar nos vales mais escuros, com a mesma têmpera e altivez.

Na derrota ou na vitória, a dignidade dos enxadristas, o controle dos samurais, a serenidade de um budista. Assim se reconhece os advogados experimentados que, claro, sentem agonia e êxtase, amargura e alegria, mas que sabem dosá-las, temperá-las, que não ficam iludidos com a fugacidade dos momentos.

Sem dúvida é um sábio ensinamento: "Terminado o combate, esquece logo, tanto a vitória quanto a derrota".

Segue em frente, tira as lições, se burila, cresce, a vida é feita dessas coisas, hoje se ganha, amanhã se perde, e como diz uma sentença grega, "os dados de Zeus caem sempre do lado certo", e como ensina, ainda, o poema Desiderata "quer você entenda ou não, o universo está se desenrolando como deveria, mantenha a paz em sua alma".

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Advogado Independente, Advogado Herói!

"Cultivar a independência não é tarefa para homens fracos. A advocacia verdadeira só existe para os fortes, para os nietzscheanos".

Segundo Paulo Lôbo, estudioso da ética dos advogados, a advocacia têm quatro características essenciais: a indispensabilidade, a inviolabilidade, a função social e a independência.

A indispensabilidade quer dizer que não há justiça sem advogado. A inviolabilidade significa que o advogado é inviolável no exercício de seu mister. A função social pode ser entendida como o serviço público que o advogado exerce em prol da sociedade e do estado democrático de direito.

A independência é a própria essência da advocacia. O advogado servil, covarde, medroso, puxa-saco, não pode ser chamado de advogado. Cultivar a independência não é tarefa para homens fracos. A advocacia verdadeira só existe para os fortes, para os nietzscheanos.

Conforme mandamento legal, o advogado deve manter a independência em qualquer circunstância, e nenhum receio de desagradar a magistrado ou a qualquer autoridade, nem incorrer em impopularidade, deve deter o advogado no exercício de sua profissão. Percebe-se, repita, que essa profissão não foi feita para homens de fraca têmpera.

Ser advogado independente é ser herói. As autoridades, os bajuladores das autoridades, os medíocres, são os primeiros a não suportarem a presença do advogado independente, que com galhardia defende a legalidade contra as conveniências e o desrespeito a lei.

Ensina Rui Barbosa: "Não servir sem independência a justiça, nem quebrar da verdade ante o poder". O advogado quando perde a independência perde a própria seiva da profissão, aquilo que lhe é mais caro, mais valioso, mais belo, mais épico.

Sê independente é mandamento legal, ético, jurídico, filosófico, espiritual da advocacia. Tesouro que cada tesoureiro precisar guardar como uma das pedras de maior brilho e valor de nossa grandiosa profissão. Pesa muito nos ombros carregar a independência, mas lembre-se, é um tesouro que nós carregamos.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Defesas bem-sucedidas

Diz o criminalista Técio Lins e Silva em seu livro O que é ser Advogado:

"O advogado não tem a obrigação de fazer com que o acusado de um crime seja absolvido.

A vitória da causa não é necessariamente a absolvição. A vitória da causa é o justo resultado, aquele mais condizente com a justiça para aquele caso.

Muitas vezes, se o cliente de fato cometeu aquele delito, obter uma pena justa e adequada é grande vitória, sobretudo quando há paixão popular e clamor público.

Evitar os excessos e conseguir uma desclassificação do tipo de crime, reduzindo a acusação aos seus verdadeiros limites, podem ser exemplos de defesas bem-sucedidas".

Os maus juízes

Triste a sina daqueles juízes que, por suas falhas éticas ou jurídicas, afastam a atuação dos advogados do local onde exercem a jurisdição.

Os momentos mais tristes na vida de um advogado é quando precisa exercer seu mister diante de um mau juiz.

Arrogantes, ou sedentos por reconhecimentos e bajulações, ou imaturos, ou servis, ou burocratas, ou preguiçosos, ou ignorantes das coisas da vida ou do direito. Assim são os maus juízes, os gafanhotos do campo cultivado da justiça.

Parciais, politiqueiros, nervosos, têm o fedor das fossas do reinado da injustiça.

Infelizmente um concurso, em geral, só mede o grau de decoreba de cada um. Não mede a vocação, a temperança, a independência, a honestidade, a transparência, a integridade, as virtudes que se exigem para ser um bom juiz.

Triste carreira, triste destino, um câncer para as instituições, uma maldição para a sociedade, os maus juízes.

Dever de todos combatê-los, apontá-los, porque para eles outra saída não restará senão o amesquinhamento ou o abandono da toga, porque os maus juízes são imcompatíveis com a grandeza da verdadeira magistratura.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O criminalista: o escudo nas horas difíceis

"De um modo geral, as pessoas não se imaginam necessitando do advogado criminal.

No entanto, quando o destino cria para alguém uma situação inesperada e o papel da defesa torna-se vital, o advogado criminal passa a ser a pessoa mais importante na vida desse acusado.

É com ele que o acusado divide seus males, suas angústias, seus medos, suas paranóias e até suas vergonhas. A entrega é total enquanto dura a relação profissional".

Técio Lins e Silva, no livro O que é ser Advogado

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A suspeita já crucificou os braços de muitos inocentes

Na suspeita, os fatos vem antes das provas. Na suspeita o que vale é a presunção da culpa. Imagine o que a suspeita é capaz de fazer no campo do ciúme, da inveja, do orgulho, ou das acusações!

Conta-se que certo dia um lenhador perdeu o seu machado e passou a desconfiar que um jovem que morava nas redondezas o tinha roubado.

A partir daquele momento toda vez que olhava para o rapaz confirmava a suspeita do roubo. Pelo andar amalandrado, pelo olhar desviado, pelo sorriso zombeteiro, pelo seu jeito de ser, farseiro e ladrão.

Já não aguentava conviver com tantos fatos demonstrativos da autoria criminosa. Tinha alcançado um suposto juízo de certeza da culpa do moço.

Passados algum dias, o lenhador, cuidando de seu jardim, encontrou o seu machado, e se lembrou que o tinha deixado ali mesmo.

No outro dia, ao ver o menino, não percebeu nada de anormal. Era sempre o mesmo garoto, andar gracioso, olhar gentil, sorriso bonito, seu jeito era o de sempre, alegre e confiável, de família boa.

Aconteceu comigo também uma história parecida. Um eletricista foi até a minha casa para fazer alguns serviços, e neste mesmo dia eu tinha perdido a aliança de casamento. Dei uma busca geral, não encontrei, mas sabia que acharia.

Quando o eletricista foi embora começei a procurar com mais cuidado, procurei, procurei e comecei a me inquietar, porque a mulher cobrava com razão o uso da aliança. Então passei a desconfiar do eletricista. "Esse cabra achou meu meu anel e ficou pra ele".

No mesmo dia, à tarde, fui até o campo de futebol do meu bairro, e para minha surpresa vi o eletricista com meu anel no dedo, inclusive um pouco apertado. O jeito dele andar, a conversa desconfiada faziam aumentar minhas suspeitas. "Agora sei qual foi o momento em que ele achou o anel, por isso ele queria ir embora logo. Agora entendo porque ele fez o trabalho por um preço tão baixo."

Mas o que fazer? Não é da minha índole abordar ninguém para acusar dessa maneira, mas estava tomado pela revolta.Fui para casa indignado, já disposto a comprar outro anel para não ter confusão, nem falsas acusações ou constragimentos. Para mim ele era culpado e os fatos já tinham comprovado isso.

Resolvi no outro dia fazer as últimas buscas, e para minha supresa achei o anel dentro da fronha de um travesseiro. Que alívio meu Deus! Suspeitei de uma pessoa inocente! Que aprendizagem! Que lição! Que experiência!

E ontem, lendo a história do lenhador contada por Osho no livro Mente Tranquila lembrei-me o que ocorreu comigo, e que, com certeza, já ocorreu histórias semelhantes com muitas pessoas.

Muito cuidado, a suspeita já crucificou os braços de muitos inocentes. Não é o melhor caminho para a descoberta da verdade, não é o melhor caminho para a realização da justiça.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ser Advogado

Ser advogado é viver o direito. Viver o direito e para o direito, sempre imbuído do espírito de Justiça, sem esquecer que a Justiça é feita pelos homens, seres falíveis.

Ser advogado é trabalhar muito. Trabalho duro, a qualquer hora, mas muito honroso para quem o faz com dedicação e honestidade.

Ser advogado é necessariamente ser estudioso. Estudo que é fundamental para o desempenho digno da profissão.

Ser advogado é gostar de ler. Ler, ler muito para convencer.

Ser advogado é ter paciência. Paciência para solucionar os conflitos e alcançar a paz.

Ser advogado é ter perseverança. Perseverança para não desistir quando encontrar obstáculos, que são muitos.

Ser advogado é viver a luta pelos direitos do cliente. Luta para defender os direitos do cliente, sem descurar da ética e da moral.

Ser advogado é ser humilde. Humilde para reconhecer seus erros, bem como para aceitar e compreender os entendimentos contrários.

Ser advogado é ser destemido. Destemido para defender os interesses do cliente, enfrentando, com respeito e acatamento, os adversários e as decisões adversas, lutando sempre para vencer, como se fosse a sua última demanda.

Ser advogado é ter coragem. Coragem para enfrentar as dificuldades e os problemas do dia-a-dia.

Ser advogado é saber sofrer derrotas. Derrotas que fazem parte da advocacia, que devem ser aceitas com naturalidade, sem, contudo, se acovardar ou desistir, pois aceitar a derrota não significa ser derrotado, mas sim respeitar o que não lhe é favorável, buscando, dentro dos procedimentos legais, reverter à situação, quando possível, e sobretudo fazer da derrota verdadeiro aprendizado.

Ser advogado é ter criatividade. Criatividade para buscar a solução para o problema do cliente, que nem sempre é através de ação judicial, bastando, muitas vezes, uma boa conversa.

Ser advogado é ser sincero. Sincero para dizer ao cliente que a causa é difícil, explicando de forma clara os riscos da demanda, não causando falsas expectativas naqueles que lhe confiaram a causa.

Ser advogado é saber ouvir. Ouvir não somente os mais velhos, mas também os mais novos, bem como o cliente, o adversário, o juiz e todos aqueles que trabalham com o direito, para assim adquirir experiência e confrontar idéias, defendendo melhor os interesses do cliente.

Ser advogado é lutar por um ideal. Ideal de Justiça e Paz, porquanto a paz é o desiderato último do Direito e da própria Justiça.Ser advogado é, além disso tudo, buscar a paz social, pacificando os conflitos de interesse. Paz, sem a qual a sociedade não sobrevive, fim último da Justiça e do Direito, que buscam a convivência harmônica e pacífica dos homens.

André Luiz da Silva Trombim -Advogado em Criciúma/SCBacharel em Direito pela Universidade Luterana do Brasil – Ulbra de Torres/RSEspecialista em Direito Processual Civil pelo Instituto de Ciências Jurídicas – Incijur de Joinville/SCCursando MBA em Direito Civil e Processo Civil pela Fundação Getúlio Vargas – FGV de Florianópolis/SC

O advogado é um lutador

"O advogado é um lutador incessante contra a habilidade ou solércia do adversário; contra a ingratidão ou o esquecimento do cliente; contra a deslealdade, o ciúme, ou a impolidez dos colegas mal-educados; contra a incompetência, a desídia, a teimosia e até, muitas vezes a inveja dos maus juízes".

Cesar Asfor Rocha - Presidente do Superior Tribunal de Justiça

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Entre o rigor e a lei

"Justiça excessiva não é senão injustiça". Cícero

Quando vejo um magistrado afirmar que "o caso deve ser tratado com rigor", não importa contra quem, já não o vejo mais na condição de juiz, e sim, na condição de um carrasco.

Os antigos romanos já ensinavam "Suma justiça, suma injustiça". Summum jus, summa injuria.

Quem perde o equilíbrio, perde a serenidade, perde a imparcialidade, enfraquece a toga, vira um político querendo satisfazer os apetites do populacho.

Por esses dias o ministro Joaquim Barbosa afirmou que determinado caso sob a judicatura do STF deveria ser tratado com rigor.

O ministro Marco Aurélio rebateu: "o caso deve ser tratado conforme a lei".

Há muitas diferenças nas expressões e nas intenções. No rigor está a justiça somente da espada, se esqueçe a balança, a lei, o direito, a justiça.

"Vamos enquadrar fulano nos rigores da lei". Com certeza isso não faz parte do verdadeiro direito, mas das novelas que criam jargões humorísticos, que servem para divertir o povo nas horas de folga, mas que não servem para iluminar as sentenças dos juízes no Templo da Justiça.