sexta-feira, 9 de abril de 2010

O juiz pensa que é Deus

Existe um ditado no meio forense que diz: "O juiz pensa que é Deus, e o desembargador tem certeza".

Comprei ainda pouco um livro intitulado Formação do juiz: anotações de uma experiência, de Lourival Serejo, Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão.

Gostei muito da obra, escrita em forma de diário. No dia 6 de setembro de 2006, escreveu:

"Ser juiz é coisa séria. A cada dia precisamos nos avaliar. O dia em que acreditarmos em nossa perfeição, deixaremos de ser juiz e passaremos a ser um perigo para os jurisdicionados".

Fica aí a lição de quem vê as coisas com mais consciência!

3 comentários:

WILTON ALVES disse...

Compreender o sentido da justiça, da dignidade, do humano é sem dúvida dar-se conta que o mundo, bem como as leis não devem se dar como expressão do claustro, mas, sim, do contato mútuo entre homens e mulheres que, em hipótese alguma devem definir com precisão o certo e o errado. Por isso, caro Sanderson, compreendo que o grande desafio que se impõe aos juristas brasileiros é, sem dúvida, não se arvorarem em juízos categóricos, mas se abrirem à compreensão aberta da lei e da justiça.

Mauricio Belo Ferreira disse...

Interessante esta reflexão, pois, inobstante se aprender exaustivamente nos cursos de Direito aquilo que prega o EOAB que não há hierarquia entre os elementos do sistema acusatório (acusação, defesa e julgamento), na prática, os juízes insistem em fazer a sociedade acreditar que eles são superiores. É claro que aos juízes lhes é dado o legado de julgar a causa, mas somente quem acompanha um processo, especialmente o criminal, percebe notadadamente o desequilíbrio e que, não raro, esmaga a liberdade de defesa, a qual deveria estar em pé de igualdade com as outras funções da Justiça.

Ítalo Gustavo disse...

O des. Lourival é um bom juiz na teoria e na prática. Trata-se de um magistrado extremamente garantista.