segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A pressa do jovem advogado

É uma verdade insofismável que tudo na vida tem seu tempo.

Eclesiastes bem explica isso.

O tempo tem seu ritmo, não adianta tentar mudá-lo. Já tentei algumas vezes e nunca deu certo. Cabe à sensibilidade de cada um sentir o ritmo do tempo, e agir de acordo com ele.

Certo dia, um jovem talentoso procurou um experiente advogado de júri para saber se em seis meses, caso se preparasse bem, lendo tudo a respeito do assunto, nada fugindo de seu controle, poderia se tornar um mestre no Tribunal do Júri.

O velho advogado ficou impactado com a pergunta. Não por não saber responder, mas como iria responder sem melindrar aquela jovem criatura.

Falou -lhe que aquilo já era um grande passo. Que a gente nunca pára de aprender durante todas as nossas existências e que o tempo era fundamental para nosso próprio aperfeiçoamento.

O jovem disse que já sabia de tudo isso. Queria saber se em seis meses estaria no panteão dos tribunos do Júri. Insistiu.

"Não vou lhe garantir, mas quem sabe que você não consiga, seja uma exceção? Os grandes advogados de Júri que me antecedaram nessa nossa longa história levaram muito mais tempo para alcançar as mais altas alturas".

O jovem se danou a estudar, a estudar, a estudar durante o seis meses. Ao fazer seu primeiro Júri foi tão mal que vendo que seu objetivo não tinha sido alcançado abandonou a Tribuna para nunca mais voltar.

Queria tudo muito rápido, não teve paciência e humildade. O tempo não perdoa os que querem fazer as coisas fora de seu ritmo.

Por trás de um grande talento, em qualquer área, tem muito de inspiração, mas tem muito de transpiração, esforço, trabalho, estudo, sofrimento, suor, lágrimas, tensão, não perceptíveis aos que vêem de fora.

Não é fácil compreender o ritmo do tempo, mas quando o compreendemos vivemos muito mais felizes.

2 comentários:

Leandrius disse...

simplesmente perfeito.... por isso nao me canso de observar e estudar meus mestres, Antonio Araujo, Perazzo e Sanderson

Sanderson Silva de Moura disse...

Caro Leandrius

Para ser um mestre do Tribunal do Júri, como disse o velho advogado, é preciso além de ter vocação ter também paciência, auscultar o ritmo do tempo e obedecê-lo.

Sonho um dia merecer esse título que por bondade você nos atribui.

Já consegui compreender o que ensinou o velho advogado, agora é transpirar para poder se inspirar.

A gente chega lá, como falou Fernando Pessoa: "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce".